sábado, agosto 21, 2021

RICO

 Jesus disse que “é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus” (Lc 18:25). Ouvindo isso, quem quer ser rico?

Pois é, embora alguns possam hesitar em desejar a riqueza, fato é que a Bíblia diz que Cristo é rico, pois Ele, “sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos” (2 Co 8:9). Ele diz “minha é a prata, meu é o ouro” (Ag 2:8) e “ao SENHOR pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam” (Sl 24:1), “porque dele e por meio dele e para ele são todas as coisas” (Rm 11:36). E não só isso, pois a Palavra diz que devemos ser seus imitadores (1 Co 11:1 e Ef 5:1).

E agora? Imitar a Cristo em sua riqueza torna a entrada no Reino de Deus tão difícil quanto um camelo passar pelo fundo de uma agulha?

Essa contradição é apenas aparente, pois há mais de um tipo de rico, justamente porque há mais de um tipo de riqueza. Na terra a criação é decadente e espera a revelação dos filhos (Rm 8:20), e por isso, a riqueza que está nessa Terra tem origem injusta e é decaída. Mas nos Céus há outro tipo de riqueza, uma riqueza verdadeira que Cristo disse que seria nossa se nos tornássemos fiéis na aplicação das riquezas decaídas (Lc 16:11).

Há outros textos que ressaltam a diferença entre a riqueza terrena e celestial.

A riqueza terrena é aquela que a Igreja de Esmirna, por não ter, fazia com que ela se achasse pobre, embora fosse rica da riqueza celestial (Ap 2:9). E por outro lado, a Igreja de Laodicéia era pobre por não ter um tesouro no Céu, embora tivesse um tesouro na terra e se achasse rica (Ap 3:17).

Quando Deus criou a raça humana, Ele proveu o homem do alimento de “todas as plantas que nascem em toda a terra e produzem sementes, e todas as árvores que dão frutos com sementes” (Gn 1:29). O homem seria predominantemente coletor e embora ele sujeitasse os demais animais, certamente se alimentando deles, ele não precisaria plantar nada. Porém, quando Adão é expulso do Éden, Deus declara a Terra que dera ao homem como maldita por causa da desobediência e impõe o castigo ao homem de se alimentar das plantas do campo, que passaram a ser cultivadas com o suor do trabalho humano (Gn 3:17-18).  

Esse trabalho suado é, numa palavra só, sacrifício. E na Terra, todo sacrifício que não se faz a Deus, é recebido por algum ídolo. É por isso que o sacrifício do nosso trabalho é recebido por um ídolo chamado riqueza ou Mamom.

Há, também, outro trabalho que os homens fazem sobre a Terra. É aquele trabalho com o qual o Pai trabalha e no qual Cristo trabalha também (Jo 5:17). Esse trabalho gera uma riqueza celestial que a traça e a ferrugem não corroem e os ladrões não minam e nem roubam (Mt 6:20). Esse trabalho é sacerdotal e por isso se faz vestindo linho, pra não haver suor (Lv 16:4).

Então, resumindo, o trabalho celestial, que os Anjos desejaram fazer (I Pe 1:12), é feito por homens por Terra (por estes estarem na Terra), isto segundo o Senhor do Céu dos Céus e gera um riqueza incorruptível no Céu.

Já o trabalho terreno é feito por homens com suor, ou seja, sacrifício, que é recebido por quem se fez príncipe desse mundo (Jo 16:11), e gera uma riqueza corruptível que, justamente por ser corruptível, precisa ser santificada.

Pois bem, Paulo diz aos romanos, falando das ofertas de manjares, que “se é santa a parte da massa que é oferecida como primeiros frutos, toda a massa também o é” (Rm 11:16), ou seja, a porção ofertada santifica o todo.

É por isso que precisamos fazer ofertas alçadas, como o dízimo, pois ele santifica a riqueza corruptível que ganhamos sacrificando ao deus deste século.

Exemplo disso foi o que Jesus disse ao jovem rico. Ele não disse pro jovem permanecer pobre, disse apenas pra fazer de uma vez só o que não havia feito desde a adolescência, ou seja, santificar sua riqueza. Ele disse que o jovem deveria investir suas riquezas terrenas num trabalho celestial que renderia um tesouro no Céu (Mt 19:21).

Certamente o jovem, com um tesouro no céu, nunca mais teria falta de nada e é isso que é prosperidade, é ter tudo o que o seu propósito requer. Aquele jovem rico não se demonstrou próspero quando se apresentou a Jesus, porque mesmo rico ele se demonstrou vazio, carente de propósito e direção. Jesus quis fazer dele alguém próspero, mas ele se negou porque tinha muitos bens, ou seja, porque era rico!

O rico que precisa ser exortado, irmãos, é o rico do presente século, aquele que é orgulhoso e deposita a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas aquele confia na prosperidade divina também é rico e esse não é repreendido (1 Tm 6:17-19). 

quarta-feira, agosto 04, 2021

PORQUE UM ANJO UM DIA PECOU

 Satanás é um anjo decaído e se todos os anjos foram gerados por Deus, então o inimigo de Deus foi gerado por Ele mesmo. Deus, que é onisciente, sabia que um anjo entre tantos haveria de se rebelar, que esse anjo seria Lúcifer e que essa rebelião teria um enorme custo em sofrimentos.

 

Como Deus é onipotente, poderia ter evitado a criação de Lúcifer. Tudo isso é verdade, mas esquecemos de que uma das decorrências principais de Deus ser onipotente é justamente o fato de haver uma coisa que Deus não pode fazer: Ele não pode contrariar a Si mesmo, pois Nele não há sombra de variação.

 

Pois bem, Deus é Único e quando Ele gera seres espirituais (como são os anjos e os humanos), estes seres, por mais perfeitos que possam ser, nunca serão tão perfeitos como Criador, pois Deus é Único e Inigualável. Cada anjo é associado a uma estrela, tendo nela os seus domínios (Jó 38:7, Is 14:12-13 e Ap 9:1) e uma estimativa científica diz que podemos ter 70 bilhões de trilhões de estrelas no universo (7 × 1022 estrelas), sendo que cada um desses anjos tem livre arbítrio.

 

Por mais que a perfeição dos anjos os incline a sempre escolher obedecer a Deus, havia uma possibilidade de que em bilhões de escolhas tomadas por cada um dos bilhões de trilhões de anjos ao longo da eternidade, ao menos uma escolha pudesse ser contrária à vontade de Deus e, portanto, uma escolha rebelde.

 

Apesar de o homem ter sido feito à imagem e semelhança de Deus, também foi feito pouco abaixo dos anjos, logo, os anjos são os maiores seres espirituais do universo e se entre eles a perfeição tivesse sido absoluta, ou seja, se entre eles nunca tivesse ocorrido um único pecado ao longo da eternidade, então o anjo, como geração divina, seria igualado ao seu Criador, negando-se deste modo o caráter Único da perfeição de Deus. Dito de outra forma, Deus só é Único porque em meio a toda a sua criação perfeita houve ao menos um ser criado, que ao menos uma vez, em toda a eternidade, acabou por negar o caráter perfeito no qual foi formado.

 

Esse alguém é Lúcifer e, não por acaso, pois foi justamente naquele a quem foi dada a função mais relevante entre os anjos que se achou o pecado da soberba, de modo que este considerou a si mesmo como maior do que os seus iguais em razão da função que ele exercia e da proximidade com o Criador.

 

Este é o mais próximo que consegui chegar, até aqui, no tocante aos mistérios da sabedoria e do conhecimento que estão escondidos em Cristo e que o Espírito Santo nos revela se pedirmos, todavia, como disse o Pr Jean no último culto, o todo do conhecer de Deus só Ele mesmo nos ensinará e, isto, somente quando pudermos vÊ-lo face a face, como somos vistos por Ele. 

quinta-feira, julho 15, 2021

PLANO NUNCA FRUSTRADO

Ao longo da história, na idade antiga, média, moderna e até contemporânea, reinos duelaram pelos recursos terrenos. Embora cada reino exercesse domínio sobre um território, as batalhas decisivas não ocorriam em todo território, antes, eram travadas em lugares específicos, normalmente descampados, onde os exércitos se posicionavam, entravam em batalha e decidiam a disputa.

A criação terrestre obedece um modelo celestial e muito do que fazemos é figura e sombra das coisas celestes (Hb 8:5), logo, pressupõe-se que uma guerra entre os seres celestiais não ocorra indiscriminadamente no universo como um todo, mas seja decidida num campo de batalha. 

Acredito que o planeta Terra é um campo de batalha e creio que ela está relatada em Apocalipse 12:3-12, onde é dito que dois exércitos angelicais se enfrentaram. De um lado Satanás, o dragão e antiga serpente comandando um terço dos anjos e, de outro lado, o arcanjo Miguel comandando os demais anjos.

Contudo, acredito que além da derrota das hostes rebeldes, Satanás ainda seria pessoalmente derrotado num duelo com o próprio Deus. Vejamos como e porque.

Lúcifer desejou se assentar no trono do Altíssimo (Ez 28:2), pois estimou o próprio coração como se fora o coração de Deus (Ez 28:6), portanto, creio que o próprio Deus providenciou um campo de batalha em que Satanás seria pessoalmente derrotado. 

Mas como poderia ser justa uma batalha entre o Criador e a criatura? Como poderia o Todo Poderoso medir forças com um anjo por Ele criado?

Só haveria um modo disso ocorrer: o Ser Supremo precisaria diminuir e o anjo decaído precisaria se elevar. É por isso que Deus reservou um papel inédito para Si e para Lúcifer nessa epopeia terrestre. 

Para o anjo decaído foi ofertada uma isca, qual seja, um ingênuo e inocente ser criado a imagem e semelhança do Criador, a quem foi confiado o governo do único planeta com vida que gravita a estrela que antes era o domínio legítimo do anjo de luz. Para recuperar o governo sobre todas as formas de vida mantidas em seu antigo domínio, Lúcifer só precisava levar o homem a desobediência, pois desobedecer ao Criador acarreta a morte imediata do espírito daquele que foi desobediente e a perda do mandato espiritual de governo sobre a criação. 

Preso em seu calabouço terreno, as regiões inferiores da Terra, Lúcifer não podia mais do que canalizar um animal rastejante, uma alma vivente finita, pois desprovida de espírito. 

Tendo dado voz a esta serpente, Lúcifer enganou a companheira do primeiro homem provido de espírito, portanto, feito por Deus a sua imagem e semelhança. Sobre a influência daquela que foi enganada, Adão se fez rebelde contra a proibição do Terceiro Céu, pecou, morreu, perdeu seu governo, foi expulso do lugar de comunhão com o Criador e enviado pra viver do cultivo da terra de onde havia sido tomado.

O Altíssimo amaldiçoou a serpente que fora usada como canal para Lúcifer e através dela profetizou uma batalha entre o descendente de Eva e o descendente da serpente, qual seja, o dragão narrado no capítulo 12 de Apocalipse. 

Desde então Lúcifer oprime os homens, geração após geração, aguardando a sua almejada batalha, que se fosse vencida lhe proporcionaria ao menos recobrar o governo sobre o único planeta habitado de seu domínio estelar, aqui permanecendo sem castigo por sua rebeldia cometida em nível universal. 

Por outro lado, o Criador reservou para si um papel inesperado e que só poderia mesmo decorrer da sabedoria perfeita do Altíssimo. Deus se esvaziou de sua glória, tomou forma terrena, viveu como homem e foi tentado como Adão, mas com algumas significativas diferenças, pois Jesus se encontrava faminto num deserto e não em um paraíso rodeado de frutos, ademais, Jesus foi tentado por Lúcifer em seu esplendor terreno e não por ele enquanto simples serpente. Diferentemente de Adão, que desconhecia o bem e o mal, Jesus era rabi, instruído no bem é no mal que decorrem da Lei e andava cheio do Espírito Santo.

Além de se esvaziar, tomar forma terrena, viver como homem e ser tentado, Jesus viveu sem descumprir um único preceito ou princípio que era próprio de sua Divindade, mas que, em razão de Ele ter se esvaziado, lhe era possível violar como homem. 

Eterno como Espírito e dotado de um corpo introduzido e gerado em Maria sem a corruptibilidade do pecado do primeiro Adão, Jesus poderia viver eternamente mas aceitou calado a condenação injusta baseado em sua própria Lei e, por conseguinte, aceitou igualmente calado a aplicação da pena capital por parte da autoridade luciferiana exercida no governo humano. 

Tendo deixado seu corpo morto envolto em panos no interior de uma gruta, a alma de Jesus, animando o seu corpo espiritual, seguiu para as mais baixas regiões do inferno, pois é para lá, onde antes Lúcifer estava preso, que este costumava levar os humanos feitos a imagem e semelhança do Criador para sofrerem a condenação da desobediência ao Eterno. 

Lá chegando, Jesus exibe aos demônios a aparência de um cordeiro que foi morto, ou seja, de uma alma vivente inocente - por ser inimputável - mas morta em substituição. Todavia, diferente de todos os outros sacrifícios animais, desprovidos de um espírito, e diferente de todos os outros humanos, dotados de um espírito morto, Jesus irradia o próprio Espírito da Vida, que a morte não pode reter no inferno. 

Incapaz de ser mantido no lugar da condenação, mas com uma condenação imerecida já quitada, Jesus é livre para deixar o inferno, mas o faz somente depois de pregar aos espíritos lá aprisionados, esmagando a morte e levando consigo as chaves do inferno rumo a superfície da Terra. 

Cristo tem como crédito uma morte indevida e deixa pago no inferno, com este crédito, a pena de morte de tantos quantos tenham aceitado ou vierem a aceitar o seu governo no espírito, ato este que redunda em novo nascimento no espírito, ressurreto pelo Espírito da Vida. 

Voltando à superfície pelo monturo, Jesus visita a sepultura de seu corpo biológico e lá o glorifica (transforma na essência), alterando até mesmo a aparência de sua face, que deixa de ser aquela em quem não havia beleza ou formosura. 

Por 40 dias Jesus visita pessoas e lugares com quem esteve em seu ministério terreno, depois comissiona seus discípulos, promete retornar e parte para o Terceiro Céu com todos os despojos da batalha aqui travada, levando consigo as chaves do inferno rumo a sala do trono, para lá se assentar no lugar que o anjo rebelde julgou ser seu por direito. 

Maranata! 
 

quarta-feira, fevereiro 03, 2021

O REINO PERPÉTUO

Ao orar o Pai "nosso" não devemos romantizar o pedido para que venha o Reino, pois isso significa a vontade do Pai sendo feita na terra do nosso coração em oposição à vontade da nossa carne. 

A chegada desse Reino se caracteriza por um desconforto, um confronto contra o que queremos, como que numa encruzilhada onde nosso livre arbítrio precisa decidir a cada segundo, de novo e de novo, entre seguir a própria vontade ou a vontade do Pai. 

Esse desconforto só acaba com fim da luta, apagando-se o Espírito e cauterizando-se a consciência ou morrendo-se pra si mesmo. Quem vencer instala o seu reino, seja o Espírito, seja a carne. 

A vontade do SENHOR só importa no seu presente, pois a vontade dele no seu passado já produziu o seu fruto, seja um galardão ou uma derrota, essa já cravada na cruz. 

Por outro lado, a vontade dele no futuro vai depender da decisão lá exercitada. Não dá para decidir pela vontade de Deus a priori, pois enquanto você estiver na carne, ela vai se opor ao Espírito. 

As juras de amor eterno ao SENHOR servem para nos comprometer e nos estimular, mas só "o dia que se chama hoje" revelará a vitória da carne ou do Espírito. Quem ficar de pé deve cuidar para não cair e quem cair deve se agarrar na graça para se levantar. E isto a cada minuto, pois é possível ter uma revelação do Espírito num minuto e dizer uma bobagem da carne no minuto seguinte.

O conjunto de condutas realizadas segundo a vontade do Pai produz uma disciplina que gera frutos lícitos como "amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio" (Gl 5:22-23).

Uma árvore se conhece pelos frutos, logo, a presença desses frutos do Espírito nos fazem negar o que somos para nos parecermos com outro alguém, que é Cristo, cumprindo-se a partir daí o nosso propósito nesta Terra.

Que venha o Reino, a cada segundo! 

sexta-feira, janeiro 29, 2021

DEUS SE ARREPENDE?

Na língua portuguesa a palavra "arrepender" é verbo e "arrependimento" é o substantivo que indica o efeito da ação daquele verbo. O substantivo ocorre 24 vezes na Bíblia e apenas 02 vezes no Velho Testamento, sendo que ambas referem-se ao efeito de um ato de Deus e não do homem. 

As formas verbais de "arrepender" ocorrem 79 vezes na Bíblia e a procura nos mostra que o sujeito do ato de se arrepender invariavelmente é o SENHOR no Velho Testamento e o homem no Novo Testamento. 

Então Deus se arrepende? 

Em verdade não, aliás, é a Bíblia que responde essa pergunta ao dizer que "Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa" (Nm 23:19 e I Sm 15:2). 

Então de onde advém as dezenas de referências ao arrependimento Divino no VT? 

Essas referências decorrem da tradução do hebraico para o português, e do grego para o português, de palavras que são bem diferentes. 

No Velho Testamento, as duas únicas ocorrências traduzidas como "arrependimento" advém de "nacham" e "nocham". O primeiro está em Jeremias 31:19 e profetiza sobre o que o povo um dia diria (que se arrependeria) e o segundo está em Oséias 13:14, quando o SENHOR diz que seus olhos estarão fechados para a compaixão, ou seja, que Ele irá derrotar o inferno sem arrependimento. 

Já no Novo Testamento, as 22 ocorrências de "arrependimento" advém quase todas do grego "metanoia", que significa mudança de mente. Esse termo é aplicado ao homem que se converte e não a Deus, até porque o SENHOR não muda (Ml 3:6).

Portanto, o arrepender-se do VT é ato Divino de compaixão em razão da justa aplicação da justiça ao objeto do amor do SENHOR, que é o homem. 

É como aquelas vezes que você corrige seu filho com a varinha e, ao vê-lo chorar, se arrepende, mesmo sabendo que fez o certo. Não se trata de  arrependimento de pecado e sim de sentimento de compaixão pelo sofrimento daquele que é alvo de sua justiça. 

Poderíamos dizer que todo pecado requer arrependimento, mas nem todo arrependimento advém de pecado.

Já o arrepender-se do NT é ato humano de mudança de pensamento e comportamento em razão de alguém admitir o seu pecado. 

O "arrependido" no VT é o nosso Deus, pois dentre os homens "ninguém há que se arrependa da sua maldade" (Jr 8:6). Já no NT o arrependido é o homem, pois o maior profeta da Lei começa o NT pregando algo novo até então, qual seja, que os homens se arrependam e não apenas sacrifiquem, entendimento esse que abre os caminhos do SENHOR Jesus. 

Daí por diante, toda a mensagem do NT é no sentido do arrependimento e de seus frutos, para os quais somos chamados, contristados, batizados e renovados (Mt 3:8, 9:13, 2 Co 7:9, Hb 6:6). 

O pecado separa o homem de Deus tanto no VT como no NT, mas as pazes com o SENHOR decorrem de atos diferentes nas duas alianças, pois no VT a  reconciliação exigia um sacrifício por ano de pecados e, no NT, a mesma reconciliação se opera por remissão, com um único sacrifício vitalício cuja eficácia pessoal exige fé não fingida em Cristo Jesus e sua obra e arrependimento de pecados, pois "com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados", de modo que "onde há remissão destes, já não há oferta pelo pecado" (Hb 10:14 e 18). 

Sola gratia de fato significa que a salvação é por graça por meio da fé, todavia, essa é a nossa parte na salvação. A parte de Jesus é julgar se essa fé é viva - evidenciada por obras de um legítimo pequeno Cristo - ou se é uma fé fingida e morta, fruto de uma crença em Cristo como sendo um servo do Ego em vez de Senhor dele. 

Um servo não paga a vida de seu senhor, mas sim o inverso, logo, quem quer ser salvo por Cristo precisa se voluntariar a ser seu servo, sem o que o resgate dele se torna inócuo. O servo, por sua vez, faz a vontade de seu senhor e não a própria. Muda de mente quanto ao certo e errado e enquadra seus atos à obediência de seu senhor. 


domingo, janeiro 17, 2021

DE PORTAS FECHADAS

No sermão do monte JESUS ensinou seus discípulos sobre a oração (Mt 6:5-15) repreendendo um modelo então vigente e indicando um modelo segundo o seu ensino.

O modelo repreendido é caracterizado por uma oração pública teatralizada e que repete necessidades humanas na esperança de recebê-las pelo esforço repetitivo. A recompensa desse tipo de oração é unicamente o reconhecimento dos que assistem a performance teatral, sem nada receber de Deus.

No modelo celestial JESUS apontou um quarto de portas fechadas, mesmo que Ele orasse em montes ou jardins. Creio que isso se relaciona com Cantares 5:2-5, onde o Amado bate à porta do quarto da Noiva. JESUS diz aos discípulos que eles deveriam orar ao Pai em secreto e que o Pai em secreto iria  recompensá-los. 

Creio que a recompensa de quem clama ao Pai no quarto secreto é ser revestido do Noivo. Isso é reforçado pelo fato de que nesse tipo de oração (privada) não devemos nos deter em declinar nossas necessidades já conhecidas de antemão pelo Pai, mas somente pedir por aquele que nos basta, o Noivo.

É por isso que devemos iniciar proclamando a santidade do nome do SENHOR, que é o nome de seu filho, JESUS, e pedindo o reino que acompanha o Rei onde Ele vai, pois é Rei dos reis. Se vem a Terra, aqui deve-se fazer sua vontade, pois o príncipe desse mundo lhe é sujeito. 

É tão verdadeiro que JESUS é a recompensa dessa oração de portas fechadas, que dos quatro pedidos dessa oração, dois são para que venha JESUS - venha o Reino e dá-nos o Pão do Céu -, e outros dois pedidos dele dependem, que é o perdão segundo alguém mortificado e a defesa contra o mal, que depende de estarmos nkele. 

Por isso, o que JESUS nos ensina no sermão do monte quanto a oração é que deve ser uma comunhão íntima com Ele, que é tudo o que precisamos e fonte de toda suficiência e recompensa. 

sexta-feira, janeiro 15, 2021

EXPLICANDO A PREDESTINAÇÃO

Olhe para o Sol. Você está olhando o passado, pois a porção de luz visível que inunda a sua retina e que você percebe em seu cérebro foi gerada oito minutos antes em nossa estrela. 

Deus é onipresente e seus olhos estão em todo lugar, mas não só em todos os lugares da Terra, mas em tudo, e isso para além do universo visível.  

Digamos que Deus resolva observá-lo a partir do Sol no momento em que você tem nas mãos uma paleta de 12 cores e esteja prestes a fazer a escolha por uma das cores.

Todavia, Deus também está ao seu lado na Terra no exato momento em que você faz a escolha pela cor vermelha, deixando as outras 11 cores para trás. A mente do SENHOR registra a sua escolha e imediatamente isso é compartilhado no ponto de observação no Sol, onde o registro luminoso da sua escolha só chegará 8 minutos depois. 

Portanto, a partir do ponto de observação no Sol, Deus saberia 8 minutos antes o resultado da sua escolha, podendo Ele predizer a cor que você escolheria, sem que isso representasse intromissão na sua escolha.

Agora distancie esse ponto de observação mais um pouco. Vá até 100 anos luz. Isso significa que Deus poderia predizer todas as suas escolhas antes mesmo que você existisse. 

E mais, Ele conheceria de antemão todos os seus passos e a sua escolha em aceitar o governo do seu Cristo, podendo determinar de antemão que todos os seus pecados (escolhas erradas) fossem apagados e que todas as promessas de benção para você fossem confirmadas ao longo de sua vida, livrando-o de todos os males e castigando-o quando você precisasse de disciplina. 

Distancie esse ponto de observação mais um pouco. Vá até 13 bilhões de anos luz na gênese do Universo. Deus poderia predizer todas as escolhas de todos os seres conscientes que Ele viria a gerar em todos os cantos do Universo, antes mesmo que esse existisse.

Isso é predestinação. É o saber antecipado da escolha livre e consciente que cada um fará. 

Deus nos conheceu antes que existíssemos e por isso nos predestinou para sermos conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou (Rm 8:29-30).

É por isso que Jesus disse que todo aquele que o Pai lhe desse, viria até Ele (Jo 6:37). 

Todo aquele que trilhará o caminho estreito, que passará pela porta estreita e que alcançará descanso para sua alma já foi conhecido, predestinado, chamado, justificado e já está assentado com Cristo nas regiões celestiais. Do mesmo modo, todo aquele que rejeitou seu chamado já está a ranger os dentes na perdição eterna. 

O que define esta predição é a sua escolha e a de mais ninguém. Deus não escolhe por você, pois a escolha dEle foi se doar por você. Escolha a Vida!

quinta-feira, janeiro 07, 2021

PORTAIS

 Muito se fala de portais ou "buracos de minhoca" que seriam passagens que conectam dois distantes locais separados pelo espaço-tempo. 


Essa ideia de portais talvez seja fruto de uma percepção humana ainda obscura sobre o sobrenatural que nos cerca.


Creio que a Palavra de Deus tem um modelo celestial das coisas terrenas e talvez não seja sem razão que o primogênito dentre os irmãos, o Deus encarnado, diz "Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens" (Jo 10:9).


Deus é espírito e considerando que Ele tomou para si um corpo humano e terreno para viver entre nós, ao voltar ao Céu dos céus Ele teve que dotar este corpo humano de uma imortalidade e uma incorruptibilidade para quê pudesse ascender com esse corpo. Ou seja, considerando que há corpo espiritual, assim como há corpo natural (pois este foi feito à imagem daquele), o SENHOR transformou seu corpo natural em um corpo espiritual na ressurreição, passando pela porta em seu espírito, rumo ao Céu dos céus.


O Criador semeou no planeta Terra o corpo do primeiro Adão, que se tornou corruptivel e mortal. Depois de um tempo veio colher um corpo incorruptível, o segundo Adão.


Sendo feitos a imagem do Criador, creio que cada um de nós tem no espírito um portal, e Jesus está do lado de lá desta portal, batendo para entrar e santificar nossa alma e nosso corpo, depois transformá-lo na ressurreição ou no arrebatamento, para então nos conduzir de volta por esta porta rumo ao Céu dos céus.


Para aqueles que recusarem abrir a porta à Jesus, essa mesma porta se alargará, conduzindo o homem a perdição. 


Vamos escancarar o portal para a dimensão celeste, chamá-Lo a entrar e, depois de transformados, sigamos com Ele por esse portal ao Paraíso.

terça-feira, janeiro 05, 2021

JESUS, o nome de YHWH

O nome próprio nos distingue uns dos outros, pois somos bilhões e sem um nome seria impossível nos individualizar.


O Universo, por ser o único que conhecemos, dispensa um nome próprio. 


Quando YHWH se encontrou com Moisés no Monte Horebe, o Eterno se apresentou como um fogo que queimava um arbusto sem o consumir. 


A comunicação do Eterno com a vida inteligente que ele gerou não está limitada ao que é verbal e menos ainda a um determinado idioma. 


Idiomas servem de limites (Gn 11:6-9) e YHWH não conhece limite algum, pois Ele é onipotente e ninguém há acima dEle que lhe possa impor limites, logo, a linguagem do Criador não é idiomática, mas numeral e simbólica. 


Isso não significa que Deus não possa usar o idioma. Ele pode todas as coisas e usou o idioma para falar com os profetas e também para falar com os discípulos, uma vez encarnado em Cristo. 


Ao queimar um arbusto sem o consumir, o Eterno se apresentou a Moisés e a nós de forma há muito nos dizer sobre Si mesmo. Ainda assim o Eterno usou da comunicação verbal para complementar sua apresentação, dizendo que ele era o Elohim de Abraão, Isaque e Jacó. Elohim é o plural adjetivo de Eloah, que significa elevadíssimo, excelentíssimo e que é traduzido do hebraico antigo como "deuses".


Portanto, primeiramente o Eterno fala sobre si mesmo dizendo muito com o símbolo da sarça ardente e, sabendo das limitações de Moisés, desce o discurso para se apresentar da forma como seria entendido, dizendo que Ele era o "deuses" adorado pelo pai e demais ancestrais de Moisés. 


Interessante observar que aquele que é o Deus Triuno se apresenta se dizendo Deus três vezes: "Deus de Abraão, Deus de Isaque e Deus de Jacó" (Ex 3:6).


Moisés entendeu, mas sabia que os hebreus viviam há 400 anos entre os deuses pagãos dos egípcios, cada um com seu nome próprio, por isso Moisés perguntou sobre o nome próprio com qual ele poderia referir-se ao Eterno (Ex 3:13). 


YHWH disse a Moisés que Ele era o Eu Sou, ou seja, negou-se a lhe dizer um nome próprio como tinham os deuses egípcios Amon-Rá, Tot,  Sekhmet ou Osíris. Se cada deus desse recebia um nome próprio que apontava para uma característica marcante, YHWH só poderia receber como um suposto nome próprio uma designação que sinalizava o que Ele é: Tudo em todos (I Co 15:28), por isso dizer de Si mesmo que Ele é o que é, ou seja, Eu Sou o que Sou (Ex 3:14).


É por isso que daí por diante o Eterno é referido por seu povo com um conjunto de quatro letras (YHWH) que indica este Ser Pré-Existente, cuja transliteração do hebraico antigo e a suposta pronúncia no português seria Iavé. 


Referimo-nos a Ele, no entanto, como Deus (iniciado em maiúscula), Senhor, Eterno ou Criador, justamente porque inexiste um "nome próprio" propriamente dito. 


Isto foi assim do tempo de Moisés, até que o Eterno resolveu esvaziar-se de sua glória e vir a Terra encarnado, quando determinou ao anjo Gabriel que comunicasse a virgem na qual o corpo do Eterno seria concebido e gestado que, enquanto homem, Ele deveria se chamar JESUS,  que significa salvador.


Quem viu a Jesus, viu o que do Eterno se pode ver (Jo 14:9), logo, se ambos são Um (Jo 10:30), então o nome próprio do Filho é o nome do Pai. É por isso que Jesus questiona seus discípulos perguntando "quem vocês dizem que Eu Sou"? (Mc 8:29), trazendo a si o mesmo "nome" que o Eterno reivindicou perante Moisés. 


Portanto, como o Filho revela o Pai, a partir dEle o nome próprio da divindade verdadeira é JESUS (salvador) e é esse o "nome sobre todo nome" (Fp 2:9), que toda língua confessará e debaixo do qual todo joelho se dobrará (Rm 14:11).


Quando Jesus ensinou seus discípulos a orar, Ele disse que deveríamos nos dirigir ao Eterno que habita o Céu dos céus sem chamá-Lo pelo nome (como faria um estranho), mas sim chamando-O de Pai e, já na sequência, passando a proclamar a santidade do Nome do SENHOR, que como vimos, é JESUS.


É por isso que eu oro, como nos foi ensinado, dizendo assim:


"Pai, santificado seja Jesus Cristo, o nome dAquele em cujo Corpo eu estou. Venha teu governo sobre mim para que meus atos confirmem esta santidade proclamada do Corpo do Filho e que a vontade dEle, que o Rei dos reis, tome a Terra, como já tomou o Céu dos céus, desde que Ele entrou pelos Portais Eternos e se sentou a tua direita no Trono do Universo. Vem nutrir meu espírito com a revelação da Palavra dEle, que é Pão do Céu, e me perdoa hoje, como até hoje tenho perdoado os que me ofendem. Impeça-me, com o que for necessário, de pecar segundo as tentações de minha própria cobiça e me livra do inimigo e suas obras. Amém". 










sexta-feira, janeiro 20, 2017

PORQUE JESUS NÃO CASOU?




Algumas pessoas se perguntam porque Jesus de Nazaré, o Cristo, não se casou. Elas deveriam se perguntar, na verdade, porque Ele não se casou ainda, ou seja, considerando que Cristo ressuscitou, que Ele vive e que voltará, Ele ainda poderá se casar!

É exatamente isto que diz o livro do Apocalipse, ao mencionar quanto à volta de Cristo que “vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos” (Ap 19:7,8).

Diz a Bíblia, portanto, que Cristo é noivo e tem contratado – como na cultura judaica da época de sua encarnação – um casamento com sua noiva. E quem é esta Noiva de Cristo? A resposta requer uma breve reflexão a partir de várias passagens das Escrituras. Certa vez um saduceu, que não cria em ressureição, perguntou o seguinte a Jesus:

– “Mestre, Moisés nos escreveu que, se morresse o irmão de alguém, e deixasse a mulher e não deixasse filhos, seu irmão deveria tomar a mulher dele e suscitar descendência a seu irmão. Ora, havia sete irmãos, e o primeiro tomou a mulher, e morreu sem deixar descendência; e o segundo também a tomou e morreu, e nem este deixou descendência; e o terceiro da mesma maneira. E tomaram-na os sete, sem, contudo, terem deixado descendência. Finalmente, depois de todos, morreu também a mulher. Na ressurreição, pois, quando ressuscitarem, de qual destes será a mulher? Porque os sete a tiveram por mulher” (Mc 12:19-23).

O saduceu se referia à Lei do Levirato, comunicada por Moisés ao povo hebreu 1500 anos antes:
“Quando irmãos morarem juntos, e um deles morrer, e não tiver filho, então a mulher do falecido não se casará com homem estranho, de fora; seu cunhado estará com ela, e a receberá por mulher, e fará a obrigação de cunhado para com ela. E o primogênito que ela lhe der será sucessor do nome do seu irmão falecido, para que o seu nome não se apague em Israel” (Dt 25:5,6).

O saduceu, na verdade, não tinha dúvida alguma e não vinha em busca de conhecimento; ele apenas criara um dilema para que Cristo admitisse que não havia ressureição. Cristo lhe respondeu assim:

– “Errais vós em razão de não saberdes as Escrituras nem o poder de Deus? Porquanto, quando ressuscitarem dentre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento, mas serão como os anjos que estão nos céus” (Mc 12:24-25).

Portanto, Jesus corrigiu o saduceu dizendo claramente que haveria ressureição, mas indicou que a condição de cada um de nós após a ressureição não seria mesma de antes, ou seja, ressuscitamos, mas não para sermos os mesmos. Cristo disse que a ressureição do corpo haveria para nos tornar seres semelhantes a anjos, ou seja, que não se casam (aliança com um ser do sexo oposto) e nem se dão em casamento (ter relações sexuais).

Isto na verdade é um tanto óbvio, pois seres perpétuos não tem necessidade de perpetuar sua espécie, logo, não há porque o nosso “corpo celeste” (I Co 15:40) ser dotado da capacidade de reproduzir. Jesus nos dá uma noção desta realidade ao ressuscitar, pois a narrativa dos fatos posteriores a ressureição que consta dos Evangelhos demonstra que pessoas próximas a Jesus não o reconheceram logo após a ressureição (Jo 21:4), a ponto de que Pedro “voltou-se para trás, e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus” (Jo 20:14).

Muito embora o corpo ressurreto fosse diferente do original, ele de alguma forma era o mesmo, pois Jesus chegou a mostrar ao apóstolo Tomé e aos demais as feridas dos cravos em suas mãos (Jo 25:27), todavia, era um corpo cuja face certamente diferia da anterior (já que várias vezes não foi reconhecido de imediato) e que tinha faculdades sobrenaturais que desconhecemos, como o poder de ir e vir transcendendo barreiras de tempo e espaço (Jo 25:26, 21:4).

Portanto, o Jesus que se casará com sua Noiva não é o Jesus esvaziado de si mesmo, em forma de servo (humana), que se faz semelhante aos homens (Fp 2:7-8) e que fora o Jesus pré-ressureição. Também não será o Jesus com mera aparência angelical, visto nas aparições terrenas após a ressureição, mas será o Jesus Celestial, o Rei dos reis e Senhor dos senhores (I Tm 6:15, Ap 19:16) que foi entronizado após subir ao Terceiro Céu (I Pe 3:22), cuja “cabeça e cabelos são brancos como lã branca, como a neve, e os olhos como chama de fogo; cujos pés são semelhantes a latão reluzente, como se refinados numa fornalha, e a voz é como a voz de muitas águas” (Ap 1:14,15) e que aguarda o momento de voltar triunfante a Terra (I Ts 5:23) para tomar sua Noiva em casamento e instituir com ela um reino de mil anos sobre a Terra (Ap 20:6).

Logo, quando as Escrituras mencionam as bodas de Jesus, está se referindo à parte imaterial deste casamento, ou seja, a aliança com uma “ajudadora idônea” (Gn 2:20) para a construção de um projeto de vida comum. Em razão de Cristo ter glorificado o seu corpo (aparência angelical), não haverá neste matrimônio o “dar-se em casamento” (relações com vistas à perpetuação da espécie) e por isso mesmo a Noiva não é uma única pessoa, mas um Ser Coletivo a que denominamos “Igreja”.

É por isso que as Escrituras apontam para a conjunto das pessoas que recebeu o senhorio de Cristo como tendo algo em comum, uma assembleia (eclesia ou igreja). Esta assembleia foi mencionada como a Noiva de Cristo por João Batista (Jo 3:29), pelo próprio Jesus (Mc 2:19) e também pelo apóstolo João em sua visão na ilha de Patmos (Ap 19:7) e ao final é tomada pelo lugar onde viverá, ou seja, a Nova Jerusalém, razão pela qual João vislumbrou em sua visão “a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido” (Ap 21:2).

É certo, portanto, que Jesus Cristo voltará para desposar sua Igreja, honrando-a perante todos os demais habitantes da Terra e estabelecendo com ela um reino terreno milenial. Enquanto isso a Noiva se prepara para o casamento, mas não sendo vestida por suas ajudantes, como de costume, mas ataviando-se a si mesma, pois “foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos” (Ap 19:8).

Isto significa que a Noiva de Cristo (a Igreja) está, no tempo presente, preparando-se para este casamento e tal preparação consiste em manifestar na Terra a Justiça do Céu. Quanto mais a Igreja manifesta a Justiça do Reino, mas bela e enfeitada fica aos olhos de seu Esposo, o Rei Jesus.

E que Justiça é essa? Bem, o tema sobre a Justiça do Reino de Deus é muito amplo, mas resumidamente significa manifestar em atitudes o que é certo segundo os valores do Céu, valores estes que deveriam estar governando a Terra, se nela não houvesse um usurpador, que é o inimigo de Deus (Lúcifer). Esta Justiça já foi sombreada, foi delineada previamente na Lei de Moisés, mas hoje, após o advento de Cristo, ela não é mais uma “justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo” (Fp 3:9) e esta “lei se cumpre numa só palavra: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Gl 5:14).

Um último aspecto que precisa ser referido sobre a Noiva de Cristo é que assim como há sobre a Terra uma Noiva verdadeira, há uma que é falsa e que quer se fazer como verdadeira. Trata-se da “mulher assentada sobre uma besta de cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e tinha sete cabeças e dez chifres”, ela “estava vestida de púrpura e de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas; e tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua fornicação e na sua testa estava escrito o nome: Mistério, a grande babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra” (Ap 17:3-5). Esta falsa noiva é, sem dúvida, a Religião ou a religiosidade terrena.  

Assim como há Terra um movimento legítimo de trazer do Céu a vontade de Deus para a nós governar, há, também, um movimento que externamente em muito se parece com o primeiro, mas que consiste em soberbamente levar a vontade da Terra para ser feita no Céu. Este último movimento, há muito inaugurado por Ninrode na antiga Babel, avançou ao longo dos séculos, persiste até hoje é só será derrotado no final, como narrado no capítulo 19 do livro do Apocalipse.

Esta falsa religião é marcada pela iconoclastia (veneração de ídolos e personalidades), pela troca de bênçãos por falsa adoração – como Lúcifer propôs a Jesus no deserto (Mt 4:9) – por um acentuado “cambismo” (relação de comércio entre a Terra e o Céu) e pelo assassinato de toda e qualquer verdadeira voz profética que se levante para denunciar esta prostituição espiritual, como fez a rainha Jezabel (I Rs 19:1).

Sempre que alguém se levanta para denunciar que (falsos) líderes cristãos estão ensinando ao povo os “dez passos para ser abençoado”, ou coisa semelhante que implique numa visão de troca de benção por devoção, tais líderes condenam à morte a reputação desta voz profética, tendo-a por rebelde.

Porém, é certo que assim como Jeú veio cavalgando contra Jezabel e a atropelou para que fosse comida pelos cães (2 Rs 9:33), no fim virá o Rei Jesus cavalgando contra esta falsa rainha que a si mesmo se chama “igreja” (Ap 19:11), e a derrotará com a espada que sai de sua boca (Palavra de Deus), “a fim de que aves se fartaram de suas carnes” (Ap 19:21).

Assim é que há sobre a Terra hoje o falso e o verdadeiro, o Trigo e o Joio, a Noiva e a Grande Prostituta, a Nova Jerusalém e a Grande Babilônia, e só a intimidade com Deus na pessoa de seu Espírito Santo nos livrará de errar o alvo e seguir o que é falso. Que possamos, dia a dia, amar verdadeiramente ao próximo como a si mesmo, com toda a renúncia que isto implica, para que implantemos na Terra a Justiça do Céu e assim nos preparemos para encontrar o Noivo em sua vinda, com nossas lâmpadas cheias de azeite (Mt 25:4).  

Boa Sorte!


domingo, fevereiro 14, 2016

BABEL

Jesus Cristo ensinou as doutrinas do Reino dos Céus aos seus discípulos com o uso de linguagem figurada, mas especificamente a parábola (Mc 4:2). Já o Espírito Santo, que o Pai nos enviou em nome de Jesus para nos ensinar todas as coisas (Jo 14:26), segue o mesmo princípio didático, ou seja, foge da interpretação meramente literal – uma vez que a letra mata (II Co 3:6) – e usa a narrativa bíblica para ensinar, redarguir, corrigir e instruir no que é certo, uma vez que as Escrituras são divinamente inspiradas para isso mesmo (2 Tm 3:16).

É por isso que na Bíblia um rio que se abre para o povo passar nunca é apenas um rio, uma machado que flutua nunca é apenas um machado e um peixe que engole um homem por três dias nunca é apenas um peixe, pois cada substantivo e cada verbo apontam para o ensino de uma doutrina específica que nos é ensinada diretamente no espírito pelo professor Espírito Santo.

Debaixo desta convicção eu peço a sua atenção para a Torre de Babel, que está no capítulo onze do livro de Gênesis. O que esta torre nos diz?

Quando Noé e seus sete familiares saem da arca, Deus lhes determina que se multipliquem e que povoem as terras ao redor (Gn 9:7) e, como aquela geração havia testemunhado a quase extinção do gênero humano em decorrência do pecado (Gn 6:7), obviamente saíram da arca com um temor paralisante. Para que os homens pudesse reocupar o território sem medo de um novo dilúvio, Deus promete que não destruiria mais a raça humana pelas águas do dilúvio (Gn 9:11).

Em seguida Noé toma um porre de vinho e fica nu dentro de sua tenda, o que aponta para a fraqueza moral de um homem que fora de casa é um libertador, mas dentro de casa tem suas vergonhas expostas. Dois dos filhos de Noé (Sem e Jafé) cobrem o erro do pai com uma capa e evitam o escândalo, mas o seu terceiro filho, Cão, expõe a nudez de seu pai e zomba dela.

Jesus disse que “é preciso que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem vem o escândalo!” (Mt 18:7). Este entendimento parte do pressuposto de que todos erram e que ninguém tem o direito de zombar e expor os erros dos outros. Cão foi amaldiçoado por seu pai Noé (Gn 9:25), de modo que a sua descendência (os cananeus) seria serva da descendência de seus irmãos (povos semitas e jafonitas).

Este é o contexto no qual a Torre de Babel é edificada.

Pois bem, Cão teve quatro filhos, dos quais Cuxe fora o primogênito. Cuxe, por sua vez, teve como primogênito a Ninrode, que era então o herdeiro da maldição de seu bisavó Noé. Não se trata, aqui, de fazer um julgamento moral se Noé deveria ou não ter amaldiçoado seu filho que errou, pois os personagens bíblicos não são, todos, modelos de comportamento, apenas Cristo é o modelo.

Ninrode fora um homem muito poderoso (Gn 10:8) e seu reino abrangia as cidades de “Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinar”, de onde ele saiu para conquistar Nínive, na Assíria, terra que originalmente pertencia à descendência de Sem e não de Cão (Gn 10:10-11). A figura de Ninrode é associada à de um conquistador, um guerreiro e um homem valente, que sobrepujava homens e feras, caçando-os e reduzindo-os à servidão, tendo sido ele o primeiro escravagista mencionado na Bíblia.

O nome Ninrode significa “rebelde” e o historiador Flávio Josefo o descreve como um líder que pregava aos seus liderados “que a única maneira de afastar os homens do temor a Deus era fazê-los continuamente dependentes do seu próprio poder. Ele ameaçou vingar-se de Deus, se Este quisesse novamente inundar a terra; porque construiria uma torre mais alta do que poderia ser atingida pela água e vingaria a destruição dos seus antepassados" (Jewish Antiquities I, 114, 115)”.

Este personagem aponta, portanto, para um líder religioso rebelde, que não cria na promessa que Deus fizera de não mais destruir a raça humana pelo dilúvio. Ele se rebelou contra a ordem que Deus dera de avançar sobre a terra e ocupá-la, antes, ele voltou para terras já ocupadas pelos antepassados de seus pais e lá competiu com eles pelo território, aprisionando-os e dominando sobre eles.

Com seu reino unificado e recebendo tributos das terras conquistadas Ninrode constrói uma grande torre em sua cidade-sede, Babel. Deus havia determinado que os homens se espalhassem e certamente estaria com eles, guiando-os, onde quer que fossem. Ninrode usurpa esta função, fazendo-se único representante de Deus e obrigando a todos os demais a fazer a “obra” de Deus segundo a sua particular visão, ou seja, chegar ao Céu através de uma estrutura de tijolos e betume.

O interessante é que num mundo antigo onde as estruturas mais proeminentes eram construídas com pedra, Ninrode usou o barro, razão pela qual a Bíblia diz que “foi-lhes o tijolo por pedra, e o betume por cal” (Gn 11:3). Você já entendeu o sentido alegórico, ou seja, Ninrode usava o barro – que aponta para o homem – para construir um caminho para o Céu, de modo que o homem se torna apenas um instrumento para levar a vontade do verdadeiro rebelde da Terra até o Céu.

Enquanto no modelo cristão somos ensinados por Jesus a pedir ao Pai que venha o Reino dos Céus para a Terra, e que se faça na Terra a vontade do Deus do Céu (Mt 6:10), no modelo de Babel a ideia é inversa, ou seja, que vá o Reino da Terra aos Céus para que nos Céus se faça a vontade dos homens da Terra.

A narrativa da Torre de Babel se presta a nos ensinar um modelo que deve ser evitado a qualquer custo por todos os que são chamados a servir e conduzir o povo de Deus na Terra. As Escrituras nos mostram que quando o coração do povo está longe de Deus, Ele permitirá que os tais sejam cativos de Babilônica (II Rs 25 e I Cr 9:1), de lá só retornando quando entenderem amargamente (Sl 137:1) a importância de reedificar a Casa de Deus (Ed 2:68), que é o nosso templo interior (I Co 3:16).

Babilônia é um modelo religioso em que o “líder” se torna “poderoso na terra”, conquista novos lugares, dominar sobre ovelhas que deveriam ser pastoreadas, tudo para reduzi-las à condição de escravos que edificam a estrutura central, sob o falso argumento de que estão sendo servidas pelo “líder” e de que se obedecerem estarão cumprindo o seu lugar na estrutura.

A palavra de Deus para os que estão sob este controle é “saí do meio dela, ó povo meu” (Jr 51:45), pois as suas chagas não podem ser curadas (Na 3:19) e ela será abatida repentinamente (Ap 18:10).

Se Você acha que sair de Babilônia é deixar para trás o cajado de alguma liderança iludida por este modelo, sinto em dizer que pode ser bem mais complicado do que isso. Sair de Babilônia é, em primeiro lugar, tirá-la de dentro de Você e isto se faz com entendimento sobre os modelos Cristão e Babilônico, o que evita que pereçamos (Os 4:6).

A segunda coisa é não reduzir a nada o que Deus usou até aqui para te levar ao conhecimento dEle e para te guardar. Não é assim. Sadraque, Mesaque e Abednego eram crentes fiéis e prosperaram em Babilônia (Dn 3:30), aliás, enquanto o povo lá permaneceu, por sessenta e seis anos, três imperadores se sucederam e Daniel foi primeiro ministro de todos eles!  

É certo que o Reino de Deus vai sobrepujar ao Reino da Babilônia, mas o Reino de Deus não vem com visível aparência, ao contrário, ele está dentro de nós (Lc 17:20-21), portanto, quando fomos governados por “justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17), aí saberemos que o Reino de Deus está em nós, que nos pegou por dentro e que saímos de Babilônia, ainda que estejamos cercados por ela. Nesta condição podemos até governar em meio a Babilônia, tudo para que se cumpra o propósito de que a Casa de Deus seja, enfim, restaurada.

Feliz jornada de volta à Jerusalém!






segunda-feira, março 07, 2011

Entendes tu o que lês?

A Bíblia não é literatura comum. Não é texto, não é ciência, não é arte, não é filosofia e, ao mesmo tempo, é tudo isso e muito mais.
Quer entender a Bíblia? Você precisa de um guia. Uma passagem no livro de Atos (cap. 8) nos ensina este princípio. O relato conta que o Primeiro Ministro da dinastia etíope de Candace estava voltando de Jerusalém para o seu país, por volta do ano 37, vindo de uma peregrinação para adorar no Grande Templo construído por Herodes.
O ministro era conduzido no seu carro de tração animal e lia um papiro com o livro do profeta Isaías, quando um evangelista de nome Felipe se aproximou do carro e lhe perguntou:
– Entendes tu o que lês? Ao quê o nobre homem respondeu com outra pergunta:
– Como poderei entender se alguém não me explicar?
Então, Felipe subiu ao carro daquele distinto governante e passou a lhe expor sobre o tema central que permeia as Escrituras, ou seja, Jesus Cristo. Ao final da exposição o segundo homem mais importante de seu império pediu a Felipe que o batizasse. Aquele homem que em seu reino estava abaixo apenas da Rainha de Candace voltou com sua comitiva para seu reino tendo dado o testemunho de que o seu Senhor supremo era Jesus de Nazaré.
Isto só foi possível com o emprego de dois elementos indispensáveis que são: (1) um homem com fome e sede de Deus, disposto a adorar mesmo sem entender exatamente o que o levava a Deus e (2) um segundo homem cheio do Espírito Santo e de sabedoria (At 6:5) que obedeceu ao comando de Deus e se dispôs a ser canal para a revelação da Palavra.
Esta passagem nos mostra que se fosse possível conhecer a Deus por esforço próprio, o Primeiro Ministro etíope o teria feito. Aquele homem detinha todos os recursos da época, tanto assim que antes da prensa de Gutemberg, quando os escritos eram reproduzidos um a um por escribas (um trabalho complexo, demorado e caro), o etíope já tinha uma cópia do livro do profeta Isaías, e , ademais, tinha condições de peregrinar a Israel para a adoração no Templo, uma viagem por centenas de quilômetros em tração animal, passando pelo calor dos desertos.
Todos estes recursos não eram suficientes para trazer convicção ao coração daquele eunuco etíope, pois somente a revelação das Escrituras, possibilitada por um homem dotado do dom de sabedoria celestial e cheio do Espírito Santo poderia tornar o anseio daquele coração em profunda convicção, tanto que ele recobrou de Felipe que ele o batizasse imediatamente.
Outras duas passagens nos mostram que o dinheiro, o poder, a fama e o reconhecimento não podem revelar a um homem o que Deus tem para ele, pois isto só é revelado por quem detém a sabedoria celestial e é cheio do Espírito Santo.
Em Gn 41 vemos que o Faraó do Egito recebeu de Deus uma palavra de conhecimento, por meio de sonhos, sobre um período de sete anos de seca que adviria nos próximos anos e que poderia ter acabado mais cedo com o Império Egípcio, caso não houvesse um homem de Deus, José, em quem repousava o Espírito Santo, que era cheio de sabedoria espiritual (Gn 41:38-39) e que revelou ao Faraó o significado dos sonhos que este tivera.
No capítulo 2 do livro do profeta Daniel vemos que Deus também concedeu igual palavra de conhecimento por meio de sonhos ao Imperador Nabucodonosor, mostrando-lhe todos os reinados humanos que haveria dali por diante, sob um ótica da degradação da autoridade, e o imperador também não teria compreendido o sentido da visão se não houvesse junto dele um homem de Deus, Daniel, em quem também repousava o Espírito Santo (Dn 4:8) e que também era cheio de sabedoria espiritual (Dn 2:23).
Há, nestas duas passagens, frases que são reveladoras dos critérios de Deus no tocante à revelação das Escrituras Sagradas. Em Gn 40:8 é dito que “Porventura não pertencem a Deus as interpretações?” e em Dn 2:10-11 os magos caldeus, ao serem pressionados pelo Imperador quanto à interpretação dos sonhos disseram: “Não há mortal sobre a terra que possa revelar o que o rei exige”e “O que o rei exige é difícil e ninguém há que possa revelar diante do rei, senão os deuses, e estes não moram com os homens”.  
Tais passagens demonstram que compete a Deus e somente a Ele a interpretação das Escrituras Sagradas por Ele inspiradas. Todavia, como Deus deu a Terra aos homens (Sl 115:16) e como Ele nada faz na Terra sem comunicar aos seus profetas (Am 3:7), Ele conferiu a alguns homens o dom de sabedoria (I Co 12:8) para que, uma vez cheios do seu Espírito, interpretassem as Escrituras. Devemos lembrar que os Filhos de Deus são chamados de “deuses” (Sl 82:6), portanto, se somente os “deuses”podem revelar o que está oculto no que Deus diz, então sãos os seus filhos que hão de revelar Sua vontade, expressa em Sua Palavra.
Esta passagem nos mostra que a interpretação da Bíblia requer co-dependência do Espírito Santo, ou seja, é preciso que aquele que deseja revelação seja dependente do Espírito Santo, bem como aquele que auxilia este último na busca da revelação.
Para quem insiste em estudar a Bíblia apenas como um livro, por mera curiosidade ou duvidando em parte do caráter sobrenatural de seu Texto, a estes Deus reservou que permaneçam sempre confusos a respeito da Palavra (I Co 1:18-31), pois como o mundo não conheceu a Deus através do conhecimento, resolveu Deus se fazer conhecido por uma mensagem que para a maioria é loucura, qual seja, a “loucura da pregação”(I Co 1:21).
Se não fosse trágico seria engraçado ver algumas pessoas bem preparadas intelectualmente “tateando” quando o assunto é Bíblia. Normalmente iniciam dizendo que a Bíblia é um conjunto de livros dos quais já se perderam os originais e que elas foram alteradas ao longo dos séculos por quem detinha interesse em dadas interpretações e que por isso não podemos interpretá-la literalmente, etc, etc e tal.
Ignoram que se Deus não deixou rastro sobre a fidedignidade de sua palavra é justamente para que o crédito à Palavra não se apoiasse no conhecimento histórico, mas para que a certeza sobre o que nela está escrito se apoiasse no que não se vê, porque “a fé é a certeza das coisas que se esperam e a convicção de fatos que não se vêem” (Hb 11:1) e porque assim o homem faria o caminho inverso feito no Édem, ou seja, sacrificaria o “conhecimento”em prol da obediência cega.
Que o Espírito Santo continue seu ministério de nos ensinar todas as coisas (Jo 14:26), incluídas aí as revelações de sua Palavra e, através disso, de nos convencer de nossas condutas equivocadas, do que é certo para nossas vidas e, por conseguinte, do Juízo que um dia advirá ao mundo (Jo 16:8) e do qual temos a esperança de sermos poupados pela remissão da morte sacrificial de Jesus Cristo.