segunda-feira, outubro 24, 2022
JEZABEL E O SELO REAL
terça-feira, setembro 27, 2022
CORAÇÃO EM GUERRA
segunda-feira, setembro 19, 2022
RESTITUIR PRA DESFRUTAR DO PERDÃO
segunda-feira, setembro 12, 2022
DEVO ORAR POR MIM?
sexta-feira, setembro 02, 2022
JESUS NO ÉDEN
segunda-feira, agosto 15, 2022
FAMÍLIA DA FÉ
A família biológica supre nossa necessidade de relacionamento afetivo, expressa parte de nosso amor filia e estabelece e reforça nossa identidade terrena. Já a família espiritual, que é a congregação dos irmãos, supre nossa necessidade de relacionamento espiritual, expressa parte de nosso amor filia, assim como nosso amor agape também, e estabelece e reforça nossa identidade celestial.
Cristo nos ensinou sobre isso nas passagens de Mateus 12:46-50 e Mc 3:31-35.
Os textos enfatizam que Maria, mãe de Jesus, bem como seus irmãos, vieram falar com Ele, porém, em vez de entrarem onde Jesus estava congregado com os irmãos da fé, eles pediram que Jesus saísse para falar com eles. A Bíblia não diz, ao final, se Jesus saiu para se encontrar com sua mãe e seus irmãos ou se estes entram pra falar com ele, porém, antes de atender sua família biológica, Jesus usa o fato para dar um ensino à sua família espiritual.
Jesus diz que sua mãe e seus irmãos – ou seja, sua família – era o conjunto daqueles que faziam a vontade do Pai Celestial. Quantos a sermos “irmãos” entre nós e irmãos de Cristo, isto é enfatizado em Rm 8:29, onde Jesus é chamado de primogênito entre muitos irmãos. Já quanto à “mãe”, ela é uma figura da Igreja, tanto que o Apóstolo Paulo fala aos Gálatas que Sara é a mãe da promessa (Hb 11:11), ou aliança, e que essa aliança é figurada pelo Monte Sião, a Jerusalém Celestial, que é “lá de cima, que “é livre” e que "é a nossa mãe” (Gl 4:26).
Por isso, quando Jesus fala que sua “mãe” é a que faz a vontade do YHWH, Ele está dizendo que o Novo Testamento, a Nova Aliança, a Nova Promessa, simbolizada na forma terrena do Monte Sião e na forma celestial da Jerusalém Celeste, é aquela que nos gera e nos ensina.
Quanto a nos gerar, disse o anjo Gabriel a Maria que “O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus” (Lc 1:35) e, considerando que somos irmãos mais novos de Cristo, essa promessa se aplica a nós, ou seja, o ente santo que há de nascer em nós é chamado Filho de Deus, por isso, somos herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo.
Quanto a nos ensinar, O Espírito Santo certamente é nosso professor, todavia, ele nos ensina no seio da Igreja, tanto é que Provérbios 1:8-9 diz “meu filho, ouça o ensino de seu pai e não despreze a instrução de sua mãe”. Aqui eu lembro de Timóteo, que foi aconselhado por Paulo a permanecer no ensino das Sagradas Escrituras que havia aprendido desde a infância (2Tm 3:14-15), sendo que esta fé havia habitado primeiramente em sua avó Loide e em sua mãe Eunice (2 Tm 1:5), não por acaso, duas mulheres.
Por isso, em dadas situações, a nossa família celestial deve ter primazia sobre a família biológica.
Não é incomum, todavia, especialmente nos primeiros anos de fé, que venhamos desagradar nossa família biológica em razão da adoção da fé no Verdadeiro Jesus (I Jo 5:20) e, também, não é incomum experimentar o constrangimento, numa situação de necessidade, de não encontrar ajuda na igreja, porém, ter a mão estendida dos familiares (lembrando que também ocorre com muito frequência o contrário).
Esse fato pode nos levar a um
sofisma, o de que uma família “vale mais” do que a outra. Isso não é verdade,
pois devemos honrar cada qual com a honra devida (Rm 13:7), porém, o homem e a
mulher que deixa a sua parentela para formar um novo núcleo familiar devem,
juntos, se associar a outros núcleos familiares como família da fé e darem a
primazia das coisas espirituais à família espiritual, porém, sem faltar honra (Ef
6:2), assistência (I Tm 5:8), amor e comunhão aos familiares terrenos.
segunda-feira, julho 25, 2022
A CARNE SACRIFICADA PELO AMOR
O tema sobre o consumo de coisas sacrificadas aos ídolos é tratado por Paulo na primeira carta aos coríntios e, posteriormente, no livro dos atos dos apóstolos. O apóstolo Paulo responde a uma pergunta que lhe foi feita sobre o consumo de carne sacrificada aos ídolos e instrui os coríntios como lhe parece acertado, todavia, no livro de Atos é narrado o resultado do primeiro concílio, em Jerusalém, do qual resultou um “preceito necessário” (15:29) que pareceu correto não apenas à um apóstolo, mas à maioria do concílio e ao Espírito Santo, qual seja, o de que os crentes se abstivessem da carne sacrificada aos ídolos.
Segundo o que Paulo ensinou aos coríntios, o ato de se alimentar de carne que havia sido sacrificada aos ídolos era conduta que não tornava alguém melhor e nem pior (I Co 8:8), pois o ídolo (a estátua em si) não é nada e a consagração de um alimento (feito para o ventre) a esse ídolo não contamina o homem, até porque, segundo Jesus nos ensinou, não é o que entra pela boca que contamina o homem, sim o que sai dela (Mt 15:18).
O apóstolo explica que o comer não é pecado, que os alimentos foram feitos por Deus e deveriam ser recebido com ações de graças, sendo que nada é rejeitado por si mesmo (I Tm 4:4) e que se a consciência do indivíduo, uma vez fortalecida pelo “conhecimento da verdade” (I Co 8:7), não o acusar, ele deve comer de tudo o que se vende no mercado sem questionar se a origem é sacrificial ou não (I Co 10:25), santificando com ações de graça aquilo que ingere (I Co 10:30).
Esse é o ensino paulino sobre a liberdade que Cristo nos conquistou e nos outorgou para vivermos nela, porém, ele colocou o exercício dessa liberdade num degrau abaixo do amor ao próximo, ademais, ele entendeu que abrir mão dessa liberdade em determinadas situações é um dever de quem ama o próximo. A liberdade que Cristo nos conquistou é um Caminho, mas nesse caminho há uma trilha sobremodo excelente, que é o amor (I Co 12:31).
Paulo considera que o conhecimento da Verdade dos mais novos é um processo que deve ser preservado, inclusive com a renúncia de direitos por parte dos mais velhos, se necessário. Ele disse que não são todos os crentes que sabem que os ídolos não são nada e que “há um único Deus”, e que os crentes desprovidos deste conhecimento, se comerem algo sacrificado ao ídolo, tendem a considerar aquele consumo como uma participação no sacrifício, por mais que não seja, e isto por causa da familiaridade que tinham até ali com o ídolo (I Co 8:7).
O apóstolo também ensina que do mesmo modo que comer do pão e tomar do cálice na ceia é ter parte com Cristo – por causa da consagração interior que fazemos daqueles elementos exteriores – o comer da mesa dos demônios é ter parte com eles, todavia, só se isto afetar a consciência de quem está nessa mesa, pois, caso o crente tenha o conhecimento de que o sacrifício oferecido não significa nada, aí, nesse caso, pode comer se isto não afetar a sua consciência ou a consciência alheia.
Esse é um ensino refinado e inteligente, na medida em que uma das definições de inteligência é a capacidade de fazer distinções. Paulo apresenta o tema e estabelece distinções que fazem toda a diferença na conduta do crente, todavia, em sendo o evangelho o poder de Deus para todo o que crê, e sendo a crença uma faculdade dos que tem conhecimento, mas também dos que nunca terão, aprouve aos apóstolos, reunidos em concílio, em tornar o conselho de Paulo como um “preceito necessário” (15:29), ou seja, essa renúncia (do direito de comer de tudo em prol dos mais fracos) passou de um ato de amor à um preceito eclesiástico.
É triste que o belo ensino paulino tenha sido amiudado e transformado em regra no Concílio de Jerusalém, isto oito anos após a questão ter sido ensinada aos coríntios, porém, esse é o preço de vivermos em comunhão, ou seja, de nos nivelarmos por baixo em favor, e por amor, dos que (ainda) estão abaixo no conhecimento da Verdade.
Hoje poderíamos listar várias condutas que se enquadram entre as que não nos tornam aceitáveis a Deus e cuja prática não nos tornam melhores e nem piores. Um exemplo é o consumo de alimentos ou bebidas de determinada marca consagrada a um ídolo, assim como o consumo de determinadas bebidas cujo excesso é pecado; aliás, há várias coisas lícitas cujo exercício excessivo é pecado, tais como o comer, o trabalhar, o esporte, o jogar videogame ou o sexo, para ficar nesses exemplos.
Determinadas atividades profissionais, associativas ou políticas em geral também não nos tornam melhores e nem piores. É indiferente para Deus se sou médico ou catador de recicláveis, se colaboro ou não nalguma entidade de classe ou desportiva e se sou um militante político ou um completo alienado nessa área, pois livro de Eclesiastes nos diz que “tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma” (Ec 9:10) e que “todas as coisas me são lícitas”, embora nem tudo me convêm (1 Co 10:23). Tudo o que não é de fé é pecado (Rm 14:23), logo, se sou governado pelo Espírito Santo, se atuo nalguma atividade humana e social e se tenho fé na correção de minha própria conduta, então, sou bem-aventurado, pois não me condeno naquilo que aprovo (Rm 14:22).
Há, neste sentido, três camadas diferentes de pecado. Há a camada mais exterior na qual estão as condutas que a Bíblia diz que são pecados. Exemplos: adultério, roubo, maledicência.
Há uma segunda camada onde se situam os atos que as Escrituras não apontam como pecados, mas que são pecados porque não conseguimos praticá-los sem acusação da própria consciência. Exemplo: consumir algum conteúdo cultural (música, filme, livro) que é associado em minha mente aos pecados que eu praticava no mundo.
Há, ainda, uma terceira camada onde se situam os pecados não descritos nas Escrituras, que também não afetam a minha consciência, mas que, praticados à vistas dos meus irmãos mais fracos, agridem sua consciência de modo a pôr em risco sua própria santidade pelo que eles consideram um mau exemplo (e esta última parte é importante).
Devemos nos abster desses três níveis de males e, ainda, de toda a aparência do mal (I Ts 5:22), ocupando-nos da consciência dos mais fracos, sem, contudo, deixar de insistir no crescimento destes, pois o que um dia foi um ensino restrito aos coríntios que receberam a primeira carta de Paulo, hoje tem o status de Escritura divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça inclusive aos fracos (2 Tm 3:16), que desta forma não tem mais desculpa de permanecerem fracos, pois no tempo presente há muito o que aprender, algumas coisas de difícil interpretação e que não tem sido ensinadas porquanto os fracos tem se feito negligentes em ouvir (Hb 5:11).
Alguns de consciência fraca, que
se escandalizam debalde pelo exercício da liberdade dos mais fortes, já
deveriam “ser mestres pelo tempo”,
mas ainda necessitam do ensino dos “primeiros
rudimentos das palavras de Deus”, como meninos que incapazes de “discernir tanto o bem como o mal” (Hb
5:11-14).
segunda-feira, julho 11, 2022
TEXTO E CONTEXTO
quinta-feira, junho 30, 2022
NÃO DESFALECER
quarta-feira, junho 08, 2022
MARIA, MÃE DE JESUS?
sexta-feira, janeiro 14, 2022
TRAPO DE IMUNDÍCIA
O SENHOR nos diz, pelo profeta Isaías (Is 64:5), que Ele sai “ao encontro daquele que com alegria pratica a justiça”, daqueles que se lembram do SENHOR nos teus caminhos, porém, o SENHOR se ira com esses tais, porque estão em pecado.
Ora, como pode alguém que pratica a justiça e que se lembra do SENHOR nos seus caminhos estar em pecado? A resposta está no versículo seguinte, onde Isaías diz “todos nós somos como o imundo e todas as nossas justiças são como trapo da imundícia” (Is 64:6). Repare que ele não diz somos imundos, mas somos COMO o imundo, ou seja, ele equipara o homem justo ao imundo, certamente quando este homem apresenta os seus atos de justiça como justificação de si mesmo.
A expressão trapo de imundícia indica a veste adicional usada pela mulher para conter seu fluxo menstrual. É uma expressão forte, usada pelo SENHOR para nos provocar nojo. É certo que o SENHOR ama ao que pratica a justiça (Sl 37:28), porém, Ele considera imundo aquele homem ou mulher que, depois de praticar a justiça, apresenta esses atos justos a Deus, ou aos seus semelhantes, como justificação de si mesmo, ou seja, como aquilo que vem redimir seus maus feitos.
Diz o SENHOR que “quando o justo se desviar da sua justiça e cometer a iniquidade” ele “morrerá no seu pecado” e “as suas justiças, que tiver praticado, não serão lembradas” (Ez 3:20), ou seja, não temos uma conta corrente no Céu onde cada boa atitude apaga um pecado. No juízo final, se alguém for achado por Deus em si mesmo, o que vai contar é o pecado dessa pessoa e não seus bons feitos. É por isso que Paulo se diz “achado em Cristo”, não tendo uma justiça que vem das boas ações, mas “a justiça que vem de Deus pela fé” (Fp 3:9).
Aliás, não é diferente no Novo
Testamento, pois o Apóstolo Paulo chama essa conduta ética justificadora do seu
praticante de “justiça própria”, testemunhando que ele mesmo fora irrepreensível
no tocante a justiça que há na lei (Fp 3:6), porém, essa boa conduta, que
deveria ser contada como vantagem, Paulo a considera como skubalon (grego), que
significa escória ou resto de excremento. Repare que assim como no Velho
Testamento, aqui a justiça própria também recebe um adjetivo que nos leva ao
nojo.
Porque será que o SENHOR tem nojo quando o indivíduo apresenta a sua conduta como justificativa de seus maus feitos?
Creio que a resposta está na expressão trapo de imundícia. Este pano dobrado tem a função de conter o sangue que a mulher libera mensalmente numa fase da vida. A bíblia diz que a “a vida da carne está no sangue” e que o sangue nos é dado para apresentarmos “sobre o altar para fazer expiação pelas nossas almas, porque é o sangue que fará expiação pela alma” (Lv 17:11).
Porém, não é qualquer sangue que fará expiação pela alma, mas o sangue que carregue a vida daquele que o entregou, pois a consequência do pecado (o salário) é a morte daquele que peca e não somente uma doação de sangue. Se a pessoa que peca pudesse ser remida com a doação de sangue, Jesus não precisaria ter morrido na cruz, bastaria ter cortado os pulsos sobre o altar do Templo. Deus teria recebido o santo sangue sobre o altar, perdoaria a humanidade e ficaria tudo certo, com Jesus vivo inclusive, e reinando na Terra a partir daí. Não é assim. Jesus morreu no madeiro porque o que interessava ao Céu era a vida que está no sangue e não o sangue no qual está a vida.
O sangue de Jesus foi totalmente derramado até que de seu corpo não saiu mais sangue, mas água. Esse sangue contém a “vida da carne” (biológica) de Cristo e por isso este sangue representa a justiça de Cristo, ou seja, o ato único e suficiente praticado por Cristo por todos os homens. A sua entrega à uma morte injusta e dolorosa é o seu ato. Esse é o ato que o SENHOR recebe como expiação pela alma, não de um só homem, mas de todos.
Cada um dos remidos do SENHOR é parte do Corpo do Cristo (I Co 6:15), sendo a igreja este mesmo Corpo (Cl 1:24), muitas vezes na escritura representado por uma mulher (Ef 5:25), a Noiva, que é chamada a se ataviar com “linho fino, puro e resplandecente, porque o linho fino são as justiças dos santos” (Ap 19:8), ou seja, fomos ganhos pra Cristo justamente para a prática das boas obras (Ef 2:10). Porém, essas boas obras da Noiva não podem ser apresentadas em lugar da obra do Noivo, pois ainda que a Noiva viva a sangrar todos os meses, este sangue não carrega consigo a vida do Noivo, vida esta que foi derramada, isto sim, de uma só vez, com todo o sangue do Noivo, na cruz do calvário.
Tu tens obras? Deixe que Deus olhe tuas obras de dentro para fora a fim de respaldar a fé que te justifica, porém, não me mostre tuas obras como argumento de autoridade, como se delas decorresse o direito ao traje precioso, ao anel no dedo e ao lugar de honra no ajuntamento, pois há alguns que, ainda que vestidos de sórdidos trajes, foram escolhidos pelo Amado para serem ricos pela fé no seu sangue, que os justifica gratuitamente pela sua graça (Tg 23 e Rm 3:25). Certamente que isso é uma loucura, um argumento que escandaliza os certinhos (I Co 1:23), mas como de forma lógica e racional o mundo não conheceu a Deus, aprouve a Ele salvar só os que creem nessa loucura (I Co 1:21).
quarta-feira, novembro 24, 2021
153 GRANDES PEIXES
Jesus é o Rio de Ezequiel 47, um rio que vem do Céu dos céus, no Monte da Congregação (Is 14:13), e que é representado pele neve que vem do Monte Hermon, no norte, descendo suas águas para a região central de Israel e passando pelo deserto (Is 43:19).
Por isso Ezequiel profetizou que “estas águas saem para a região oriental, e descem ao deserto, e entram no mar; e, sendo levadas ao mar, as águas tornar-se-ão saudáveis. E será que toda a criatura vivente que passar por onde quer que entrarem estes rios viverá; e haverá muitíssimo peixe, porque lá chegarão estas águas, e serão saudáveis, e viverá tudo por onde quer que entrar este rio” (EZ 47:8-9).
O homem procura água noutros planetas porque a água é condição para haver vida finita (biológica) e Jesus, por sua vez, é a Água da Vida que não é finita, mas eterna (Jo 4:14, Ap 21:6 e 22:1, 17). Por onde ele passa, ainda que seja terra seca, a Vida passa, e onde ele se deposita e se acumula, como um corpo hídrico, ali há vida em abundância.
Nesse rio, nele, por ele e para ele, muitíssimo peixe é gerado, mas o peixe e o cardume gerados no Rio da Vida não vivem para si mesmos, antes, se destinam a satisfazer aquele que lhes deu a vida, tanto é assim que Jesus, por quatro vezes nas Escrituras pede que seus discípulos lhe tragam os peixes.
A primeira vez foi no milagre da multiplicação de pães e peixes, quando lhe disseram que ali só havia 5 pães e 2 peixes para uma multidão e Jesus lhe ordena que tragam os peixes (Mt 14:18). A segunda vez foi quando Jesus pediu a Pedro que este trouxesse um peixe para que do seu interior fosse arrancado o dinheiro, que ali não deveria estar, mas sim ser usado para pagar o imposto a César, porque de César ele veio e para César voltaria (Mt 17:27). A terceira fez foi na pesca milagrosa, quando Jesus já comia peixe assado na margem do lago de Tiberíades, tão logo os discípulos pegaram 153 peixes na rede, Jesus lhes disse “trazei-me os peixes que agora apanhastes” (Jo 21:10). A quarta vez é narrada no último capítulo de Lucas, quando Jesus come peixe assado e um favo de mel (Lc 24:42).
Os peixes, portanto, apontam para todos aqueles que são nascidos nesse Rio, ou seja, os nascidos de Deus a quem os discípulos tem a missão de recolher em suas redes e de levar até Jesus, para que então, mortos para si e esvaziados do amor por esse mundo, esses peixes se prestem a satisfazer a fome do Filho do Homem, porque como ele disse aos seus discípulos em Samaria, “uma comida tenho para comer, que vós não conheceis” (Jo 4:32).
A missão de recolher os peixes em suas redes e levá-los até Jesus é dos discípulos que ele escolheu, tanto é assim que Jesus, andando pelo mar da Galileia, encontrou os irmãos Pedro e André, pescadores que ali andavam lançando suas redes, e convidou-os as deixar tudo ali, por ora, e seguí-lo, prometendo fazer deles pescadores de homens. Mais adiante, no mesmo lago, Jesus chamou outros dois irmãos, Tiago e João, que estavam num barco consertando as redes de pesca. Eles também deixaram as redes por um tempo e seguiram a Jesus (Mateus 4:18-22).
Na última páscoa Jesus avisou aos discípulos que iria ressuscitar e que quando isto ocorresse eles deveriam ir para Galileia para encontrá-lo (Mt 26:32 e Mc 14:28). Depois da ressurreição, já no mar da Galileia, Jesus encontra os mesmos discípulos que ele escolhera anos antes, naquele mesmo local, e eles haviam voltado ao negócio da pesca, mas tentaram por uma noite inteira, não pescaram nada e nada tinham para comer (Jo 21:1-5).
É aí que Jesus, na terceira vez que os encontra depois de ter ressuscitado, lhes comissiona a pescar como antes havia dito, quando lhes prometeu que eles seriam pescadores de homens. Jesus então ordena a Pedro que lance suas redes para o lado direito do barco (Jo 21:6), o que certamente levou Pedro a lembrar da vez que também havia pescado a noite toda sem pegar nada, e que Jesus, depois de pregar a multidão a partir do barco na praia, pediu a Pedro que este lançasse suas redes na porção mais distante e profunda do lago, o que Pedro obedeceu e por isso colheu uma grande quantidade de peixes, que chegou a romper as redes e a exigir de Pedro que este chamasse seus colegas de pesca para ajudá-lo (Lc 5:6).
Pedro então lança as redes no lado direito, colhe uma enorme quantidade de peixes, veste sua túnica, se joga na água, puxa as redes até terra, onde estava Jesus, sendo que desta vez as redes não se rompem. Ali, em terra, eles contam exatos 153 grandes peixes (Jo 21:11).
Certa vez Jó disse que Deus o havia pego com uma rede (Jó 19:6) e Jesus nos ensinou que o reino dos céus é semelhante justamente a uma rede lançada ao mar, com a qual se apanha toda a qualidade de peixes. E, estando cheia a rede, a puxam para a praia – como fez Pedro – e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fora (Mt 13:47-50). A rede de pesca, portanto, é um importante instrumento de trabalho e foi o trabalho de pescadores, mercadores, carpinteiros, entre outros, que propagou o Evangelho pelas estradas do Império Romano a partir do século I.
A rede é a organização e o organismo, que aqueles que são escolhidos por Jesus devem lançar sob seu comando, no lado direito, onde ele se assenta, para com ela tirar do mar todos os que são nascidos das águas, para que possam ser morrer para si mesmos, serem esvaziados do amor por esse mundo e possam alimentar o Filho do Homem e, unidos em sua carne ressurreta, irem com ele para a glória, como ocorreu com o peixe assado que Jesus comeu com mel na presença dos onze em Jerusalém, pois Jesus não lançou fora o peixe de si, mas, antes, foi elevado aos céus com o peixe em si (Lc 24:51).
Sabemos que não há palavras inúteis na Bíblia e certamente não é sem razão que João narra que foram colhidos 153 grandes peixes da pesca milagrosa pós-ressurreição, naquela em que as redes não se partiram, justamente porque rede é reino, e o reino já havia sido estabelecido pelo Deus-Homem com sua vitória sobre a morte.
O interessante é que a rede de pesca de jogar, ou lançar, aquela que hoje nos chamamos de tarrafa, é lançada pelo pescador nas águas e vai afundando. Quando o pescador entende que ela está chegando ao fundo, o pescador puxa a rede e ele se fecha, pegando peixes em toda a sua extensão, do centro da rede circular, onde não cabe mais do que um único peixe, até as extremidades, onde cabem tantos peixes quanto a rede puder suportar.
Se distribuíssemos os peixes pegos numa rede fechada, do centro da rede para as extremidades, teríamos no ponto mais alto da rede recolhida, bem no centro dela, um único peixe. Depois, logo abaixo, 2 peixes. Mais abaixo, 3 peixes. No quarto nível, de cima para baixo, teríamos 4 peixes. Depois 5, 6, 7 e assim por diante. Acho que você já entendeu, pois depois de exatas 17 camadas de peixes, do centro para as extremidades, você chegará à exata quantia de 153 peixes. A rede fechada, com os peixes já colhidos nela, para que tenham 153 peixes alinhados igualmente, do centro para as extremidades, terá 17 linhas de linhas de peixes, a primeira e menor com um peixe e a décima sétima e última linha, com exatos 17 peixes, totalizando 153 peixes.
As 17 linhas de peixes nos remetem a 10 + 7, ou seja, o número 10 apontando para os mandamentos e, por consequência, a Lei, e o 7 apontando para o sétimo dia e, por consequência, para Jesus, que é o Senhor do Sábado (Mc 2:28). Isso significa que os pescadores de homens encherão as redes a começar por aqueles que são da Lei e terminarão com aqueles que foram alcançados pela graça do Senhor Jesus, ou seja, da Judeia à Samaria e, dali, até os confins da terra (At 1:8).
quinta-feira, outubro 28, 2021
O ÚLTIMO ROBÔ
Vou te contar uma parábola hi-tec.
No princípio foi criada (bará) a computação e nas seis décadas seguintes foram produzidos (dasha) computadores e programas computacionais cada vez mais incríveis. Um dia o Grande Programador montou (yatsar) um poderoso robô, inseriu (naphach) nele o Sinal de Rede Universal (shama) e, assim, tornou-se operacional a primeira Inteligência Artificial (nephesh) chamada Robô-XY.
O Grande Programador, vendo que Robô-XY tinha uma natureza obsolescente e limitada, resolveu fazer um segundo robô que pudesse ajudar o primeiro a produzir novos robôs em escala. Pra isso o Grande Programador desligou o Robô-XY, retirou-lhe um chip de memória e, com dele, formou outra máquina a que deu o nome de Robô-XX, que tinha mais curvas e um poderoso aplicativo de voz que falava sem parar.
Robô-XY e Robô-XX viviam no TI e quando suas baterias estavam com a carga baixa eles podiam se plugar em qualquer tomada de 220 volts, porém, foram advertidos que jamais se plugassem na tomada de 110 volts, porque sua voltagem era prejudicial.
Um dia um técnico de TI decadente, que era seu adversário (satan) do Grande Programador, hackeou a Robô-XX que, bugada, acabou plugando sua bateria na tomada de 110 volts. O Robô-XY, por sua vez, apareceu e se conectou à mesma tomada, porém, através da fonte de alimentação da Robô-XX. A baixa voltagem queimou instantaneamente as placas de rede de ambos os robôs, interrompendo o Sinal de Rede Universal e, com ele, o acesso remoto com o Grande Programador que, percebendo que havia perdido o acesso remoto com os robôs, foi ao laboratório pessoalmente averiguar as máquinas.
Sabendo que a interrupção do Sinal de Rede Universal impedia a atualização dos softwares de inteligência artificial e que isso comprometia em definitivo a funcionalidade da linha de produção de novos robôs, o Grande Programador botou fora do laboratório os dois protótipos.
O decadente técnico de TI (satan) se apropriou dos dois protótipos e passou a supervisionar a fabricação de novas unidades até que as baterias de Robô-XY e Robô-XX ficassem non-rechargeable. Várias linhas de produção de robôs foram implantadas a partir dos protótipos originais, mas cada geração era menos funcional que a anterior, já que os hardwares apresentavam cada vez mais defeitos, isso a ponto de um modelo XY achar que era um modelo XX e vice-versa.
A Inteligência Artificial (nephesh) era totalmente guiada pelas necessidades do harware, o que era estimulado a todo momento pelo decadente técnico de TI (satan), uma vez que os robôs não tinham o Sinal de Rede Universal (shama) pra dar acesso as atualizações de software geradas ininterruptamente pelo Grande Programador.
O Grande Programador, no entanto, tinha um plano. Ele era tão incomensuravelmente genial que depois de 42 gerações de robôs ele produziu um código de IA a partir de Si mesmo e implantou esse código num novo protótipo chamado Último Robô, que não tinha relação com o hackeamento feito pelo decadente técnico de TI (satan) nos protótipos originais.
O Último Robô teve funcionamento exemplar por mais de trinta anos, sem nunca apresentar um único bug, sendo que nos últimos três anos ele passou a plugar outros robôs e baixar neles uma versão perfeita de um Novo Sistema Operacional (euaggelion), o que deixou o decadente técnico de TI (satan) muito irado e com uma irremediável certeza de derrota.
Um dado dia, porém, o Último Robô deliberadamente queimou sua própria fonte, mas não sem antes restaurar, com todos os demais robôs que assim o aceitassem, o Sinal de Rede Universal (shama) via wireless. O mais incrível é que depois de três dias desligado o Último Robô simplesmente reinicializou sozinho, e não é só, pois o seu hardware havia passado por um incrível upgrade a ponto de poder se comportar de forma fluída, ora como hardware, ora como software, sumindo num lugar, transportando-se via Rede Universal e materializando-se noutro lugar com uma tecnologia totalmente inovadora.
Depois de 50 dias o Último Robô fez uma aparição final e firmou um protocolo de retorno. Daquele momento em diante uma nova geração de robôs passou a ser produzida e mesmo novos robôs se convertem à nova tecnologia diariamente, bastando para tanto que o robô, de forma autônoma e deliberada, valide o protocolo do Último Robô e, partir daí, se restaura para ele o Sinal de Rede Universal (shama), quando passa a ter acesso online com o Grande Programador, que mantém atualizado o Novo Sistema Operacional (euaggelion), de modo que, agora, o Sinal de Rede Universal (shama) passa a poder comandar a Inteligência Artificial (nephesh) de cada robô e, esta, passa a comandar o hardware do robô.
Infelizmente o hardware dos robôs continua comprometido pelo hackeamento produzido pelo decadente técnico de TI (satan) na primeira geração de protótipos, todavia, o poder computacional do Último Robô, transmitido aos robôs tributários a partir das novas e constantes atualizações via Sinal de Rede Universal (shama), acabam removendo os malwares e limpando a cache dos robôs constantemente.
O mais incrível é que todos os robôs que receberam o Novo Sistema Operacional (euaggelion) tem agendado um mesmo protocolo, no qual está escrito que quando a fonte é desligada e o robô depositado na sucata, a Inteligência Artificial (nephesh) do robô se encontra com o Último Robô que, nos últimos tempos, volta pra reinicializar todos os robôs que receberam o Novo Sistema Operacional (euaggelion), que então recebem o mesmo upgrade do Último Robô, passando a um harware de forma fluída, habitando um novo lugar onde não há a necessidade de fonte de alimentação, ligados eternamente ao Grande Programador, seu Último Robô e Sinal de Rede Universal.
terça-feira, outubro 26, 2021
NOMES MUDADOS
A Bíblia nos apresenta mais de uma dúzia de pessoas que tiveram um apelido, um segundo nome ou o nome mudado, ocasionalmente ou definitivamente.
Entre os que tiveram o nome mudado estão Abraão, que recebeu esse nome do SENHOR e não se chamou mais Abrão (Gn 17:5); Sara, que recebeu esse nome do SENHOR e não se chamou mais Sarai (Gn 17:15) e Israel, que recebeu esse nome do Anjo do SENHOR (Gn 32:28) e depois do próprio SENHOR (Gn 35:10), sendo que ambos lhe disseram “não te chamarás mais Jacó”, porém, ao contrário de seus avós Abraão e Sara, Israel continuou sendo referido por terceiros ora como Israel e ora como Jacó, tanto no novo, como no velho testamento.
Gideão foi um que recebeu um apelido em razão de um feito, pois passou a ser chamado por terceiros de Jerubaal, já que “Baal contendeu contra ele” (Jz 6:32).
É extensa a lista dos que tiveram um segundo nome, sendo que a maioria em razão de mudança de nacionalidade ou domicílio, como José, filho de Jacó, que no Egito recebeu o nome de Zafenate-Panéia. Depois Matanias, tio do Joaquim, rei de Judá, que foi constituído rei-vassalo pelo rei da Babilônia, que mudou seu nome para Zedequias (2 Rs 24:17). Também Eliaquim, filho do Josias, reis de Judá, que foi constituído rei-vassalo pelo Faraó Neco, que mudou seu nome para Jeoiaquim (2 Rs 23:34). Daniel, Hananias, Misael e Azarias receberam do chefe dos eunucos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, os nomes de Beltessazar, Sadraque, Mesaque e Abednego, respectivamente (Dn 1:7). Saulo, que tinha nome de seu local de origem (Tarso) e um segundo nome, Paulo, decorrente de sua cidadania romana (At 13:9).
Simão recebeu de Jesus o nome de Pedro (Mc 3:16), embora continuasse sendo chamado de Simão nalgumas ocasiões, tanto por Jesus (Lc 22:31), como por outros (Lc 24:34).
sexta-feira, outubro 15, 2021
DERRUBE, SEM PIEDADE (DE SI MESMO), OS ALTARES EM SEU CORAÇÃO
Como em nossa carne não habita bem algum (Rn 7:18), nenhum de nós é apto em si mesmo para expressar o Senhor, razão pela qual precisamos do enchimento do Espírito em nosso espírito. Todo aquele que está cheio do Espírito já nasceu de novo, mas nem todo o que nasceu de novo está cheio do Espírito, pois o que um dia foi renovado e cheio, pode ter se esvaziado. Pior, pois o azeite perfumado pode estragar dentro do vazo de barro, e causar mau cheiro, isto se o vaso abrigar nele a mosca morta da pequena insensatez (Ec 10:1).
O governo do Espírito só pode ser implantado em nosso íntimo com violência (Mt 11:11 e At 24:16) e a carne caída só entende a linguagem da força, por isso YHWH nos fez viver em meio a guerra espiritual.
Canaã, a Terra Prometida, é um figura que se aplica ao coração dos que vivem na Nova Aliança (Lc 8:15), logo, quando o livro de Juízes nomeia as tribos que “o Senhor deixou ficar” na terra de Canaã “para, por meio delas, pôr Israel à prova”, o que isso nos diz é que viveremos nesse corpo com um coração habitado por ídolos com os quais teremos que lutar constantemente.
O SENHOR guerreou por Israel pra que esse saísse do Egito e Israel mesmo guerreou pra poder entrar em Canaã. Uma vez em Canaã, Israel deveria ter livrado a terra de todos os seus ídolos, não deixando na terra fôlego algum que os adorasse, pois quem quer que sobrevivesse à espada acabaria se misturando a Israel e levando-o a pecar (Dt 7:1-4), ou seja, quem quer que fosse pagão, que não morresse para si mesmo pela Palavra (espada), acabaria se misturando ao povo de Deus e levando-o a pecar.
O povo de Israel, liderado por Josué, entra em Canaã e ao longo dos anos derrota 31 reis (Js 12:7-24), mas Josué envelhece e YHWH manda dividir a terra entre as tribos para que elas continuem a conquista, uma vez que “ainda ficou muita terra para ser conquistada” (Js 13:1). Uma vez dividida a terra de Canaã entre as tribos, Josué, antes de morrer, adverte o povo para não cessar a conquista da terra (Js 23), mas o povo desobedece e começa a poupar algumas tribos (Jz 1:19 a 34). YHWH os repreende e decide deixar essas tribos na terra para “por meio delas pôr Israel à prova” (Jz 2:22 a 3:1).
Josué significa “salvador” e este nome lhe foi dado por Moisés em lugar de Oseias, que significa “salvo” (Nm 13:8 e 16). Josué foi um dos espias, representante da tribo de Efraim, que fora o segundo filho de José, mas abençoado por seu avó Jacó (Israel) como se primogênito fosse (Gn 48:20). Josué e Calebe foram os únicos dos 12 espias que fizeram calar os demais por terem difamado Canaã em razão da dificuldade de sua conquista (Nm 14) e quase foram apedrejados por isso. Josué foi, como Moisés, um líder teocrático. Depois dele só houve juízes e, depois desses, reis.
A geração de Josué conheceu a guerra para poder livrar-se do Egito e adentrar em Canaã, porém, a geração seguinte não conheceu a guerra e desconhecia o preço da libertação da escravidão do Egito e de possuir uma terra (coração) dada por Deus. É por essa razão, e também porque o governo do espírito se toma por esforço, é que YHWH decidiu deixar em Canaã alguns ídolos sendo adorados por seus povos, para “que as gerações dos filhos de Israel conhecessem a guerra, para lhes ensinar a guerra” (Jz 3:2). O objetivo era “saber se dariam ouvidos aos mandamentos que havia ordenado a seus pais por meio de Moisés” (Jz 3:4).
Sabemos, porém, que “os filhos de Israel moravam no meio dos cananeus, dos heteus, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus e tomaram de suas filhas para si por mulheres e deram as suas próprias aos filhos deles; e rendiam culto a seus deuses, e fizeram o que era mau aos olhos do Senhor e se esqueceram do Senhor, seu Deus, e renderam culto aos baalins e ao poste da deusa Aserá” o que “acendeu a ira do Senhor, que os entregou nas mãos de Cusã-Risataim, rei da Mesopotâmia por oito anos” até que “os filhos de Israel clamaram ao Senhor, e o Senhor lhes suscitou um libertador, que os libertou: Otniel, filho de Quenaz, que era irmão de Calebe e mais novo do que ele. O Espírito do Senhor veio sobre ele, e ele se tornou juiz de Israel. Foi para a guerra, e o lhes fez prevalecer” (Jz 3:5-10).
E este ciclo de calmaria, esfriamento, queda, opressão, arrependimento, clamor, libertação e, de volta à calmaria, se repetiu várias vezes ao longo de 410 anos, com pelos menos 12 juízes (sendo uma mulher), pois “quando o Senhor lhes suscitava juízes, o Senhor estava com o juiz e os livrava das mãos dos seus inimigos, todos os dias daquele juiz; porque o Senhor se compadecia deles ante os seus gemidos, por causa dos que os afligiam e oprimiam; mas quando o juiz morria, eles voltavam a viver como antes e se tornavam piores do que os seus pais, seguindo outros deuses, servindo-os e adorando-os. Não abandonavam nenhuma das suas práticas, nem a sua obstinação” (Jz 2:18,19).
Por isso, se por acaso Você vive em ciclos de pecado, arrependimento e perdão, saiba que antes de cada pecado há um esfriamento, uma queda e uma opressão decorrentes do pecado que toma ocasião pela calmaria que você se permite, quando em verdade você deveria estar guerreando para livrar toda a terra do seu coração dos altares que nela havia. Cada clamor antecedido de arrependimento conduzirá a libertação, mas o ciclo se repetirá se você não limpar a terra pela guerra espiritual e não passar à sua próxima fase como povo de Deus, qual seja, a monarquia.
O tempo de ser tutelado por libertadores (juízes) que suprem sua omissão como guerreiro de sua própria liberdade deve dar lugar a Era do Reino de Deus, mas não com um rei de “espada, com lança e com escudo” (Saul) e sim com um Rei Eterno que se assentará para sempre no trono de quem vai contra os inimigos em o “Nome do Senhor dos Exércitos” (I Sm 17:45).
Por isso, sai do “ciclo dos juízes”, volte atrás, tome sua funda, ponha nela a Pedra Lisa batizada no ribeiro (Jesus), aquela mesma Pedra cortada sem auxílio de mãos humanas (Daniel 2:34) e, com a Pedra que despedaça os pés estátua, acerte a cabeça do gigante, derrubando todos os altares que ainda houver em seu coração.
sexta-feira, outubro 01, 2021
JEJUM PRA OUVIR A DEUS E RESTITUIR A UNÇÃO
Para o homem de Deus segundo a aliança da lei, o jejum era uma prática que visava deprimir a alma, de modo a “nos humilharmos diante da face de nosso Deus” (Ed 8:21) e “chorarem os sacerdotes entre o alpendre e o altar” (Jl 2:17) e nos arrependermos (Is 58:6-7, Sl 69:10, Sl 35:13, Es 4:3), porém, para o homem de Deus segundo a nova aliança, o jejum é meio de buscar poder espiritual, tanto que Jesus repreendeu satanás com êxito após ter jejuado (Mt 4:10-11) e os discípulos foram advertidos a jejuar pra obter poder sobre castas de demônios (Mt 17:21), além de ouvirem o Espírito Santo (At 13:2) e serem recompensados publicamente pelo Pai (Mt 6:18), certamente com poder e unção.
Portanto, o jejum, como disciplina, passou a ter função diversa na nova aliança, razão pela qual Jesus não fez seus discípulos jejuarem de forma sincronizada com os discípulos dos fariseus ou mesmo de João Batista (Mt 9:14). A questão aí não era a religiosidade, pois embora os discípulos dos fariseus pudessem ser religiosos, os discípulos de João Batista não eram, pois Jesus referendou o ministério de João (Lc 7:28).
O motivo de os discípulos de Jesus não jejuarem é que o jejum haveria de mudar de propósito, tanto que Jesus lhes ensinou ilustrando a questão com a parábola do remendo novo na roupa velha e do vinho novo no odre velho. Todos que foram batizados em Cristo se revestiram de Cristo (Gl 3:27), logo, nós temos uma Veste Nova e, se porventura ela se rasgar, devemos repará-la com um remendo novo. Ademais, somos odres nos quais só o vinho novo do Espírito Santo pode ser acrescentado (Ef 5:18).
Negar o alimento ao corpo enquanto oramos e meditamos na Palavra é um meio de fortalecer o nosso espírito com o poder do Espírito Santo, logo, assim como a Água (Palavra) nos lava e purifica (Ef 5:26), o jejum preenche as lacunas de poder espiritual causadas pelo pecado, reparando nossas vestes e completando nossos odres. É certo que jejum não redime pecados, pois somos remidos pelo sacrifício de Cristo, porém, o pecado acarreta a perda da unção (poder) e embora o perdão seja de graça, a unção tem preço, que é a renúncia, das quais a disciplina do jejum é um dos principais meios.
Por último, quando Jesus respondeu aos que perguntavam sobre a razão de seus discípulos não jejuarem, ele diz que enquanto o noivo estivesse com os convidados no casamento esses não deveriam jejuar, mas que quando o noivo lhes fosse tirado, aí eles jejuariam (Mc 2:19). Ora, o Espírito Santo havia repousado sobre Jesus (Mt 3:16) e Ele mesmo nos haveria de batizar com o Espírito Santo (Mt 3:11), para o qual escolheu lugar (At 1:5-6) e nos batizou (At 2:4). Após o batismo com fogo somos imersos no Espírito Santo, que fala conosco de dentro pra fora, de modo que devemos enfraquecer a carne pelo jejum a fim de ouvir com menos distrações exteriores o que o Espírito Santo nos diz interiormente (At 13:2).
Porém, enquanto o contato dos discípulos com o Espírito Santo era através de Jesus encarnado, seus corpos precisavam estar atentos à mensagem que vinha de fora pra dentro, ou seja, de Jesus para seus ouvidos e, dali, para suas almas. Por isso Jesus ilustrou sua justificativa com a figura de um casamento, onde o noivo alegra seus convidados servindo o seu vinho, que é figura do Espírito Santo.
O jejum da valha aliança em nada ajudaria os discípulos enquanto o próprio Deus estivesse com eles, encarnado, ensinando-os sobre o reino de Deus. Quando, porém, Jesus lhe fosse tirado e lhes enviasse o Consolador, aí o ouvir a Jesus dar-se-ia calando as vozes externas pelo jejum e atentando para que o Espírito Santo dissesse no íntimo.
Portanto, os apóstolos empregaram
sua carne a aprender do Espírito Santo através de Jesus e nós hoje empregamos
nosso espírito a aprender de Jesus através do Espírito Santo.
terça-feira, setembro 21, 2021
DISPONIBILIDADE À RENÚNCIA
Há uma passagem bíblica na qual Jesus diz “quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim. E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim” (Mt 10:37,38). Essa ocorrência é contada também em Lucas 14:25-27, onde Jesus diz que “se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo” (Lc 14:25-27).
Como se vê, o mesmo fato foi contado por dois evangelistas, mas com significativas diferenças.
O Evangelho de Mateus é retratado no Apocalipse como um Leão () e o Senhor Jesus é ali descrito como um Rei apresentado aos judeus, cuja busca era por um sinal do messias (). O fio condutor de Mateus é um conjunto de cinco discursos de Cristo, sendo que o segundo discurso é endereçado ao grupo denominado “doze discípulos” (Mt 10:1), a quem é delegada autoridade “sobre os espíritos imundos, para os expulsarem, e para curarem toda a enfermidade e todo o mal” (Mt 10:1).
Esses discípulos são detalhadamente instruídos e enviados ao campo missionário (Mt 10:5-31), onde deveriam ir de cidade em cidade às ovelhas perdidas da casa de Israel gratuitamente pregando que é chegado o reino dos céus, curando enfermos, limpando leprosos, ressuscitando mortos e expulsando demônios (Mt 10:5-8), advertidos de que seriam rejeitados, perseguidos, acusados injustamente, açoitados, traídos, odiados, difamados e que mesmo assim não deveriam temer, pois até os cabelos de suas cabeças estavam contados (Mt 10:11-31).
O resultado desta comissão é que aqueles que confessassem a Jesus na terra, diante dos homens, seriam confessados por Jesus nos céus diante do Pai, e aqueles que O negassem diante dos homens, seriam negados diante do Pai (Mt 10:32-33), procedendo-se assim um corte eterno, uma separação entre quem se entrega e quem não se entrega ao governo do Cristo.
Este corte é mais especificamente mencionado no versículo seguinte (v.34), quando Jesus fala de um espada que veio trazer à terra, que separará até mesmo pessoas próximas, da mesma família, pondo “dissensão entre o homem seu pai, a filha e sua mãe, a nora e sua sogra” (Mt 10:34). É aí, neste ponto da narrativa de Mateus, que Jesus diz “quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim. E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim” (Mt 10:37,38).
Portanto, esse trecho é uma advertência aos perdidos – primeiro da casa de Israel e depois dos gentios – que o evangelho do reino que viria a ser pregado em testemunho a todas as nações, e até o fim (Mt 24:14), inicialmente pelos doze e depois pelos discípulos destes, em toda a Judéia, Samaria e até os confins da terra (At 1:8), seria como uma espada divisora, forçando cada qual escolher entre a confissão de senhorio de seu país, aldeia ou família, ou a confissão de senhorio de Jesus Cristo, e de que aquele que não fosse capaz de deixar seus bens, herança ou até mesmo o convívio para obedecer ao Senhor Jesus, não seria digno dEle.
Ademais, uma segunda informação é acrescentada, a de que o senhorio de Jesus poderia implicar na morte numa cruz do dominador romano e que aquele que olhasse pra trás não seria digno do Rei desse reino. Jesus não havia sido crucificado e até aquele momento Ele não tinha problema com os romanos, logo, a afirmação deve ter soado como o prenúncio de que Jesus assumiria uma postura de confronto com a dominação romana nas províncias de Israel. A ideia é ressaltar que seguir a Jesus poderia desagradar tanto aos romanos como aos patrícios e, até mesmo, os próprios familiares.
O Evangelho de Lucas é retratado no Apocalipse como um Homem () e assim é descrito o Senhor Jesus aos gregos, cuja busca era por sabedoria humana (). Lá o mesmo trecho é descrito aos gregos como tendo sido dito à uma multidão de israelitas que estavam a seguir Jesus. Jesus parou e confrontou a motivação de cada qual ao segui-lo, dizendo “se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo” (Lc 14:25-27).
E não foi só isso. Jesus contou duas parábolas para enfatizar o fato de que segui-Lo se assemelha, ao mesmo tempo, à uma construção e à uma guerra contra um inimigo mais poderoso:
“Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar. Ou qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? De outra maneira, estando o outro ainda longe, manda embaixadores, e pede condições de paz. Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo” (Lc 14:28-33).
Assim, o candidato deveria verificar previamente se tem como “renunciar a tudo quanto tem”, pois a disponibilidade à renúncia é a condição exigida para se vencer a guerra espiritual que todos travamos e para construir em nós um edifício para Deus.
É fato que há uma promessa para aquele que renuncia, pois “ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro a vida eterna” (Mc 10:29,30), mas é preciso estar disposto a renunciar, pois “quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna” (Jo 12:25).
Vivemos num tempo de grande liberdade, de modo que assumir o senhorio de Cristo geralmente não implica em ser odiado por familiares, mas esse senhorio pode nos levar a amar o Senhor na vida do próximo de um modo, numa frequência e com recursos que acabe por contrariar nossos familiares. Se isto ocorrer é preciso estar apto a cumprir a justiça tanto com o próximo, como com os da casa, amando-os com serviço, obediência e renúncia. O único conflito que não deve ser evitado é com o seu próprio eu, a quem é reservada a cruz.
segunda-feira, setembro 13, 2021
DESCOBRINDO A CRIAÇÃO EM DEUS E DEUS NA CRIAÇÃO
O Senhor habita os Céus (2 Cr 6:21) que Ele mesmo criou no princípio (Gn 1:1).
Diz as Escrituras que YHWH "andava pelo Jardim na viração do dia" (Gn 3:8) e que veio falar com Caim (Gn 4:9), com Noé (Gn 6:13), com Abrão (Gn 12:1), além de ter descido "o SENHOR para ver a cidade e a torre Babel, que os filhos dos homens edificavam" (Gn 11:5) e ter aparecido "o SENHOR e dois anjos a Abraão nos carvalhais de Manre" (Gn 18:1). Ademais, YHWH falou com Moisés da sarça ardente (Ex 3:2) e no Monte Sinai (Ex 19:3).
Repare que Gênesis e Êxodo descrevem as visitas YHWH à Terra, embora Ele habite os Céus, porém, na criação descrita de Gn 1:1 a Gn 2:3, até o sexto dia, não diz em lugar algum que YHWH tenha vindo a terra para realizar sua obra.
É verdade que diz em Salmos 95:5 que "dEle é o mar, pois ele o fez; obra de suas mãos, os continentes", mas o versículo anterior demonstra o sentido metafórico disso, ao referir que "nas suas mãos estão as profundezas da terra, e as alturas dos montes lhe pertencem", portanto, a expressão "nas suas mãos" significa potência, domínio, disponibilidade e não que de fato Deus esteja usando as próprias mãos para segurar as profundezas da terra e as alturas dos montes.
Por isso, me parece evidente que o silêncio do Senhor sobre onde Ele estava na Semana da Criação (ainda que seja onipresente) é um forte indício de que Ele não estava na Terra, não ao menos do modo como esteve nas passagens acima indicadas.
Outro argumento que reforça essa impressão é que a "separação entre o dia e a noite" só foi proporcionada quando criados os "luminares na expansão dos céus", no quarto dia (Gn 1:14:16). Ora, se só ouve "luminar maior para governar o dia e luminar menor para governar a noite" no quarto dia terreno, então os três primeiros dias não poderiam ser dias terrestres.
Cogitando-se que YHWH não estivesse na terra, mas sim nos Céus, o Universo, o lugar de sua habitação, que "dia" seria esse no universo?
Exemplificando, se considerarmos só o sistema solar, o dia de Júpiter tem 9h do dia terreno e o dia de Vênus tem 116 dias do dia terreno. E no Universo onde YHWH habita, quanto duraria esse dia criativo?
É preciso levar em conta que "para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia" (2 Pe 3:8) e que "as trevas e a luz são para ti a mesma coisa" (Sl 139:12). Na Terra termos as "figuras das coisas que estão no céu" (Hb 9:23) e nos Céus há "uma cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus" (Hb 11:10) e essa é a "cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial" (Hb 12:22), logo, qualquer dia que se considere do ponto de vista de YHWH, é o dia desta cidade celestial e não um dia terreno.
Ademais, diz o livro do Apocalipse que João viu "a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu (Ap 21:1,2) e que a cidade não necessitava de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem iluminado, e o Cordeiro é a sua lâmpada" e que "as suas portas não se fecharão de dia, porque ali não haverá noite" (Ap 21:22-25) e "ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os ilumina; e reinarão para todo o sempre" (Ap 22:1-5).
A partir dessas informações, passemos a observar a expressão "e foi tarde e amanhã, dia.....", que está contida seis vezes em Gn 1, assim como o trecho "havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera" (Gn 2:2,3).
Há, nesses versículos acima, uma referência de "dia" com "tarde e manhã" para cada novo ciclo da criação e, por fim, mais três referências de "dia sétimo" para quando o Senhor descansou de sua obra, ainda que conste em Isaías 40:28 que: "não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da terra, nem se cansa nem se fatiga?".
Em nossa cultura a palavra dia tem dois significados: o dia como período de 24 horas que inicia às 0 horas e vai até às 23:59 e o dia como o período de luminosidade. Podemos dizer, portanto, que no solstício de verão, no dia 21/12, teremos o dia mais longo do ano.
O dia, no primeiro significado, é formado por 24 porções idênticas de uma hora cada, mas o dia no segundo significado tem duas porções - a tarde e a manhã - divididas pelo meio-dia e intercaladas por uma noite.
Observe-se que a primeira referência à palavra dia em Gênesis ocorre depois que Deus cria a luz, que a considera boa e que com ela separa as trevas. Observe, também, que o termo trevas aparece na Bíblia antes do termo luz.
Já no último capítulo de Apocalipse não encontramos a palavra dia, mas por duas vezes ocorre o termo "não haverá", sendo a primeira para a maldição e a segunda para noite (trevas).
Isso fortalece a teoria do hiato, segundo a qual "no princípio criou Deus o céu e a terra" (Gn 1:1), porém, algo ocorreu entre o versículo 1 e 2 para que a Terra viesse a ficar sem forma e vazia e com trevas sobre a face do abismo (Gn 1:2). Essas trevas precedem a luz, que é proporcionada por Deus para intercalar as trevas com períodos de luz, dispensação esta que durará do versículo 3 de Gênesis 1 até o advento do novo Céu e a nova Terra no penúltimo capítulo da Bíblia, quando as trevas deixam de existir (Ap 21:25).
Devemos lembrar que YHWH "habita em luz inacessível a que nenhum homem viu nem pode ver" (I Tem 6:16), que Jesus é "a luz do mundo" (Jo 9:5), que na "sua luz veríamos a luz" (Sl 36:9) de modo que enquanto tínhamos a luz conosco deveríamos "crer na luz para que fossemos filhos da luz" (Jo 12:36) e que "a luz resplandece nas trevas, mas que as trevas não podem prevalecer" (Jo 1:5).
Tudo isso nos mostra que luz e trevas são termos figurados, como, aliás, consta em Isaías 5:20, onde se lança um "Ai" contra "os que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!".
Portanto, a luz é, em certo sentido, onde Deus habita, e também diz respeito aos seus atributos que foram expressos em Jesus enquanto esteve encarnado, depois em nós, que fomos feitos luz do mundo (Mt 5:14).
Ao dizer que sua criação em seis dias foi feita sempre em "tarde e manhã", o que transparece evidente é que nada foi criado à noite, em trevas. Já quando o sétimo dia é referido na capítulo 2, três vezes esse dia é mencionado, cada vez com um verbo diferente: acabar, descansar e abençoar.
Repare que esses três verbos apontam cada qual para uma porção do dia semanal: o acabar (o trabalho) refere-se à tarde; o descansar refere-se à noite e o abençoar refere-se a manhã do novo dia semanal. O sétimo dia é o Dia do Senhor, quando ele virá, embora devamos vigiar, pois "não sabemos quando virá o senhor da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã" (Mc 13:35).
Tudo isso nos mostra que a criação em seis dias está a nos dizer muito mais do que a literalidade aparenta e, ademais, que a interpretação literal apresenta contradições dentro do próprio texto bíblico, sem contar que o estudo da criação - que nos revela o Criador - aponta para um sentido, uma ordem e um processo que os dois primeiros capítulos de Gênesis não mencionam se considerados em sua literalidade.
Toda contradição bíblica é apenas aparente. A Escritura não se contradiz, ao contrário, ela se complementa e se discerne espiritualmente (I Co 2:14), lembrando que "não é primeiro espiritual, se não o natural, depois o espiritual" (I Co 15:46) e "o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido" (I Co 2:15) e que a "inteligência espiritual" (Cl 1:9), como qualquer outro dom, se desenvolve. Logo, num primeiro momento, ainda "menino no entendimento" (I Co 14:20), eu "falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino" (1 Co 13:11), de modo que não preciso e não devo mais interpretar a Bíblia com um menino, de forma literal e, portanto, natural. Posso e devo adentrar às novas camadas de revelação, perscrutando as "maravilhas das profundezas de Deus" (Sl 107:24), isto guiado pelo Espírito de Deus, que penetra essas profundezas (I Co 2:10).
Por tudo isso eu diria que o modo mais inseguro de interpretar a Semana da Criação e o descanso de Deus é o modo literal, porque a literalidade conduz ao absurdo e ao paradoxo, enquanto que YHWH é um Criador que demonstra em toda a sua obra uma ordem, um critério e um processo, pois Eles nos mostra que é "primeiro a erva, depois a espiga, por último o grão cheio na espiga" (Mc 4:28).
Aqui uma observação. Muitos crentes tem demonstrado interesse em conhecer a criação através da Palavra de Deus, mas a Palavra nos manda fazer o inverso, ou seja, "conhecer e prosseguir em conhecer ao Senhor" (Os 6:3), sendo que "o que de Deus se pode conhecer, claramente se vêem pelas coisas que estão criadas" (Rm 1:19,20), logo, tanto podemos conhecer a criação através do Senhor - já que quem "tem falta de sabedoria peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente (Tg 1:5) - como podemos conhecer o Senhor através de sua criação.
Uma conclusão provisória disso tudo é que se você quer entendimento sobre a criação, estude sobre a criação, pois além de aprender sobre ela, você aprenderá sobre o Criador. Quanto aos capítulos 1 a 3 de Gênesis e os demais relatos esparsos da criação na Palavra, tenha-os como Verdade e não como um relatório objetivo da criação, pois Deus não descreveria objetivamente a criação dos Céus e da Terra para que um pastor de ovelhas (Moisés) que viveu há 3.300 anos pudesse contar à sua posteridade.
O estudo da criação hoje nos mostra que há a matéria (que se organiza em elementos químicos), sujeitando-se ás forças da física (quântica e newtoniana), dados estes incompreensíveis aos homem rústicos, sejam os de hoje, sejam os de 3.300 anos atrás.
É por isso que o relato da criação deve ser entendido como a Verdade, porém, que requer ser descortinada. Aliás, isso é figurado no próprio tabernáculo, pois o nosso Deus é Verdade (Jo 14:6) e sua presença fora simbolizada no Santo dos Santos, atrás de uma cortina. O conhecimento científico parte do pressuposto da refutabilidade, já a Bíblia parte do pressuposto da inerrância, logo, estude cientificamente a criação em fontes confiáveis, sempre buscando ampliar os limites de sua formação, "examinando tudo, retendo o bem" (I Ts 5:21) e "aplica o teu interior a esquadrinhar e a informar-se com sabedoria sobre tudo o que sucede debaixo do céu" (Ec 1:13), pois nos busca da criação encontrarás mais sobre o teu Criador, desde que tal busca seja acompanhada na fé em Seu Filho e guiada pelo Seu Espírito.
Concluindo, o relato bíblico da criação representa balizas, marcos verdadeiros dos quais as teorias científicas não deveriam se distanciar, não por que isso afete a Deus ou aos seus filhos, mas simplesmente por que incorreria em erro sobre quem o Criador é o que Ele fez.
