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segunda-feira, novembro 13, 2023

POSSO EXIGIR DESCULPAS COMO CONDIÇÃO PARA PERDOAR?

O cristão deveria condicionar o perdão ao pedido de desculpas daquele que lhe ofendeu?

De um lado, Jesus nos manda perdoar como somos perdoados e, como se sabe, ninguém é perdoado sem demonstrar a Deus a sua culpa. 

Confessar os pecados é uma forma de demostrar a culpa, assim como pedir o perdão ao SENHOR ou aceitar o seu senhorio e a sua salvação, porque ao aceitar alguém que mande em mim eu admito o caminho superior desse governante e ao aceitar um salvador eu aceito o fato de que estou perdido. 

A expiação se consumou num dado dia e hora, há mais de dois mil anos, quando estava encarnado aquele que se fez expiação. Já o perdão se consuma quando está encarnado aquele que é perdoado, quer ele tenha vivido antes ou depois da expiação. Davi e o ladrão da cruz, assim como eu e você, somos beneficiados com a expiação ocorrida na cruz, porém, cada qual é perdoado no momento em que demonstra ao SENHOR a sua culpa. 

Por isso, se a demonstração da culpa é uma condição para eu ser perdoado e se eu devo perdoar como sou perdoado, então aquele que me ofendeu deveria demonstrar sua culpa para que eu também o perdoe. Isso não muda o fato de que devo falar bem dele e fazer-lhe o bem, pois até aos inimigos devo amar, mas o perdão estaria condicionado à demostração de culpa. 

Isso seria assim, não fosse o fato de que eu mesmo sou pecador. 

É que eu perdoo porque fui perdoado, enquanto Deus perdoa por uma razão bem diferente: porque Ele é bom. 

Quando eu demonstro a minha culpa eu admito a inferioridade do meu padrão moral em relação a Deus. Isso é imprescindível para legitimar o seu governo sobre mim e a santidade da sua oferta para expiar a minha culpa. Porém, quando alguém demonstra a sua culpa por ter me ofendido, isso não significa que o meu padrão moral seja superior ao dessa pessoa. Ao contrário, o padrão moral do ofendido e do ofensor são igualmente decaídos. 

Dito de outro modo, Deus não precisava me perdoar, mas perdoou, já eu preciso perdoar, pois mesmo não merecendo o perdão eu o recebi, de modo que fico devedor, a Deus, desse mesmo perdão aos que me ofenderam. 

Se esta lógica espiritual não bastasse, ainda assim teríamos as palavras de Jesus, que disse, "quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas" (Marcos‬ ‭11:25‬).

terça-feira, julho 04, 2023

SANTIDADE HUMANA

Santidade é o resultado da potência e predominância da Vida do Espírito naquele que é nascido de novo. 

Não há quem não peque (1 Rs 8:46 e Ec 7:20), porém, há pecados do crente que não trazem acusação ao seu coração (1 Jo 3:20), seja porque tais pecados são ocultos àquele que os comete (Sl 19:12-13), seja porque já tem a consciência cauterizada (1 Tm 4:2) e é incapaz de se arrepender (Hb 6:6). 

O mal que fazemos nos acusa muito mais do que o bem que não fazemos (Rm 7:19) e, dentre aqueles, há pecados que acionam o mecanismo da culpa e os que não. 

Os pecados que não geram culpa normalmente são aqueles que praticamos à luz do dia, diante de todos e na certeza (equivocada) de que estamos certos. 

Exemplo disso é o apóstolo Pedro, que diante dos demais apóstolos repreendeu Jesus pra não ir à cruz achando que estava fazendo uma coisa boa (Mt 16:23) e, por outro lado, foi corroído pela culpa ao negar Jesus diante de ímpios e desconhecidos (Mt 26:74). O primeiro pecado foi praticado sem discernimento e, portanto, sem culpa. Já o segundo pecado foi praticado com uma culpa persistente. 

Entende errado quem acha que merece maior condenação o pecado que carrega consigo uma culpa angustiante. Assim como ocorreu com Pedro, o nosso Advogado (1 Jo 2:1 e MC 16:7) pode vir em nosso socorro com a nossa propiciação, pois a culpa demonstra que concordamos com a lei, que é boa (Rm 7:16), porém, aquele que peca sem culpa e sem discernir os próprios erros pode chegar no último dia com uma lista de realizações e ainda assim ouvir do SENHOR: "nunca vos conheci, apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade" (Mt 7:23).  

A única santidade humana isenta de pecado foi a de Jesus. Quanto aos demais irmãos, a santidade estará presente não pela ausência de pecado, mas pelo caminho trilhado em constante arrependimento por todos os pecados, inclusive os omissivos e aqueles que não são identificados ou compreendidos, mas são aceitos como pecados e levados aos pés da cruz. 

Por isso, aqueles que discernem os próprios erros, que andem agarrados à graça superabundante (I Co 9:14, Rm 5:20) pedindo perdão por todo pecado, ainda que pela septuagésima vez no mesmo dia (Mt 18:22). 

Já os que andam alheios à culpa - não porque não pequem, mas porque não discernem os próprios erros - que lhe suceda como a Paulo, que alcançou misericórdia e passou a ver depois que as escamas lhes caíram dos olhos (At 9:18), nem que pra isso tenha que cair do cavalo.