quarta-feira, agosto 21, 2024

CARROS DE GUERRA

CARROS DE GUERRA A Bíblia fala de carros de transporte, como aquele que levou (1 Sm 7:1) e trouxe (2 Sm 6:3) a arca da casa de Abinadabe, mas há também carros de guerra citados por toda a Bíblia. A infantaria (combatentes a pé) é a força terrestre mais antiga da história e, depois dela, a cavalaria, onde os combatentes ganham em altura, velocidade e força inercial por estarem montando cavalos. O carro de guerra, por sua vez, é a evolução e o aprimoramento do combatente montado a cavalo, pois em uma biga (carro de combate puxado por dois cavalos) dois soldados eram puxados numa plataforma equipada com escudo, cada qual atacando um flanco e servindo de defesa um ao outro. As trigas (puxado por três cavalos) e quadrigas (puxado por quatro cavalos) podiam puxar lanceiros e arqueiros, com um cocheiro dedicado à condução do carro de guerra. As chances de vitória eram exponencialmente maiores para o exército que possuísse mais carros de guerra, por isso, os reis e os seus exércitos ansiavam por poder combater em carros puxados por cavalos. Alguns comentários bíblicos descrevem o Salmo 20 como uma oração coletiva que serve como um prelúdio para uma batalha e, no versículo 7 é dito que “uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor nosso Deus”. O que a assembleia está dizendo ao rei é que a superioridade bélica está em ter consigo o Nome do Senhor (YHWH) e não em ter uma cavalaria maior e mais equipada. E nas guerras que nós travamos hoje, como a busca pelo sustento, a luta contra enfermidades, as disputas judiciais, o medo da morte, da violência e do roubo e a luta contra o pecado, em quê temos confiado? A nossa confiança está em “carros de guerra” que nos dão a superioridade que os olhos vem – como o dinheiro, os contratos, os medicamentos, as armas, os ferrolhos de ferro, o poder e os demais recursos humanos – ou a nossa confiança está em o Nome do Senhor? O último versículo do Salmo diz “ouça-nos o rei quando clamarmos”. Embora o rei nesse Salmo seja originalmente o Rei Davi, no versículo 6 ele é chamado de “ungido”, razão pela qual cremos que esse salmo faz uma correferência a Cristo, que é o nosso rei, sacerdote e general, que vai à nossa frente e luta as nossas guerras. Esse “Senhor dos Exércitos” nos diz que tudo quanto pedirmos em seu nome, isso Ele fará, a fim de que o Pai seja glorificado nEle (Jo 14:13-14). Por isso, nossa mente e corpo deve trabalhar para fabricar os “carros de guerra”, mas a nossa confiança não deve estar no fruto do nosso trabalho, mas sim em quem dirige o exército no qual nos arregimentamos. Não devemos andar ansiosos de coisa alguma, antes, em tudo devem ser conhecidas, diante de Deus, as nossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças (Fp 4:6), pois Jesus mesmo nos atenderá, para que o Pai seja glorificado nEle.

sexta-feira, junho 21, 2024

A MEDIDA EXTREMA CONTRA O PECADOR IMPENITENTE

Situações extremas requerem medidas extremas. Será que a Bíblia concorda com tal assertiva? Quando o assunto é pecado impenitente, a primeira carta aos coríntios nos mostra que sim, que há uma previsão bíblica para "medida extrema". Porém, essa medida extrema da Igreja é diferente de todas as outras medidas que o pecado requer e, portanto, antes de abordarmos que medida extrema é esta, precisamos considerar quais são as medidas corriqueiras, normais e ordinárias que devem ser tomadas quando o pecado alheio é descoberto. Em geral, quando alguém é descoberto no pecado, a Bíblia manda que o tal seja repreendido e essa repreensão não tem como objetivo a punição, a exposição ou a retratação pública, mas "ganhar o seu irmão" (Mt 18:15). Ora, só se ganha aquilo que está perdido. De fato, se alguém está na prática do pecado impenitente, este tal se perdeu. O único modo dele ser restituído no Corpo é pelo arrependimento, logo, o objetivo da repreensão progressiva que Jesus nos ensina no capítulo 18 de Mateus é suscitar arrependimento no pecador. Se o que queremos edificar é arrependimento no pecador, as palavras que lhe são dirigidas precisam visar essa específica edificação, por isso, da parte de quem repreende não deve haver qualquer "palavra torpe, mas sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem", até porque é a graça que conduz o pecador ao arrependimento (Rm 2:4) e não dá pra transmitir graça com palavreado agressivo. Essa repreensão deve primar por uma "linguagem sadia e irrepreensível, para que o adversário seja envergonhado, não tendo indignidade nenhuma que dizer a nosso respeito" (Tt 2:8) e, ademais, aquele que foi surpreendido nalguma falta deve ser corrigido com espírito de brandura por quem é espiritual, especialmente para que aquele que repreende não seja ele mesmo tentado a pecar por excessos na repreensão. É isso o que nos diz a carta aos gálatas: "Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado" (Gl 6:1) A repreensão é progressiva, ou seja, o confronto se dá primeiramente entre a vítima e o pecador, porém, se o pecador não se arrepender, uma segunda repreensão é feita com duas testemunhas e, por último, perante a igreja (Mt 18:15 a 17), "para que também os demais temam" (1 Tm 5:20). É aí que aparece a medida extrema da qual falávamos no início, pois se a repreensão não leva o pecador ao arrependimento, a medida extrema é a sua excomunhão, mencionada como “entregar a satanás”. É o que se vê das seguintes passagens bíblicas: E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano. (Mt 18:17) Eu, na verdade, ainda que ausente em pessoa, mas presente em espírito, já sentenciei, como se estivesse presente, que o autor de tal infâmia seja, em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor, entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor [Jesus]. (1 Co 5:3-5) Evita o homem faccioso, depois de admoestá-lo primeira e segunda vez, [11] pois sabes que tal pessoa está pervertida, e vive pecando, e por si mesma está condenada. (Tt 3:10-11) ‭Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais. (1 Co 5:11) ‭E dentre esses se contam Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para serem castigados, a fim de não mais blasfemarem. (1 Tm 1:20) Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles, (Rm 16:17) Como se sabe, satanás é o “deus deste mundo” (2 Co 4:4) e nós, por outro lado, não somos deste mundo (Jo 17:16), logo, entregar alguém a satanás é retirá-lo do Corpo de Cristo, excomungando-o e remetendo-o ao mundo, para ser governado pelo “deus deste século”. E não se diga que a Igreja não tem esta autoridade, pois a excomunhão, no caso de pecado impenitente, é bíblica e, ademais, o que ligarmos na terra, será ligado nos céus (Mt 18:18). Portanto, a medida extrema da Igreja, no caso de pecado impenitente, em especial no caso de pecado de líderes, não implica em flagrantes, exaltações, admoestações veementes e insistência para que o tal se arrependa, antes, a medida extrema implica em uma coisa só: a excomunhão, devolvendo, na autoridade do nome de Jesus, e pelo poder de ligar na terra e no Céu, o pecador impenitente ao mundo e à satanás. Ainda assim isso significa não tê-lo por inimigo (2 Ts 3:15), mas considera-lo como gentio e pecador, lembrando que o nosso papel é pregar o evangelho aos gentios e pecadores, porém, com uma diferença neste caso, pois o excomungado não é um gentio e pecador qualquer, mas alguém que outrora foi iluminado, tornou-se participante do Espírito Santo, provou do dom celestial, da boa Palavra de Deus e dos poderes do mundo vindouro e, contudo, caiu em pecado impenitente, resistindo deliberadamente à confissão, restituição e ao arrependimento (Hb 6:4). Neste caso, a Bíblia diz que é impossível renová-lo para o arrependimento, uma vez que para isso estaria crucificando para si mesmo o Filho de Deus e o expondo à desonra (Hb 6:6). Por isso, caso este excomungado compareça ao culto da igreja, deverá ser convidado a se retirar, pois o culto é para os membros do Corpo e para os que, visitando, aspirem essa condição, e não para quem, já tendo feito parte deste Corpo, foi excluído de forma justa. De igual modo, caso os anciãos que promoveram a excomunhão saibam que o excomungado busca comungar noutra congregação, tem estes o dever de alertar os anciãos desta outra congregação acerca da excomunhão e de seus motivos, isto para que o excomungado não se insira indevidamente no Corpo ou, caso se arrependa, para que os anciãos desta outra congregação possam cuidar de tomar-lhe os votos de sua restituição ao Corpo. Em suma, o excomungado estará entregue ao mundo, com todas as consequências espirituais que isso implica. Embora os olhos do SENHOR estejam “em toda parte, observando atentamente os maus e os bons” (Pv 15:3), os seus ouvidos estão “atentos ao clamor do justo” (Sl 34:15), logo, se a excomunhão bíblica de um pecador impenitente contar com a direção do Espírito Santo, é certo que esta tal jamais será ouvido como se fosse parte do Corpo novamente, salvo se obtiver arrependimento em tempo oportuno. Neste caso, ou seja, se o excomungado se arrepender verdadeiramente, deverá buscar o perdão do Corpo e a sua reinclusão nele, desde que tenha os meios para fazê-lo. Concluindo, a excomunhão não é um tema muito tratado, até porque as congregações funcionam, muitas vezes, mais como associações civis do que como Igreja do SENHOR, contudo, o pecado impenitente deve suscitar o procedimento formal da excomunhão, até para que os irmãos e demais líderes, sabendo exatamente o que fazer, evitem uma série de outras medidas não respaldadas biblicamente.

quarta-feira, março 27, 2024

É DELE TODO O TRABALHO

O primeiro passo de uma conversão é crer em YHWH e, isso, na pessoa de seu Enviado, Yeshua. Isso muda nosso Sistema de Crenças e altera nossas certezas. O segundo passo de uma conversão é conhecer a sua Justiça, expressa em sua Palavra. Isso muda o nosso Sistema de Valores e altera o nosso discurso. O terceiro passo de uma conversão é nos submeter ao agir do Espírito Santo. Isso muda o nosso Sistema de Respostas e altera nossas condutas. Contudo, não é nativo esse poder de alterar nossa própria conduta. O Ego tende à desobediência tanto no que deveria ser feito, quanto no que não deveria ser feito, porque opera no Ego o poder da condenação da lei, que conduz à morte. É o aguilhão da morte ou a força do pecado (I Co 15:56). O Espírito Santo, no qual fomos imersos pela fé e aceitação de sua Palavra (senhorio) nos concede um poder para combater e nos libertar do poder da lei da morte. Trata-se do poder da lei do Espírito de vida em Cristo Jesus (Rm 8:2), ou seja, o poder da vida eterna e incorruptível que Ele acessou pela ressurreição. É impossível vencermos o poder da lei da morte com base nalguma força física ou mental. Não há conhecimento, disciplina, terapia, substância ou qualquer outro elemento, nos céus ou na terra, com o qual possamos vencer o poder da lei da morte. A única coisa que vence essa tendência destrutível do pecado é o poder do Espírito de vida, que está em Cristo Jesus e não está em nós. Muitos se enganam achando que tem consigo permanentemente o poder da lei do Espírito de vida, mas não é assim que funciona, pois como um maná, que precisa ser recolhido diariamente, o poder do Espírito de vida precisa ser cultivado com trabalho diário no Jardim de YHWH. Dá trabalho cultivá-lo, contudo, esse poder do Espírito de vida, que nos é dado gratuitamente, é autossuficiente e nele há tudo o que precisamos. É um presente imerecido que nos basta e que se aperfeiçoa na medida em que nos colocamos fracos diante daquele que nos presenteia, razão pela qual podemos até nos regozijar em fraquezas, que nos fazem acessar doses maiores do poder do Espírito de vida. Podemos tudo nesse poder e ele nos aperfeiçoa (Fp 4:13, 2Co 12:9-10). YHWH nos projetou, antes da fundação do mundo, parecidos com ele em imagem e funções. Essa identidade celestial, num ambiente de distanciamento causado pelo pecado, acaba criando um vazio. Responder a esse vazio é a nossa única tarefa. Todo o mais é feito por Ele. O nosso único trabalho é abrir a porta quando Ele bate. Nós só decidimos e tudo o mais é feito por Ele, para Ele e por meio dEle. Nós, que um dia decidimos crer, que um dia decidimos aceitar sua Palavra, que um dia decidimos andar com seu Santo Espírito, não podemos agora nos tornar ativistas achando que podemos fazer algo que só o poder do Espírito de vida pode fazer em nós. Cotidianamente só nos resta decidir abrir a porta, decidir abandonar-se, decidir pela fraqueza diante dEle e decidir receber doses cada vez maiores do poder do Espírito de vida que está em Cristo Jesus. Decida e peça a Ele que, pela sua graça, faça todo o trabalho.

quinta-feira, fevereiro 29, 2024

NÃO É PRA ME GABAR...

Nem todo aquele que se compara com o outro se gaba, mas todo o que se gaba, primeiramente se comparou ao outro e se achou superior. 

A comparação só faz sentido entre as coisas, em especial aquelas feitas em moldes, de maneira idêntica. Se são iguaizinhas e feitas para o mesmíssimo propósito, é justo que sejam comparadas, até porque se apresentarem alguma distinção, isso revelará um defeito. 

Os seres criados por YHWH, sejam anjos ou homens, não deveriam se comparar, pois em que pese haver uma mesma imagem e várias semelhanças, cada ser tem uma configuração específica, com características interiores e exteriores que o fazem único.

Cada uma dessas características faz diferença na busca por resultados e até no receber o favor de Deus, logo, tais seres são incomparáveis e assim devem permanecer por toda a existência. 

Somos imitáveis, mas incomparáveis. Imita-se alguém para ver se, acaso, os mesmos resultados podem ser obtidos, mas sem comparar resultados, pois estes dependem de fatores que, no fim, não controlamos. 

A comparação é ruim, também, porque dela decorrem dois caminhos: o inferiorizar-se ou o gloriar-se. 

A inferiorização é péssima porque ela faz alguém acreditar que não pode alcançar sua melhor versão simplesmente porque não alcançou o resultado daquele com quem ela se compara. 

O gloriar-se, por sua vez, é satânico, tanto porque Satanás é o primeiro a se gloriar na Bíblia, como porque o ato de se gabar produz na mente daquele que se gloria uma imagem superiorizada e irreal de si mesmo, um ídolo chamado Eu, que invariavelmente ocupará um pedestal e será adorado pela alma decaída. 

Disso se constata que ninguém que adore o Eu faz isso sem primeiro se gabar e, ninguém se gaba sem primeiro se comparar com outro. 

Atribuir glória a si mesmo é péssimo, tanto é que a Palavra de Deus nos diz "louve-te o estranho, e não a tua boca, o estrangeiro, e não os teus lábios" (Pv 27:2). 

Porém, se alguém não suportar o impulso de se gabar, que ao menos não faça isso a partir de um ídolo falso, mas a partir daquele que, sozinho, merece toda a honra e glória. 

Por isso o SENHOR nos diz, através de Jeremias, "não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor" (Jr 9:23-24 c/c/c II Co 10:17).

Ou seja, se é para se comparar com alguém e atribuir a si alguma vantagem, que seja por conhecer o SENHOR e seus propósitos, pois ao menos aí a pessoa não se gaba de si, mas de Outro em si. 

Então, dito isso, não é para me gabar, mas conheço a Deus e sei que Ele faz bondade, justiça e juízo na terra, hoje e para sempre. 

Aleluia! 

segunda-feira, fevereiro 26, 2024

FADIGA E DESCANSO

No Éden o homem trabalhava, mas não experimentava a fadiga, pois YHWH o havia colocado num jardim e não num ambiente natural. 

Num jardim o alimento é abundante e cuidadosamente disposto, já o ambiente natural precisa ser domado para produzir a subsistência do homem. 

Adão se deixou levar por sua mulher em vez de ouvir a Deus e a consequência foi a expulsão do jardim e a necessidade de viver onde a subsistência acarreta a sua fadiga. 

A fadiga, em geral, nos desvia de nossos propósitos. 

Noé, depois de 100 anos construindo uma arca, esqueceu -se que era um homem bom e se embriagou. 

Abraão, cansado da fome na terra que Deus lhe dera e temendo os egípcios, mentiu que Sara era sua irmã e permitiu que ela fosse desposada pelo Faraó.

Isaque, na sua geração, também cansado da fome na terra, não chegou a ir ao Egito, como seu pai, mas parou em Gerar e ali também mentiu que Rebeca era sua irmã. 

Esaú, por estar faminto e extenuado, trocou a primogenitura por um prato de lentilhas. 

Moisés, cansado da rebeldia do povo, feriu a rocha com seu cajado em vez de falar com ela. 

Saul, cansado de esperar Samuel, usurpou o ofício sacerdotal e perdeu o trono de Israel. 

O inverso da fadiga é o descanso e Jesus é o nosso descanso. Andar nEle é não se fatigar e, por isso, não perder de vista os valores do Reino. 
 


quarta-feira, fevereiro 14, 2024

ALIMENTO ESPIRITUAL

O órgão"reprodutor" do espírito é boca, pois com ela podemos reproduzir a vida espiritual, já que "a morte e a vida estão no poder da língua" (Pv 18:21).
Não é tudo o que dizemos que sai de nós com esse poder, assim como nem toda semente lançada germina. O que tão somente pensamos, é semente não lançada. Aquilo que é dito sem que ninguém se dê conta, não cai em terra, mas à beira do caminho, logo, também não germina. O que é recebido, mas posteriormente suplantado pelos cuidados dessa vida, germina, mas morre em seguida (Mt 13). 

Sementes de ervas daninhas, que não prestam para alimento e nem são boas à vista, também não germinam em nós sem que sejam lançadas intencionalmente e recebidas. Assim, quando cantamos que nossa pátria é idolatrada, nem por isso estamos semeando idolatria. Quando alguém busca semear em nós uma palavra de maldição, desprezo ou ofensa, essa semente não germina se não for recebida. 

Palavras, quando vêm do céu para nosso sustento, são alimento (Mt 4:4), contudo, em nossa dispensação, tais palavras não são liberadas pela audível voz do Pai ou do Filho, mas pela voz dos filhos, quando no íntimo lhes fala o Espírito Santo. 

Palavras celestiais alimentam o espírito, mas precisamos ser cuidadosos ao "come-las", provando os espíritos e julgando o que é dito bereanamente conforme as Escrituras, afinal, "o ouvido prova as palavras, como o paladar, a comida" (Jó‬ 34:3‬).

A comida, antes de ser servida, é provada pra ver se tem sal suficiente. O copeiro em geral consulta uma segunda pessoa pra confirmar o ponto do sal no alimento. Ao comer, devemos fazê-lo com cuidado, afinal, ‭‭"achaste mel? Come apenas o que te basta, para que não te fartes dele e venhas a vomitá-lo (Pv 25:16‬).

Que seja assim em nós. Que a palavra seja recebida com alegria, compromisso, zelo bereano, aplicação cuidadosa, ouvindo-nos uns aos outros, partilhando o alimento, seus sabores, suas nuances.

segunda-feira, fevereiro 05, 2024

SOMOS ADÃO E EVA

YHWH formou Eva a partir da costela de Adão e, pra isso, matou à Adão (sono pesado), ressuscitando em seguida. Não encontramos indicativos de que Adão tenha ressuscitado com um corpo diferente daquele que ele tinha antes, logo, para se fazer uma só carne com Eva, Adão precisaria de um aparelho reprodutor que já existia nele antes de YHWH ter criado a mulher. 

Então, se YHWH ordenara de antemão a multiplicação dos seres viventes criados e se colocara um aparelho reprodutor em Adão antes mesmo de criar Eva, porque YHWH não criou o primeiro casal juntos, de uma só vez, como todos os demais seres viventes? 

A resposta está naquilo que YHWH fez com Adão antes de criar Eva, etapa esta da qual a mulher não participou. Diz o Texto que YHWH (1) pôs Adão no Éden para o lavrar e guardar e que (2) lhe ordenou o que comer e o que não comer. 

Essas duas tarefas Deus ordenou ao homem que Ele fizera do pó da terra e não à mulher que Ele fizera a partir de um pedaço do corpo do homem. 

Pois bem, assim que as instruções são dadas à Adão, YHWH declara o único "não é bom" de Genesis: "Não é bom que o homem esteja só". Na sequência dessa proclamação o SENHOR revela a Adão o seu plano de fazer à Adão uma auxiliadora. 

Ora, Deus sabe todas as coisas e, portanto, Ele já sabia de antemão que não era bom atribuir à Adão tarefas para executar sozinho. O primeiro motivo dessa estratégia é levar Adão à sentir, pela solidão, a necessidade de uma ajudadora em sua missão. O segundo motivo é para tornar Adão coparticipe da criação de sua ajudadora e o terceiro motivo que fica evidente é para que Adão nunca pudesse atribuir à sua ajudadora aquilo que foi dito por Deus antes mesmo que ela existisse. 

Observe que foi exatamente isso que Adão fez quando caiu em transgressão, ou seja, ele atribuiu à Eva a falta. A desculpa de Adão obviamente não foi aceita, tanto porque a ordem fora dada a ele e não a Eva, como porque ele é coarticipe da criação de Eva.

E porque isso nos importa hoje? 

É que cada homem é sucessor de Adão na missão deste, ou seja, todos estamos incumbidos de cuidar e cultivar o jardim do encontro com Deus (altar), sem jamais trazer para esse encontro o fruto do conhecimento do bem e do mal. Bem e mal, como se sabe, são motivações justificadoras do certo e do errado, respectivamente. 

A verdadeira comida consiste em fazer a vontade de Deus (Jo 4:34), logo, quando entramos em sua presença, esse é o alimento do qual sempre nos alimentaremos. Apesar de o homem ser um ser dotado de raciocínio (uso da razão) a sua missão estará sempre ligada à vontade do Eterno e não ao certo que decorra deste ou daquele bem. 

Certo é fazer a vontade de Deus e errado é desobedecer o querer do Eterno, independente daquilo que o homem possa eleger como bem e mal à partir da racionalização do mundo à sua volta. 

Cada homem deste mundo tem diante de si o jardim da presença e um chamado à comunhão com o Criador. É dever de cada homem guardar e cultivar este jardim para que ele continue sendo um lugar de encontro com Deus. Ao executar esta tarefa o homem terá fome, mas jamais deverá se alimentar daquilo que se opõe à vontade do Eterno. 

A realização dessa tarefa incumbe à todo o homem, ainda que solteiro, porém, não é bom que ele realize esta tarefa sozinho. Por isso, o homem deve realizar essa missão acompanhado de uma ajudadora com quem ele seja uma só carne.

Isso nos mostra que, para o Céu, cada homem é um sucessor de Adão em sua missão, de modo que aquilo que foi critério para o agir de Adão, é critério para o agir de cada homem. 

Observe esta verdade na carta de Paulo à Timóteo. Após ter restringido a atividade de ensino aos homens, Paulo justifica a orientação a partir dos critérios que se aplicavam a Adão, dizendo que se Adão foi feito primeiro, se ele recebeu esta missão enquanto ela não existia, se ele é responsável por esta missão e se Eva é sua ajudadora, ela não poderia executar esta tarefa em lugar de Adão, mas somente auxiliando-o. 

Paulo vê na missão de Adão, e no fato de Eva ser sua ajudadora, uma autoridade colocada sobre o homem que, portanto, não pode ser delegada a ela ou exercida por ela sobre Adão. 

Vemos com isso que estamos nos lombos de Adão e que aquilo que foi ordenado à Adão é incumbência missional de cada homem. Do mesmo modo, o que de Eva se esperava, hoje é incumbência de cada mulher.  

 

quinta-feira, janeiro 25, 2024

A GRAÇA DO QUERO-QUERO

‭‭Sabemos que "a boca fala do que está cheio o coração" (Lucas‬ ‭6:45‬), então, ao lermos a Parábola do Filho Pródigo, devemos atentar para o discurso de cada qual.  

O filho mais novo pecava exteriormente, à vista de todos, enquanto o mais velho pecava interiormente, dizendo de si mesmo que não tinha pecado algum. Sabemos, contudo, que se dissermos que não temos pecado nenhum, nos enganamos, e a verdade não está em nós" (1 João 1:8).

É radical a diferença entre os dois filhos no tocante à consciência de pecado, pois enquanto o filho mais novo tinha consciência de sua pecaminosidade, o mais velho se achava santo. Nesse sentido, vejamos a fala de qual:

Filho mais Novo: "pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho";

Filho maís Velho: "há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua".

O que fica claro é que ambos são pecadores, porém, o filho mais novo pecava exteriormente, se arrependeu, foi recebido pelo Pai e deseja trabalhar na obra. Já o filho mais velho pecava no coração sem arrependimento e estava determinado a impedir, à qualquer custo, que o filho mais novo trabalhasse com ele no campo missionário. 

Uma das conclusões que se extraem dessa parábola é que ministros do SENHOR que não discernem que seu pecados interiores pesam tanto quanto os pecados exteriores dos outros, tendem a impedir os pecadores arrependidos de se aproximarem do serviço ao SENHOR. E, caso não consigam impedir essa aproximação, aí mesmo se demonstram contrariados pelo fato de Deus usar os pecadores arrependidos na obra. 

Dificilmente encontraremos ministros de Deus dizendo que não tem pecado. Eles dirão que tem pecado, certamente, mas como são pecados interiores e, ademais, como muitas vezes sequer os discernem, eles não irão te contar que pecado é esse, como fez o filho pródigo. Dirão apenas que também são pecadores e provavelmente irão se comportar como se a sua conduta fosse superior à conduta daqueles que pecam exteriormente. 

O que ocorre é que trabalhar na obra e não pecar exteriormente não dá direito a ninguém de guardar o cordeiro cevado para si. O Cordeiro não é deste ou daquele, ele é de Deus e veio para tirar o pecado do mundo, sejam pecados exteriores ou interiores. 

Acredito que uma das razões de não termos tantos ceifeiros é porque os ceifeiros que já trabalham nos campos, às vezes, dificultam a entrada de novos ceifeiros nos campos. 

Em parte é compreensível esse zelo, pois os ceifeiros atuais não querem que SEU ofício seja difamado por novos ceifeiros que até ontem estavam na prática de pecados escandalosos. Tornam honorável o próprio ofício a pretexto de cuidar do Santo Ofício, esquecendo-se que o que torna santo o ofício não é o zelo humano, mas o pertencer ao Corpo Divino.

Para não imporem as mãos precipitadamente sobre alguém, alguns ministros do SENHOR raramente impõe as mãos sobre quem quer que seja. Em geral, quanto mais histórica a denominação, mais cuidado ela terá com a contratação de novos ceifeiros. Novas denominações, contudo, costum ser descuidadas nesse quesito. O resultado disso é que enquanto as novas denominações são mais problemáticas, dando lugar a escândalos e controvérsias, também são mais frutíferas, enquanto denominações mais tradicionais, mesmo sendo baluartes da moralidade, convivem com intensa esterilidade espiritual. 

O que me chama a atenção é que Jesus nunca teve cuidado da própria reputação como o Corpo dEle tenta fazê-lo atualmente. Jesus podia perfeitamente ter escolhido os pecadores menos problemáticos, como meio de atrair a todos os pecadores. Ele poderia ter pregado o evangelho a todos, mas tocado apenas os pecadores menos escandalosos, todavia, escolheu tocar ladrões, prostitutas, comilões e beberrões de vinho, mesmo que isso lhe trouxesse má fama. 

Isso é conhecido no meio cristão como "graça da garça", ou seja, a habilidade de andar sobre um terreno fétido e pantanoso sem sujar as alvas penas. Às vezes penso que estamos substituindo esse modelo pela "graça do quero-quero", que é a ave que só anda sobre a grama verde e cuidadosamente cortada. Observe, no entanto, que o quero-quero não tem suas penas brancas, porque, afinal, o branco não vem de fora, mas de dentro. 

Que possamos, todos, nos achegar ao Pai com coração contrito e que trabalhemos todos na seara, pois os campos já estão brancos para a ceifa e não são muitos os ceifeiros. 

terça-feira, janeiro 23, 2024

ÚNICO E COMUNITÁRIO

Jesus nos diz que seu mandamento é "ameis uns aos outros, assim como eu vos amei" (João‬ ‭15:12‬), porém, tudo o que Cristo nos manda fazer Ele primeiro nos dá o exemplo, para que sejamos seus imitadores, assim como Ele mesmo imita o Pai. 

Por isso Ele diz: "o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai" (João‬ ‭5:19‬). 

Disso se conclui que se Cristo nos manda constituir uma comunidade espiritual e nos amarmos uns aos outros, é porque antes Ele mesmo participava de uma comunidade espiritual na qual Ele amava e era amado. 

YHWH não nos exigiria vida em comunhão se Ele mesmo não vivesse em comunhão, porém, como Ele É antes de todos e de todas as coisas, no princípio, para que Ele pudesse amar o outro, ele teve que desdobrar-se em Outros. 

YHWH não poderia criar um outro igual a si, tanto porque Ele é único, como porque é incriado. Também não poderia apresentar-se numa única personalidade solitária, do contrário Ele nunca poderia nos dar exemplo da vida comunitária que Ele exige de nós.

É por isso que o Eterno, sendo Único, se particiona na experiência relacional conosco, seus seres gerados. 

YHWH é único, mas as personalidades particionadas com as quais Ele se manifesta às criaturas divergem em função, autoridade (Atos 1:7) e momento de manifestação. 

Aleluia!

segunda-feira, janeiro 15, 2024

CEGUEIRA TEMPORÁRIA

Barjesus (Elimas), um falso profeta praticante de magia, de Chipre, se opôs ao evangelismo de Paulo e, por isso, Paulo imprecou sobre ele uma cegueira temporária. 

O que chama a atenção é que Paulo impreca sobre aquela pedra de tropeço o mesmo corretivo que lhe foi aplicado quanto se arrependeu de perseguir o povo de Deus, ou seja, a cegueira temporária. 

Paulo obteve poder de imprecar o mesmo mal que serviu para levá-lo a Cristo. A cegueira de Paulo foi produzida pela Luz do SENHOR, já a cegueira de Elimas foi produzida pela palavra de Paulo, o que significa que a presença que veio sobre Paulo fez nele morada e passou a se expressar a partir da palavra liberada com o mesmo poder, efeito e eficácia. 

Você foi convertido das trevas para a Luz pelo poder do Alto, logo, tal poder está em você para ser liberado no abrir da sua boca com o mesmo efeito e a mesma eficácia que um dia te levou a Cristo. 

quinta-feira, dezembro 14, 2023

MATA E COME

Quando Pedro foi à casa do centurião Cornélio ele disse: "Vós bem sabeis que é proibido a um judeu ajuntar-se ou mesmo aproximar-se a alguém de outra raça; mas Deus me demonstrou que a nenhum homem considerasse comum ou imundo". 

O SENHOR havia mostrado a Pedro que ele não deveria considerar comum ou imundo nenhum homem e isto ocorrera dois dias antes, durante uma visão que fez Pedro perder os sentidos. 

O que chama a atenção é o modo que o SENHOR escolheu pra trazer essa convicção a Pedro. A visão se deu com o arrebatamento de sentidos, ou seja, Pedro perdeu a conexão com o que ocorria à volta dele e passou a ver, com o espírito, uma outra dimensão onde o céu se abria e dele descia para a terra um vaso, porém, a aparência desse vaso era a de um lençol cheios de coisas, atado pela quatro pontas. 

Havia dentro desse vaso muitas aves do céu, além de animais terrestres, quadrúpedes, répteis e feras e aquele a quem Pedro chamou de senhor mandou do céu que Pedro matasse e comesse tais animais. Pedro objetou que nunca havia comido animal comum e imundo, ao que a voz replicou: "Não faças tu comum ao que Deus purificou" (At 10:15). 

Não há palavras inúteis na Escritura, ‭‭pois toda ela "é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça" (2 Tm 3:16), portanto, vamos atentar para o contexto no qual Pedro se encontrava. 

Diz a escritura que Pedro estava em viagem missionária, em Jope, e que por volta de meio-dia, estando com fome, Pedro subiu ao terraço para orar enquanto os da casa lhe preparavam a comida.

Não parece ser despropositado, portanto, que o objeto da visão de Pedro tenha sido matar e preparar o alimento. O SENHOR colocou animais na visão, mas Pedro entendeu perfeitamente que se tratavam de homens. Pedro viu com o espírito aquilo que sua carne necessitava naquele momento. 

Pedro estava orando com fome, que é exatamente o que fazemos quando estamos jejuando. O corpo de Pedro clamava pelo alimento e é provável que a mente de Pedro se dividisse em pensamentos relativos à comida durante a oração. 

Quando o corpo queria o pão da terra, o espírito queria o Pão do Céu e a mente se dividia em pensamentos entre estes dois, o SENHOR trouxe uma convicção a partir de uma visão que se valia dos pensamentos que ocupavam a mente de Pedro naquele momento. 

A mente se dividia entre o interesse pelo alimento celestial e o alimento terreno e justamente nesse momento sobrevém a Pedro uma visão onde ele vê o céu, a terra e o alimento que era tanto natural como espiritual. 

Devemos lembrar que Jesus disse aos discípulos que a sua comida era fazer a vontade do Pai que lhe enviara (Jo 4:34‬) e que a vontade do Pai era que todos os homens se salvassem e chegassem ao pleno conhecimento da verdade (1Tm ‭2:4‬), ou seja, há uma fome que só é saciada com conversões de almas. 

O que o SENHOR fez naquele terraço foi usar a fome de Pedro para demonstrar que Ele mesmo tinha uma fome de salvação e que saciaria essa fome com a morte do ego de homens de toda tribo, língua, povo e nação. 

quinta-feira, dezembro 07, 2023

ALTAR, PÚLPITO, PLATAFORMA, PALCO E PICADEIRO

O *altar* é onde nós encontramos com YHWH, pois a comunhão com o Santo requer o sacrifício do que é decaído. Levítico 6:13 diz que "o fogo arderá continuamente sobre o altar; não se apagará”. Esse fogo é o resultado da presença do Espírito Santo em nós. A santidade, em contato com nossa humanidade decaída, gera fogo consumidor. 

O *púlpito* é onde aquele que foi comissionado por Deus no altar serve seus irmãos, partilhando o Pão do Céu que recebera do SENHOR.  

A *plataforma* é o lugar onde a assembleia dos santificados é ministrada. O púlpito fica na plataforma, mas não se confunde com ela. O louvor parte da plataforma, assim como testemunhos, ensinos e até recados para organizar a vida da comunidade espiritual. 

O *palco* é uma distorção do púlpito e/ou da plataforma. Ocorre quando aquele que fala à assembleia performa, em vez de servir. A performance diante da assembleia é um grave pecado. Ananias, por exemplo, performou um personagem diante dos apóstolos. Ele trouxe parte do dinheiro da venda de uma propriedade como se fosse o todo (Atos 5). O objetivo era receber os olhares de aprovação por tamanho ato de abnegação, como ocorrera com Barnabé (Atos 4:37). 

A performance hoje ocorre de muitas maneiras, basicamente quando ofertamos à assembleia um dom como se fosse um serviço ao SENHOR, quando na verdade é um serviço à própria imagem. Seja cantando, tocando, pregando ou testemunhando, a performance ocorre quando a motivação interior, ao contrário do que parece, não está na entrega dos dons, mas na recepção dos olhares e das atenções. 

Este não é um pecado contra o corpo, como a impureza, mas um "pecado fora do corpo" (I Co 6:18) e que, ademais, é cometido a pretexto de ser espiritual. 

Seja salmo, doutrina, revelação, língua, interpretação (1 Co ‭14:26‬), louvor ou testemunho, quem os tem deve entregá-los à assembleia para edificação de todos, porém, a motivação deve ser integralmente a entrega, pois o SENHOR, que confere os dons, não divide a glória dele com ninguém. 

O *picadeiro*, por último, é mais do que uma distorção do púlpito e da plataforma. É uma verdadeira desgraça, pois ocorre quando aquilo que já era um palco se deteriora ainda mais. No picadeiro a oferta vira um negócio, a pregação vira mera profissão, o louvor vira um produto e, como palhaços, ninguém é mais aquilo que aparenta. 

Que o SENHOR nos conserve íntegros no seu altar, para que todo o nosso agir seja santo em nossos púlpitos e plataformas. 




quarta-feira, novembro 15, 2023

DISCIPULADO PARA O CASAMENTO

 

(mensagem enviada aos homens do grupo pequeno)

Estava estudando sobre casamento a partir da Bíblia e me dei conta da direção que tenho condições de apontar para vocês e para a casa de cada qual, caso queiram falar e se abrir sobre esse tema.

Entendo que cada um pode ter a própria ideia quanto a como ser ajudado em relação ao casamento, mas de meu lado também parto de uma experiência de campo, não apenas de um casamento que se estabeleceu, mas também de ministrar outros casais, tanto aqueles que continuaram juntos, como os que se separaram, porque, afinal, você pode levar alguém à fonte, mas não pode forçá-lo a beber água.

Pois bem, a direção que posso apontar é aquela na qual o casamento não é um fim em si mesmo. Isso significa que considero que o mais importante não é salvar o casamento, mas o que advém dele.

Antes de considerarmos no que advém do casamento, devemos observar o quanto esse tema é central nas Escrituras. A Bíblia começa num casamento em Genesis (Primeiro Adão com Eva) e termina num casamento no Apocalipse (Último Adão com a Igreja). O objetivo da arca foi livrar do grande dilúvio o fruto de um casamento (Noé) e o povo de Deus tem seu início na ordem para que um homem casado (Abraão) levasse sua mulher estéril à uma terra distante para ali ser o pai de uma grande nação. Cada uma das gerações seguintes (Isaque, Jacó e seus doze filhos) teve aspectos do seu casamento mencionados na Bíblia, sendo que o mesmo ocorreu com Moisés, com juízes como Sansão e com reis como Davi. Embora Jesus não tenha sido concebido a partir de um casamento no sentido estrito, mas a partir de uma virgem coberta pela sombra do Altíssimo, o Messias cresceu em estatura e graça no seio de um casamento (José e Maria) e ali foi instruído na Torá, nos costumes judaicos e na profissão da carpintaria.

Dito isso, o que é que advém de um casamento segundo o modelo de Deus? Obviamente que os frutos de um casamento são os filhos, pois Deus ordenou ao primeiro casal que frutificasse, multiplicasse, enchesse a terra, a sujeitasse e a dominasse. Porém, não é qualquer filho que vai sujeitar e dominar a terra, mas aqueles gerados, criados e instruídos no seio de uma família.

Filhos fora da família eram considerados bastardos e como tais eram considerados como não tendo instrução/disciplina (Hb 12:8), pois a instrução é dada pelo pai e aqueles que não receberam instrução de pai tem enormes dificuldades de receber a instrução de Deus, sendo essa a razão pela qual é negado aos bastardos o acesso à Congregação do Eterno (Dt 23:2). Obviamente que para o homem é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis (Mt 19:26) e é ele que nos atrai com cordas de amor e nos dá a sua paternidade. Dito de outro modo, a bastardia bíblica é mais que uma pessoa sem o pai biológico no registro. Antes, é uma condição espiritual mesmo daqueles que tiveram pais presentes na casa, mas ausentes de suas vidas.

Portanto, a partir desse entendimento, e voltando ao tema do casamento, a união do casal não é um fim em si mesmo e sim um meio para gerar filhos instruídos quanto aos valores do Reino de Deus.

Aqui é preciso levar em conta que Deus não está interessado na vida biológica em si mesma, pois, se fosse assim, Deus teria feito o corpo natural do homem dotado de eternidade. Não é o que ocorre, até porque “preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos” (Sl 116:15), ou seja, Deus nos escolhe para vir ao mundo, nos separa e nos designa à uma missão (Jr 1:5), depois tece os nossos órgãos no ventre de nossa mãe para nos fazer nascer nesse mundo (Sl 139:13) e, logo em seguida, recolhe a nossa vida na morte. Aliás, para Deus o tempo da nossa vida é como um sopro, como a sombra que passa (Sl 144:4), portanto, ele nos predestina, nos dá vida e logo a seguir nos recolhe na morte.

Para nós isso não faz sentido, mas para ele, “se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” (Jo 12:24). Por isso, quando Deus nos cria ele não está diretamente interessado em nosso “tabernáculo terrestre” (corpo natural), mas sim em nosso “tabernáculo celeste”, que é o nosso corpo espiritual. Esse corpo espiritual é eterno e não multiplicável, pois quando ressuscitarmos não casaremos e nem nos daremos em casamento, mas seremos como os anjos (Mt 22:30). Isso nos leva a concluir que Deus gera um ser humano no ventre de sua mãe para que, na verdade, esse ser receba uma alma que habitará eternamente um corpo espiritual (espírito), fazendo parte da família de Deus.

Dito de outra forma, Deus está criando a sua família e, para isso, ele nos dá uma fase terrestre onde vivenciamos o que é sombra das coisas futuras. Assim como um ser humano vive uma fase uterina antes de nascer, crescer e se desenvolver, a nossa alma imortal também vive uma fase terrestre antes da vida eterna.

Concluindo, nem o casamento e nem a família são fins em si mesmos, mas meios de Deus gerar para si uma família eterna. Nesse contexto, reparem como fica sem sentido dizer coisas como:

·        “eu não estou sendo feliz nesse relacionamento”;

·        “eu gostaria de uma mulher que fizesse isso e aquilo pra mim”;

·        “eu só quero ser feliz”;

·        “eu não aguento mais que ela faça isso ou aquilo”

Tais pensamentos não tem sentido porque são centrados no “eu”, quando o objetivo do casamento não é o “eu” e sim Deus. O casamento tem por objetivo o que Deus quer e não a satisfação do ser humano. Deus quer almas sendo geradas e instruídas na Palavra do Reino e, para isso, ele não nos obriga a casar e nem escolhe a mulher de ninguém, mas conta com a palavra de homem (sim, “sim” e não, “não) para fazer da família um ambiente missional.

Um homem que “se deu bem na vida” é aquele cujos filhos são firmados na Rocha e constituíram famílias de filhos firmados na Rocha. Filhos desviados do Caminho são a prova do fracasso do homem como líder familiar, embora o Senhor nos perdoe os fracassos, nos mantenha no seu plano pela sua graça e nos dê esperança de ver os filhos rendidos ao senhor, retirando o nosso opróbrio (desonra).

Agora, olhe para o seu casamento ou para o casamento que você quer ter (no caso dos viúvos, divorciados ou solteiros) e se pergunte se você está disposto a se submeter a esses valores na formação do casamento e da família. Se a sua resposta é sim, estou disposto a te ajudar a alinhar teus passos para que o teu casamento seja exatamente isso, ou seja, uma relação marital da qual emana uma família missional. Se, contudo, você quer menos que isso, ou seja, se você só não quer ficar sozinho e quer alguém que corresponda às suas expectativas, não pretendo de iludir, pois não tenho por que trabalhar por esse objetivo puramente humano e não divino, até porque cada qual pode dar conta disso sozinho. Trabalhamos para o Senhor e o que deve dirigir nossos passos é o objetivo do Reino, ou seja, o que nos interessa é que os seus filhos tenham um destino em Deus, diferente do destino que seus pais tiveram segundo o mundo até aqui.

E o caso dos viúvos e divorciados, onde não há filhos ou onde há filhos “meus, teus e nossos”, como agir? No caso daqueles, os filhos do cônjuge devem ser como os próprios filhos e vice-versa. No casamento que, por qualquer razão, não tenha filhos, o alvo há de ser o estabelecimento do testemunho como casal, como fonte de inspiração para os casais mais jovens da igreja local. Isso demonstra que o evangelho é baseado no que Deus quer para si através do homem, que é seu instrumento, e não no que o homem quer para si tendo Deus por instrumento.

Medite nisso e agende o seu tempo para falarmos sobre o seu casamento, se é que tens necessidade de compartilhar teus desafios nessa área.

segunda-feira, novembro 13, 2023

POSSO EXIGIR DESCULPAS COMO CONDIÇÃO PARA PERDOAR?

O cristão deveria condicionar o perdão ao pedido de desculpas daquele que lhe ofendeu?

De um lado, Jesus nos manda perdoar como somos perdoados e, como se sabe, ninguém é perdoado sem demonstrar a Deus a sua culpa. 

Confessar os pecados é uma forma de demostrar a culpa, assim como pedir o perdão ao SENHOR ou aceitar o seu senhorio e a sua salvação, porque ao aceitar alguém que mande em mim eu admito o caminho superior desse governante e ao aceitar um salvador eu aceito o fato de que estou perdido. 

A expiação se consumou num dado dia e hora, há mais de dois mil anos, quando estava encarnado aquele que se fez expiação. Já o perdão se consuma quando está encarnado aquele que é perdoado, quer ele tenha vivido antes ou depois da expiação. Davi e o ladrão da cruz, assim como eu e você, somos beneficiados com a expiação ocorrida na cruz, porém, cada qual é perdoado no momento em que demonstra ao SENHOR a sua culpa. 

Por isso, se a demonstração da culpa é uma condição para eu ser perdoado e se eu devo perdoar como sou perdoado, então aquele que me ofendeu deveria demonstrar sua culpa para que eu também o perdoe. Isso não muda o fato de que devo falar bem dele e fazer-lhe o bem, pois até aos inimigos devo amar, mas o perdão estaria condicionado à demostração de culpa. 

Isso seria assim, não fosse o fato de que eu mesmo sou pecador. 

É que eu perdoo porque fui perdoado, enquanto Deus perdoa por uma razão bem diferente: porque Ele é bom. 

Quando eu demonstro a minha culpa eu admito a inferioridade do meu padrão moral em relação a Deus. Isso é imprescindível para legitimar o seu governo sobre mim e a santidade da sua oferta para expiar a minha culpa. Porém, quando alguém demonstra a sua culpa por ter me ofendido, isso não significa que o meu padrão moral seja superior ao dessa pessoa. Ao contrário, o padrão moral do ofendido e do ofensor são igualmente decaídos. 

Dito de outro modo, Deus não precisava me perdoar, mas perdoou, já eu preciso perdoar, pois mesmo não merecendo o perdão eu o recebi, de modo que fico devedor, a Deus, desse mesmo perdão aos que me ofenderam. 

Se esta lógica espiritual não bastasse, ainda assim teríamos as palavras de Jesus, que disse, "quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas" (Marcos‬ ‭11:25‬).

quinta-feira, novembro 09, 2023

HAVIA TRÊS ÁRVORES NO JARDIM

YHWH não negou a Adão e Eva o conhecimento do bem e do mal, apenas proibiu que eles se alimentassem desse conhecimento.

O jardim do Éden tinha três tipos de árvore: 

1) a Árvore da Vida, que estava no meio do jardim, em local privilegiado e cujo fruto deveria ser comido livremente pelo homem (Gn 2:16);

2) a árvore do conhecimento do bem e do mal, em local não definido e cujo fruto o homem não deveria comer, sob pena de morrer naquele "dia";

3) as muitas árvores agradáveis à vista e boas para alimento (Gn 2:9), que certamente estavam distribuídas pelo jardim e das quais o homem deveria comer livremente. 

Adão passou a ser alma vivente quando Deus soprou o fôlego da vida num corpo de terra. O que vemos aí é um elemento, somado ao um segundo elemento, transformando-se num terceiro. O Livro da Criação (Rm 1:20) nos descreve isso como "química", a transformação da matéria. Uma das reações químicas mais básicas é aquela pela qual se forma a água, onde dois átomos de hidrogênio se combinam a um átomo de oxigênio. 

Observem se não é mais ou menos isso que Gênesis nos descreve, pois YHWH pega o barro, sopra sobre ele o seu fôlego de vida e disso advém uma alma vivente humana. E o mais interessante é que assim como na eletrólise da água é possível separar o hidrogênio do oxigênio, a Palavra de Deus, que é viva e eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, penetra até ao ponto de dividir a alma do espírito (Hb 4:12).

Quando olhamos para a água não vemos oxigênio ou hidrogênio, que são gases, mas apenas o corpo formado pela junção desses dois elementos. Do mesmo modo, quando olhamos para o ser humano não vemos o barro e o fôlego de vida, mas apenas o conjunto formado por esses dois elementos. 

Embora à primeira vista não possamos distinguir os reagentes humanos (terra e espírito) do seu produto (alma), sabemos que são três elementos que devem ser considerados tanto em conjunto como individualmente. Tanto é  assim que o mesmo Deus da paz nos santifica em tudo, no espírito, alma e corpo (1 Ts 5:23). 

Voltando às árvores plantadas por Deus no Éden, vemos que são três tipos, o que provavelmente correlaciona um tipo de fruto para cada elemento humano. 

Para o corpo temos o fruto das muitas árvores agradáveis à vista e boas para alimento. Para o espírito temos a Árvore da Vida e para a alma o fruto do conhecimento do bem e do mal.

Então, se o conhecimento do bem e do mal é justamente para a alma, por que o homem não podia se alimentar do fruto dessa árvore? 

Observe que Deus disse que o homem deveria se alimentar livremente de todas as árvores e aí ele inclui a Árvore da Vida. Pressupõe-se, então, que nalgum momento o homem comeria do fruto da Árvore da Vida e aí ocorreria com ele o que está descrito em Genesis 3:22‬, ou seja, passaria a viver eternamente. Uma vez eterno, o homem jamais poderia morrer e só então ele poderia passar a ser conhecedor do bem e do mal. É preciso a incorruptibilidade da vida eterna para enfrentar o mal, por isso, a proibição não era propriamente para que o homem permanecesse na ignorância, mas para que não obtivesse o conhecimento do bem e do mal ANTES de ter buscado vida eterna. 

YHWH diz que ao comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal o homem se tornou "como um de nós", ou seja, ele se tornou como as Pessoas da Trindade no tocante ao conhecimento, passando a ser "conhecedor do bem e do mal". Se Deus é conhecedor do bem e do mal então esta não é uma condição ruim em si mesma, pois Deus é santo e certamente o fato de conhecer o bem e o mal não compromete essa santidade. Isso nos mostra que o perigo não era conhecer o bem e o mal, mas sim conhecê-lo sem antes estar dotado de Vida Eterna. 

Dito de outro modo, o fruto do conhecimento do bem e do mal poderia ser um veneno, sendo que o fruto da Árvore da Vida seria o seu antídoto.

Para reforçar esta ideia, observe que o texto bíblico inclui a palavra "dia" quando fala do resultado da desobediência. A escritura diz que a morte decorrente da ingestão do fruto do conhecimento do bem e do mal viria no "dia" em que esse fruto fosse comido. 

Ora, a palavra dia pressupõe o espaço-tempo dimensionado, conceito este que se opõe a eternidade, onde as dimensões do espaço-tempo não se opõe ao agir de Deus, pois YHWH mede os céus com a palma da mão, sendo que um dia lhe é como mil anos e mil anos, como um dia. 

O que se demonstra aí é que o homem, sendo a semelhança do Criador, não foi criado para ficar circunscrito a uma unidade infinitesimal do universo, como ocorre hoje conosco, mas foi criado para a eternidade, para interagir com a criação onde quer que seja, sem limitação de espaço-tempo. Para tanto, o homem deveria escolher comer do fruto da vida eterna; caso em que, sendo eterno como é YHWH, ele saberia todas as coisas, tendo a mente de Cristo e conhecendo perfeitamente o bem e o mal. Porém, em vez disso, o homem optou por esse conhecimento sem antes viver eternamente. O momento em que o homem morre no espírito é aquele em que a sua desobediência à Deus se inicia, não podendo ela superar o tempo de 129 anos (Gn 6:3).

Precisamos considerar que quando Deus cria um ser inferior aos anjos à sua imagem e semelhança, os anjos já haviam se dividido, e um terço deles já estava condenado à perdição eterna, aprisionados neste mesmo planeta onde Deus planta o homem. Por isso Deus, quando cria o homem na ignorância, sem conhecimento do bem e do mal, coloca diante do homem a opção de obedecer e viver eternamente - passando a ser como Ele, conhecedor do bem e do mal - ou desobedecer, passando a um saber desprovido de moral, ou seja, bem e mal sem antes exercitar certo e errado. 

A mensagem que fica é que o bem é pautado no que é certo e o mal no que é errado, todavia, o certo será aquilo que Deus assim considere, e errado aquilo que Deus disser que é errado, de modo que só podemos chegar ao conhecimento tanto do bem, como do mal, pela obediência a Deus e, ainda, só podemos lhe obedecer se tivermos íntima comunhão com Ele, o que requer que comamos de sua carne e bebamos do seu sangue, um símbolo neotestamentário que, no velho testamento, tem o seu correspondente no ato de se alimentar da Árvore da Vida. 

Fomos feitos à imagem e semelhança do Criador e só na íntima comunhão com Ele poderemos obedecê-lo. Adão desobedeceu ao comer do fruto do conhecimento do bem e do mal, porém, já havia desobedecido antes, quando deixou de comer da Árvore da Vida e também quando deixou de lavrar o jardim, retirando dele a árvore cujo fruto não podia ser comido. 

Temos dentro de nós, hoje, um jardim regado pelas águas do Espírito, o qual devemos lavrar diariamente retirando dele todos os cardos espinhos e nos esforçando para arrancar, até pela raiz, a árvore do conhecimento do bem e do mal, tudo isso sem nos esquecer de nos sentarmos à sombra da grande Árvore da Vida, buscando cura com as suas folhas e nos alimentando de seu fruto. 
  


segunda-feira, julho 31, 2023

SER USADO OU SE FAZER USADO?

YHWH age por meio de sua Palavra, até porque a Palavra encarnada é o Verbo de Deus, ou seja, é "Deus agindo", pois em Jesus "habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade" (Cl 2:9). 

Por isso, se alguém proclama a Palavra com fé, essa Palavra é operante, mesmo se esse alguém não servir a Deus com todo o seu ser. 

Jesus disse: "Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo." (Jo 12:26), ou seja, os servos do SENHOR devem segui-lo e devem estar onde Ele está, lugar esse que necessariamente é um lugar de santidade. 

Muitos desobedecem esse mandamento, ou seja, insistem em servir a Deus sem segui-lo, o que só é possível porque tais pessoas aplicam com fé a Palavra de Deus e usam a Palavra como espada de um só gume, que só corta para fora, mas nunca para dentro. 

Essas pessoas não são usadas por Deus, mas, antes, se fazem usar por Deus e esse agir é fundado numa iniciativa humana e não divina. Ademais, é comum que tais pessoas usem a Deus em vez de serem usadas por Ele. 

Ainda que tais pessoas falem em nome de Deus na terra e ainda que as Palavras de Deus por elas proferidas sejam operantes para profetizar, exorcisar e operar milagres, o SENHOR não as conhece e busca se afastar delas, pois elas, em vez de seguir a Jesus na prática da justiça, praticam a iniquidade (Mt 7:22-23).

Eis a razão pela qual algumas pessoas - como o Apóstolo Paulo - sentirão o constantemente desconforto pelo mal que fazem e pelo bem que não fazem. Sem esse desconforto elas se acomodariam na prática da iniquidade, de modo que o dom nelas depositado continuaria inerte, sem ser usado por Deus. 

O inconformismo consigo mesmo leva o homem a deixar a iniquidade e a buscar a justiça, passando a seguir ao SENHOR e, consequentemente, ser usado por Ele. 

Portanto, a Palavra viva e operante de Deus está na boca de dois tipos de homens: aqueles que praticam a justiça, que andam com Deus e a quem Deus conhece e, por outro lado, aqueles que praticam a iniquidade, de quem Deus se aparta e a quem Deus não conhece.

E nós, interessados em ouvir a Palavra de Deus proferida pelos homens, como podemos identificar um profeta verdadeiro e um falso?

Jesus nos ensina que conheceremos uma árvore pelos seus frutos (Mt 7:16). É um exercício cognitivo que vai para além da aparência. O fruto precisa ser olhado, colhido, provado e digerido, para então se dizer conhecido por quem dele provou. 

E não imaginemos que encontraremos todos os falsos profetas numa extremidade e os verdadeiros na outra, ou que os verdadeiros profetas estarão prosperando e os falsos profetas em ruína, porque ambos vão crescer juntos até a ceifa, como o joio e o trigo (Mt 13:30). 

Por fim, quem quer ser usado por Deus deve segui-lo e nesse caminho há uma cruz para mortificar a carne. Se você não vir a cruz naquele que diz estar sendo usado por Deus, é provável que ali só haja alguém se fazendo usar por si mesmo, como um bronze que soa ou um címbalo que retine. 







sábado, julho 22, 2023

ESFORCEMO-NOS

Você não vale nada. Nem eu. É quem está em nós que vale mais que tudo o que foi criado. 

Se o pecador valesse alguma coisa não estaria de antemão condenado à perdição eterna, descartado em cacos na montanha de refugos do Oleiro. O SENHOR deu uma vida humana à sua Palavra e se agradou grandemente dessa Vida, entregando-a por uma montanha de refugo. 

Há quem pense que Jesus não morreu por ele, mas pela humanidade e que a quantidade de remidos justificaria o sacrifício. 

Não é assim. O pecador não vale nada, seu valor é igual a zero e o que se multiplica por zero, é zero. 

Não importa à quantos bilhões de indivíduos a salvação foi ofertada, se a soma desses indivíduos não tem valor algum. Nós, que não valíamos coisa alguma, fomos comprados pelo Rei da Criação e o preço não foi algo perecível como prata ou ouro (sim, perecem frente à eternidade), mas o seu precioso Sangue, no qual estava a Vida do próprio Deus. 

Há quem pague pelo lixo reciclado, mas é loucura pagar por aquilo que já nasceu como lixo, sem préstimo algum. Essa loucura tem um nome:  Amor Incondicional. 

De nada adiantaria Jesus ter comprado a "humanidade" se você e eu, individualmente, não estivéssemos aí incluídos, ademais, com um novo nome que nos foi dado antes da fundação do mundo. 

Embora a salvação estivesse reservada para a "humanidade", a perdição da maioria dessa "humanidade" é igualmente predita. É tão verdadeira a remissão da minoria quanto é verdadeira a perdição da maioria. Estar entre os salvos, com uma senha pessoal e intransferível, com o seu nome escrito nela, é um privilégio indescritível que jamais poderia ser merecido. 

Quem passou da metade da caminhada já vê ao longe a porta estreita. Esforcemo-nos por passar por ela. Não é o esforço que conta, mas as cordas de amor daquele que nos atrai porta adentro, porém, sem nos esforçarmos contra a nossa carne ela certamente escolheria outro caminho e outra porta. O esforço, portanto, não é pra merecer a salvação, mas pra não escolher a perdição. 

Esforcemo-nos. 

terça-feira, julho 11, 2023

O QUE É "EM O NOME" DE JESUS?

O que significa completar uma ação ou proclamação dizendo "em O nome de Jesus"? 

Ao ingressar na família da fé ouvimos tantas vezes essa expressão que acabamos incorporando o hábito, mas na maioria das vezes sem uma compreensão mais profunda do que significa estar, agir ou falar "em O Nome de Jesus". 

Essa expressão ocorre primordialmente no livro de Atos.

Duas vezes é ordenado que os que crêem sejam batizados "em O nome de Jesus" (At 2:38 e 10:48). 

Ao coxo de nascença é determinado que se levante "em O nome de Jesus" (At 3:6) e outras duas vezes Pedro atribui o milagre ao "em nome O de Jesus" (At 3:16 e 4:10). 

Duas vezes as autoridades religiosas judaicas advertiram os discípulos que não falassem ou ensinassem em nome de Jesus" (At 4:18 e 5:40) e Paulo admitira que antes de se converter lhe "parecia que muitas coisas devia praticar contra o nome de Jesus" (At 26:9). 

Uma vez é dito que Filipe "evangelizava a respeito do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo" (At 8:12) e uma vez um espírito imundo foi expulso "em O nome de Jesus" (At 16:18).

Dizem alguns que agir ou falar "em O nome de Jesus" é como o exercício de um mandato fundado numa procuração. Naquela época o mandato era (e ainda é) um contrato no qual o mandante encarregava alguém (o mandatário) de cumprir voluntária e gratuitamente uma atividade em seu favor ou de terceiro.

Realmente o agir ou falar "em O nome de Jesus" se parece com um mandato, especialmente quando lembramos que Jesus nos deu "autoridade para pisar serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo", sem que nada, absolutamente, nos causasse dano (Lc 10:19), porém, ao pensarmos um pouco mais sobre o tema, vemos que é mais que isso e até diferente disso nalguma medida. 

No contrato de mandato o mandante comissiona o mandatário em geral porque não pode estar no local onde sua vontade deve ser realizada ou porque não tem algum conhecimento ou prerrogativa para realizar aquela vontade, como no mandato advocatício. 

Mas não é assim quando agimos ou falamos "em O nome de Jesus", pois Ele está presente onde sua vontade é feita, bem como em qualquer outro lugar, e, ainda, Ele pode tudo o que o mandatário  pôde e ainda tem todo o poder no céu e a terra, tendo vencido inclusive a morte. 

Porém, não é essa a principal diferença, mas sim o fato de que no mandato o mandante é um e o mandatário é outro, enquanto que quando agimos ou falamos "em O nome de Jesus" nós somos um com Ele. 

Por isso, agir "em o nome" é ainda mais poderoso do que agir "em nome". Mandatários agem "em nome" dos mandantes, mas quando somos um com Cristo nos agimos "em O nome", ou seja, "no nome", o que significa investidos desse nome como se esse fosse uma "firma" ou um nome coletivo que muitos podem usar ao mesmo tempo, que nos obriga a todos e nos co-responsabiliza pelo uso desse nome. 

Mandatos requerem uma procuração assinada pelo mandante, já para agir em nome de Jesus basta a mera atuação, ainda que o mandante sequer conheça o mandatário, como Jesus dirá a alguns que profetizarem e expulsarem demônios em seu nome (Mt 7:22). Porém, pra falar e agir "em O nome de Jesus" é preciso ser um com Ele, o que só ocorre se nascermos de novo e para sempre de seu Espírito. 

Qualquer um pode agir "em nome" de Jesus, mas somente Jesus pode nos encarregar de agir "em O nome", ou "no" seu nome. 

Em razão da carne do pecado, não é incomum que aqueles que se fizeram um com o SENHOR e que podem de fato agir "no nome" dEle, acabem agindo somente "em nome" Jesus. 

Isso ocorre quando alguém age na presunção de que Jesus está agindo por ele, mas na verdade é ele que está usando o nome do Jesus para agir em nome próprio. 

Apenas quando negamos a nós mesmos desfrutamos de uma sensibilidade indispensável para discernir o que Jesus quer seja feito, quando ele quer que seja feito. Do contrário, corremos o risco de supor o que Jesus quer e acabamos usando o nome dele em vez de ser usados por Ele. 

Agir "em O nome de Jesus" é atuar incorporado ao Corpo que na terra manifesta a presença de Jesus, e eu tremo quando penso nisso. É agir dEle, por Ele e para Ele. 

terça-feira, julho 04, 2023

SANTIDADE HUMANA

Santidade é o resultado da potência e predominância da Vida do Espírito naquele que é nascido de novo. 

Não há quem não peque (1 Rs 8:46 e Ec 7:20), porém, há pecados do crente que não trazem acusação ao seu coração (1 Jo 3:20), seja porque tais pecados são ocultos àquele que os comete (Sl 19:12-13), seja porque já tem a consciência cauterizada (1 Tm 4:2) e é incapaz de se arrepender (Hb 6:6). 

O mal que fazemos nos acusa muito mais do que o bem que não fazemos (Rm 7:19) e, dentre aqueles, há pecados que acionam o mecanismo da culpa e os que não. 

Os pecados que não geram culpa normalmente são aqueles que praticamos à luz do dia, diante de todos e na certeza (equivocada) de que estamos certos. 

Exemplo disso é o apóstolo Pedro, que diante dos demais apóstolos repreendeu Jesus pra não ir à cruz achando que estava fazendo uma coisa boa (Mt 16:23) e, por outro lado, foi corroído pela culpa ao negar Jesus diante de ímpios e desconhecidos (Mt 26:74). O primeiro pecado foi praticado sem discernimento e, portanto, sem culpa. Já o segundo pecado foi praticado com uma culpa persistente. 

Entende errado quem acha que merece maior condenação o pecado que carrega consigo uma culpa angustiante. Assim como ocorreu com Pedro, o nosso Advogado (1 Jo 2:1 e MC 16:7) pode vir em nosso socorro com a nossa propiciação, pois a culpa demonstra que concordamos com a lei, que é boa (Rm 7:16), porém, aquele que peca sem culpa e sem discernir os próprios erros pode chegar no último dia com uma lista de realizações e ainda assim ouvir do SENHOR: "nunca vos conheci, apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade" (Mt 7:23).  

A única santidade humana isenta de pecado foi a de Jesus. Quanto aos demais irmãos, a santidade estará presente não pela ausência de pecado, mas pelo caminho trilhado em constante arrependimento por todos os pecados, inclusive os omissivos e aqueles que não são identificados ou compreendidos, mas são aceitos como pecados e levados aos pés da cruz. 

Por isso, aqueles que discernem os próprios erros, que andem agarrados à graça superabundante (I Co 9:14, Rm 5:20) pedindo perdão por todo pecado, ainda que pela septuagésima vez no mesmo dia (Mt 18:22). 

Já os que andam alheios à culpa - não porque não pequem, mas porque não discernem os próprios erros - que lhe suceda como a Paulo, que alcançou misericórdia e passou a ver depois que as escamas lhes caíram dos olhos (At 9:18), nem que pra isso tenha que cair do cavalo. 

 


 









quarta-feira, março 15, 2023

AJOELHADO OU FACE A FACE?

 

O SENHOR estende as mãos todos os dias a um povo rebelde (Is 65:2) e é justamente porque a carne do pecado é orgulhosa e desobediente que precisamos nos prostrar diante dEle, porém, o fato de precisarmos nos humilhar não significa que o SENHOR nos queira prostrados continuamente em sua presença.

Aliás, essa imposição para que os súditos se prostrem é uma característica do príncipe deste mundo (João 12:31) e não do Reis dos reis (Ap 19:16). Exemplos disso nós vemos na passagem em que o diabo diz a Jesus “tudo isto te darei se, prostrado, me adorares” (Mt 4:9), na passagem em que o imperador Nabucodonosor decreta que qualquer que não se prostrasse diante dele, e não o adorasse, seria lançado dentro da fornalha de fogo ardente (Dn 3:11), e também na passagem em que o rei Assuero exige que todos se prostrem perante Hamã, seu ministro (Es 3:2).

Já o Eterno, o Criador do universo, “falava a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo” (Ex 33:11) e sobre Moisés diz a Escritura que “nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, com quem o SENHOR houvesse tratado face a face”.

É verdade que primeiramente Moisés subiu ao monte para receber as tábuas de pedra da aliança e ali permaneceu por quarenta dias e quarenta noites em jejum absoluto (Dt 9:9), e disse “prostrei-me perante o Senhor; aqueles quarenta dias e quarenta noites estive prostrado, porquanto o Senhor dissera que vos queria destruir” (Dt 9:25), o que indica que Moisés esteve prostrado muito mais para se humilhar em nome do povo rebelde do que em nome próprio.

Aliás, é disso que precisamos, ou seja, chegar à presença do SENHOR prostrados, adorá-Lo, dar nossa face ao que nos fere e nos fartar da afronta, pois é certo que o SENHOR não nos rejeitará (Lm 3:31).

Falar face a face é coisa de amigo, como se deu entre Moisés e o SENHOR, porém, YHWH nos quer fazer a todos como amigos, tanto que Jesus nos diz “já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer” (Jo 15:15).

Jacó, quando recebeu a certeza da salvação, em Peniel, disse “tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva” (Gn 32:30) e Gideão também exclamou “Ah, Senhor DEUS, pois vi o anjo do SENHOR face a face”, quando viu subir fogo da penha e consumir a carne e os pães ázimos da oferta diante do Anjo do Senhor, uma provável teofania de Cristo (Jz 6:21-22).

Nem todo ato de se prostrar diante do SENHOR significa submissão à sua vontade, como vemos na passagem do jovem rico, que se ajoelhou diante de Jesus quando lhe convinha, mas deu as costas ao Mestre quando contrariado pela vontade do Pai (Mc 10:17-22). Balaão, torto de caráter, é o único de quem se diz que profetizou prostrado, mas de olhos abertos (Nm 24:16).

Devemos andar “perante a face do Senhor na terra dos viventes” (Sl 116:9) para que digam os moradores da terra que o SENHOR, que está no meio do seu povo, face a face lhes apareces (Nm 14:14), porém, isso não afasta os momentos em que reverentemente nos prostraremos, pois até “os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante daquele que se encontra sentado no trono, adorarão o que vive pelos séculos dos séculos e depositarão as suas coroas diante do trono” (Ap 4:10).

Por fim, observe que falar face a face aponta tanto para uma conversa de amigos, olho no olho e a certa distância, como também pode denotar a face do SENHOR bem próxima a face do homem, o que nos remete à nossa criação, quando “formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, soprou em suas narinas o fôlego da vida e o homem foi feito alma vivente” (Gn 2:7).

A comunhão de Adão com o SENHOR dava-se na viração do dia, quando o Senhor Deus passeava no jardim (Gn 3:8), porém, morto o espírito do homem pelo pecado, o contato passou a se dar intermediado pela morte em sacrifício. Como o filho da viúva Serepta, que morrera, somos trazidos de volta à vida quando a voz profética se estende sobre nós, face a face, e nos devolve o Espírito, o Fôlego de Vida (1 Rs 17:21).

Por fim, ainda que hoje vejamos essas coisas “por espelho, em enigma”, um dia “veremos face a face” e conheceremos o SENHOR também somos conhecidos (1 Co 13:12).

Prostremo-nos, adoremos o SENHOR face a face e voltemos a nos prostrar.