sexta-feira, janeiro 20, 2017

PORQUE JESUS NÃO CASOU?




Algumas pessoas se perguntam porque Jesus de Nazaré, o Cristo, não se casou. Elas deveriam se perguntar, na verdade, porque Ele não se casou ainda, ou seja, considerando que Cristo ressuscitou, que Ele vive e que voltará, Ele ainda poderá se casar!

É exatamente isto que diz o livro do Apocalipse, ao mencionar quanto à volta de Cristo que “vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos” (Ap 19:7,8).

Diz a Bíblia, portanto, que Cristo é noivo e tem contratado – como na cultura judaica da época de sua encarnação – um casamento com sua noiva. E quem é esta Noiva de Cristo? A resposta requer uma breve reflexão a partir de várias passagens das Escrituras. Certa vez um saduceu, que não cria em ressureição, perguntou o seguinte a Jesus:

– “Mestre, Moisés nos escreveu que, se morresse o irmão de alguém, e deixasse a mulher e não deixasse filhos, seu irmão deveria tomar a mulher dele e suscitar descendência a seu irmão. Ora, havia sete irmãos, e o primeiro tomou a mulher, e morreu sem deixar descendência; e o segundo também a tomou e morreu, e nem este deixou descendência; e o terceiro da mesma maneira. E tomaram-na os sete, sem, contudo, terem deixado descendência. Finalmente, depois de todos, morreu também a mulher. Na ressurreição, pois, quando ressuscitarem, de qual destes será a mulher? Porque os sete a tiveram por mulher” (Mc 12:19-23).

O saduceu se referia à Lei do Levirato, comunicada por Moisés ao povo hebreu 1500 anos antes:
“Quando irmãos morarem juntos, e um deles morrer, e não tiver filho, então a mulher do falecido não se casará com homem estranho, de fora; seu cunhado estará com ela, e a receberá por mulher, e fará a obrigação de cunhado para com ela. E o primogênito que ela lhe der será sucessor do nome do seu irmão falecido, para que o seu nome não se apague em Israel” (Dt 25:5,6).

O saduceu, na verdade, não tinha dúvida alguma e não vinha em busca de conhecimento; ele apenas criara um dilema para que Cristo admitisse que não havia ressureição. Cristo lhe respondeu assim:

– “Errais vós em razão de não saberdes as Escrituras nem o poder de Deus? Porquanto, quando ressuscitarem dentre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento, mas serão como os anjos que estão nos céus” (Mc 12:24-25).

Portanto, Jesus corrigiu o saduceu dizendo claramente que haveria ressureição, mas indicou que a condição de cada um de nós após a ressureição não seria mesma de antes, ou seja, ressuscitamos, mas não para sermos os mesmos. Cristo disse que a ressureição do corpo haveria para nos tornar seres semelhantes a anjos, ou seja, que não se casam (aliança com um ser do sexo oposto) e nem se dão em casamento (ter relações sexuais).

Isto na verdade é um tanto óbvio, pois seres perpétuos não tem necessidade de perpetuar sua espécie, logo, não há porque o nosso “corpo celeste” (I Co 15:40) ser dotado da capacidade de reproduzir. Jesus nos dá uma noção desta realidade ao ressuscitar, pois a narrativa dos fatos posteriores a ressureição que consta dos Evangelhos demonstra que pessoas próximas a Jesus não o reconheceram logo após a ressureição (Jo 21:4), a ponto de que Pedro “voltou-se para trás, e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus” (Jo 20:14).

Muito embora o corpo ressurreto fosse diferente do original, ele de alguma forma era o mesmo, pois Jesus chegou a mostrar ao apóstolo Tomé e aos demais as feridas dos cravos em suas mãos (Jo 25:27), todavia, era um corpo cuja face certamente diferia da anterior (já que várias vezes não foi reconhecido de imediato) e que tinha faculdades sobrenaturais que desconhecemos, como o poder de ir e vir transcendendo barreiras de tempo e espaço (Jo 25:26, 21:4).

Portanto, o Jesus que se casará com sua Noiva não é o Jesus esvaziado de si mesmo, em forma de servo (humana), que se faz semelhante aos homens (Fp 2:7-8) e que fora o Jesus pré-ressureição. Também não será o Jesus com mera aparência angelical, visto nas aparições terrenas após a ressureição, mas será o Jesus Celestial, o Rei dos reis e Senhor dos senhores (I Tm 6:15, Ap 19:16) que foi entronizado após subir ao Terceiro Céu (I Pe 3:22), cuja “cabeça e cabelos são brancos como lã branca, como a neve, e os olhos como chama de fogo; cujos pés são semelhantes a latão reluzente, como se refinados numa fornalha, e a voz é como a voz de muitas águas” (Ap 1:14,15) e que aguarda o momento de voltar triunfante a Terra (I Ts 5:23) para tomar sua Noiva em casamento e instituir com ela um reino de mil anos sobre a Terra (Ap 20:6).

Logo, quando as Escrituras mencionam as bodas de Jesus, está se referindo à parte imaterial deste casamento, ou seja, a aliança com uma “ajudadora idônea” (Gn 2:20) para a construção de um projeto de vida comum. Em razão de Cristo ter glorificado o seu corpo (aparência angelical), não haverá neste matrimônio o “dar-se em casamento” (relações com vistas à perpetuação da espécie) e por isso mesmo a Noiva não é uma única pessoa, mas um Ser Coletivo a que denominamos “Igreja”.

É por isso que as Escrituras apontam para a conjunto das pessoas que recebeu o senhorio de Cristo como tendo algo em comum, uma assembleia (eclesia ou igreja). Esta assembleia foi mencionada como a Noiva de Cristo por João Batista (Jo 3:29), pelo próprio Jesus (Mc 2:19) e também pelo apóstolo João em sua visão na ilha de Patmos (Ap 19:7) e ao final é tomada pelo lugar onde viverá, ou seja, a Nova Jerusalém, razão pela qual João vislumbrou em sua visão “a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido” (Ap 21:2).

É certo, portanto, que Jesus Cristo voltará para desposar sua Igreja, honrando-a perante todos os demais habitantes da Terra e estabelecendo com ela um reino terreno milenial. Enquanto isso a Noiva se prepara para o casamento, mas não sendo vestida por suas ajudantes, como de costume, mas ataviando-se a si mesma, pois “foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos” (Ap 19:8).

Isto significa que a Noiva de Cristo (a Igreja) está, no tempo presente, preparando-se para este casamento e tal preparação consiste em manifestar na Terra a Justiça do Céu. Quanto mais a Igreja manifesta a Justiça do Reino, mas bela e enfeitada fica aos olhos de seu Esposo, o Rei Jesus.

E que Justiça é essa? Bem, o tema sobre a Justiça do Reino de Deus é muito amplo, mas resumidamente significa manifestar em atitudes o que é certo segundo os valores do Céu, valores estes que deveriam estar governando a Terra, se nela não houvesse um usurpador, que é o inimigo de Deus (Lúcifer). Esta Justiça já foi sombreada, foi delineada previamente na Lei de Moisés, mas hoje, após o advento de Cristo, ela não é mais uma “justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo” (Fp 3:9) e esta “lei se cumpre numa só palavra: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Gl 5:14).

Um último aspecto que precisa ser referido sobre a Noiva de Cristo é que assim como há sobre a Terra uma Noiva verdadeira, há uma que é falsa e que quer se fazer como verdadeira. Trata-se da “mulher assentada sobre uma besta de cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e tinha sete cabeças e dez chifres”, ela “estava vestida de púrpura e de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas; e tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua fornicação e na sua testa estava escrito o nome: Mistério, a grande babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra” (Ap 17:3-5). Esta falsa noiva é, sem dúvida, a Religião ou a religiosidade terrena.  

Assim como há Terra um movimento legítimo de trazer do Céu a vontade de Deus para a nós governar, há, também, um movimento que externamente em muito se parece com o primeiro, mas que consiste em soberbamente levar a vontade da Terra para ser feita no Céu. Este último movimento, há muito inaugurado por Ninrode na antiga Babel, avançou ao longo dos séculos, persiste até hoje é só será derrotado no final, como narrado no capítulo 19 do livro do Apocalipse.

Esta falsa religião é marcada pela iconoclastia (veneração de ídolos e personalidades), pela troca de bênçãos por falsa adoração – como Lúcifer propôs a Jesus no deserto (Mt 4:9) – por um acentuado “cambismo” (relação de comércio entre a Terra e o Céu) e pelo assassinato de toda e qualquer verdadeira voz profética que se levante para denunciar esta prostituição espiritual, como fez a rainha Jezabel (I Rs 19:1).

Sempre que alguém se levanta para denunciar que (falsos) líderes cristãos estão ensinando ao povo os “dez passos para ser abençoado”, ou coisa semelhante que implique numa visão de troca de benção por devoção, tais líderes condenam à morte a reputação desta voz profética, tendo-a por rebelde.

Porém, é certo que assim como Jeú veio cavalgando contra Jezabel e a atropelou para que fosse comida pelos cães (2 Rs 9:33), no fim virá o Rei Jesus cavalgando contra esta falsa rainha que a si mesmo se chama “igreja” (Ap 19:11), e a derrotará com a espada que sai de sua boca (Palavra de Deus), “a fim de que aves se fartaram de suas carnes” (Ap 19:21).

Assim é que há sobre a Terra hoje o falso e o verdadeiro, o Trigo e o Joio, a Noiva e a Grande Prostituta, a Nova Jerusalém e a Grande Babilônia, e só a intimidade com Deus na pessoa de seu Espírito Santo nos livrará de errar o alvo e seguir o que é falso. Que possamos, dia a dia, amar verdadeiramente ao próximo como a si mesmo, com toda a renúncia que isto implica, para que implantemos na Terra a Justiça do Céu e assim nos preparemos para encontrar o Noivo em sua vinda, com nossas lâmpadas cheias de azeite (Mt 25:4).  

Boa Sorte!


domingo, fevereiro 14, 2016

BABEL

Jesus Cristo ensinou as doutrinas do Reino dos Céus aos seus discípulos com o uso de linguagem figurada, mas especificamente a parábola (Mc 4:2). Já o Espírito Santo, que o Pai nos enviou em nome de Jesus para nos ensinar todas as coisas (Jo 14:26), segue o mesmo princípio didático, ou seja, foge da interpretação meramente literal – uma vez que a letra mata (II Co 3:6) – e usa a narrativa bíblica para ensinar, redarguir, corrigir e instruir no que é certo, uma vez que as Escrituras são divinamente inspiradas para isso mesmo (2 Tm 3:16).

É por isso que na Bíblia um rio que se abre para o povo passar nunca é apenas um rio, uma machado que flutua nunca é apenas um machado e um peixe que engole um homem por três dias nunca é apenas um peixe, pois cada substantivo e cada verbo apontam para o ensino de uma doutrina específica que nos é ensinada diretamente no espírito pelo professor Espírito Santo.

Debaixo desta convicção eu peço a sua atenção para a Torre de Babel, que está no capítulo onze do livro de Gênesis. O que esta torre nos diz?

Quando Noé e seus sete familiares saem da arca, Deus lhes determina que se multipliquem e que povoem as terras ao redor (Gn 9:7) e, como aquela geração havia testemunhado a quase extinção do gênero humano em decorrência do pecado (Gn 6:7), obviamente saíram da arca com um temor paralisante. Para que os homens pudesse reocupar o território sem medo de um novo dilúvio, Deus promete que não destruiria mais a raça humana pelas águas do dilúvio (Gn 9:11).

Em seguida Noé toma um porre de vinho e fica nu dentro de sua tenda, o que aponta para a fraqueza moral de um homem que fora de casa é um libertador, mas dentro de casa tem suas vergonhas expostas. Dois dos filhos de Noé (Sem e Jafé) cobrem o erro do pai com uma capa e evitam o escândalo, mas o seu terceiro filho, Cão, expõe a nudez de seu pai e zomba dela.

Jesus disse que “é preciso que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem vem o escândalo!” (Mt 18:7). Este entendimento parte do pressuposto de que todos erram e que ninguém tem o direito de zombar e expor os erros dos outros. Cão foi amaldiçoado por seu pai Noé (Gn 9:25), de modo que a sua descendência (os cananeus) seria serva da descendência de seus irmãos (povos semitas e jafonitas).

Este é o contexto no qual a Torre de Babel é edificada.

Pois bem, Cão teve quatro filhos, dos quais Cuxe fora o primogênito. Cuxe, por sua vez, teve como primogênito a Ninrode, que era então o herdeiro da maldição de seu bisavó Noé. Não se trata, aqui, de fazer um julgamento moral se Noé deveria ou não ter amaldiçoado seu filho que errou, pois os personagens bíblicos não são, todos, modelos de comportamento, apenas Cristo é o modelo.

Ninrode fora um homem muito poderoso (Gn 10:8) e seu reino abrangia as cidades de “Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinar”, de onde ele saiu para conquistar Nínive, na Assíria, terra que originalmente pertencia à descendência de Sem e não de Cão (Gn 10:10-11). A figura de Ninrode é associada à de um conquistador, um guerreiro e um homem valente, que sobrepujava homens e feras, caçando-os e reduzindo-os à servidão, tendo sido ele o primeiro escravagista mencionado na Bíblia.

O nome Ninrode significa “rebelde” e o historiador Flávio Josefo o descreve como um líder que pregava aos seus liderados “que a única maneira de afastar os homens do temor a Deus era fazê-los continuamente dependentes do seu próprio poder. Ele ameaçou vingar-se de Deus, se Este quisesse novamente inundar a terra; porque construiria uma torre mais alta do que poderia ser atingida pela água e vingaria a destruição dos seus antepassados" (Jewish Antiquities I, 114, 115)”.

Este personagem aponta, portanto, para um líder religioso rebelde, que não cria na promessa que Deus fizera de não mais destruir a raça humana pelo dilúvio. Ele se rebelou contra a ordem que Deus dera de avançar sobre a terra e ocupá-la, antes, ele voltou para terras já ocupadas pelos antepassados de seus pais e lá competiu com eles pelo território, aprisionando-os e dominando sobre eles.

Com seu reino unificado e recebendo tributos das terras conquistadas Ninrode constrói uma grande torre em sua cidade-sede, Babel. Deus havia determinado que os homens se espalhassem e certamente estaria com eles, guiando-os, onde quer que fossem. Ninrode usurpa esta função, fazendo-se único representante de Deus e obrigando a todos os demais a fazer a “obra” de Deus segundo a sua particular visão, ou seja, chegar ao Céu através de uma estrutura de tijolos e betume.

O interessante é que num mundo antigo onde as estruturas mais proeminentes eram construídas com pedra, Ninrode usou o barro, razão pela qual a Bíblia diz que “foi-lhes o tijolo por pedra, e o betume por cal” (Gn 11:3). Você já entendeu o sentido alegórico, ou seja, Ninrode usava o barro – que aponta para o homem – para construir um caminho para o Céu, de modo que o homem se torna apenas um instrumento para levar a vontade do verdadeiro rebelde da Terra até o Céu.

Enquanto no modelo cristão somos ensinados por Jesus a pedir ao Pai que venha o Reino dos Céus para a Terra, e que se faça na Terra a vontade do Deus do Céu (Mt 6:10), no modelo de Babel a ideia é inversa, ou seja, que vá o Reino da Terra aos Céus para que nos Céus se faça a vontade dos homens da Terra.

A narrativa da Torre de Babel se presta a nos ensinar um modelo que deve ser evitado a qualquer custo por todos os que são chamados a servir e conduzir o povo de Deus na Terra. As Escrituras nos mostram que quando o coração do povo está longe de Deus, Ele permitirá que os tais sejam cativos de Babilônica (II Rs 25 e I Cr 9:1), de lá só retornando quando entenderem amargamente (Sl 137:1) a importância de reedificar a Casa de Deus (Ed 2:68), que é o nosso templo interior (I Co 3:16).

Babilônia é um modelo religioso em que o “líder” se torna “poderoso na terra”, conquista novos lugares, dominar sobre ovelhas que deveriam ser pastoreadas, tudo para reduzi-las à condição de escravos que edificam a estrutura central, sob o falso argumento de que estão sendo servidas pelo “líder” e de que se obedecerem estarão cumprindo o seu lugar na estrutura.

A palavra de Deus para os que estão sob este controle é “saí do meio dela, ó povo meu” (Jr 51:45), pois as suas chagas não podem ser curadas (Na 3:19) e ela será abatida repentinamente (Ap 18:10).

Se Você acha que sair de Babilônia é deixar para trás o cajado de alguma liderança iludida por este modelo, sinto em dizer que pode ser bem mais complicado do que isso. Sair de Babilônia é, em primeiro lugar, tirá-la de dentro de Você e isto se faz com entendimento sobre os modelos Cristão e Babilônico, o que evita que pereçamos (Os 4:6).

A segunda coisa é não reduzir a nada o que Deus usou até aqui para te levar ao conhecimento dEle e para te guardar. Não é assim. Sadraque, Mesaque e Abednego eram crentes fiéis e prosperaram em Babilônia (Dn 3:30), aliás, enquanto o povo lá permaneceu, por sessenta e seis anos, três imperadores se sucederam e Daniel foi primeiro ministro de todos eles!  

É certo que o Reino de Deus vai sobrepujar ao Reino da Babilônia, mas o Reino de Deus não vem com visível aparência, ao contrário, ele está dentro de nós (Lc 17:20-21), portanto, quando fomos governados por “justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17), aí saberemos que o Reino de Deus está em nós, que nos pegou por dentro e que saímos de Babilônia, ainda que estejamos cercados por ela. Nesta condição podemos até governar em meio a Babilônia, tudo para que se cumpra o propósito de que a Casa de Deus seja, enfim, restaurada.

Feliz jornada de volta à Jerusalém!






segunda-feira, março 07, 2011

Entendes tu o que lês?

A Bíblia não é literatura comum. Não é texto, não é ciência, não é arte, não é filosofia e, ao mesmo tempo, é tudo isso e muito mais.
Quer entender a Bíblia? Você precisa de um guia. Uma passagem no livro de Atos (cap. 8) nos ensina este princípio. O relato conta que o Primeiro Ministro da dinastia etíope de Candace estava voltando de Jerusalém para o seu país, por volta do ano 37, vindo de uma peregrinação para adorar no Grande Templo construído por Herodes.
O ministro era conduzido no seu carro de tração animal e lia um papiro com o livro do profeta Isaías, quando um evangelista de nome Felipe se aproximou do carro e lhe perguntou:
– Entendes tu o que lês? Ao quê o nobre homem respondeu com outra pergunta:
– Como poderei entender se alguém não me explicar?
Então, Felipe subiu ao carro daquele distinto governante e passou a lhe expor sobre o tema central que permeia as Escrituras, ou seja, Jesus Cristo. Ao final da exposição o segundo homem mais importante de seu império pediu a Felipe que o batizasse. Aquele homem que em seu reino estava abaixo apenas da Rainha de Candace voltou com sua comitiva para seu reino tendo dado o testemunho de que o seu Senhor supremo era Jesus de Nazaré.
Isto só foi possível com o emprego de dois elementos indispensáveis que são: (1) um homem com fome e sede de Deus, disposto a adorar mesmo sem entender exatamente o que o levava a Deus e (2) um segundo homem cheio do Espírito Santo e de sabedoria (At 6:5) que obedeceu ao comando de Deus e se dispôs a ser canal para a revelação da Palavra.
Esta passagem nos mostra que se fosse possível conhecer a Deus por esforço próprio, o Primeiro Ministro etíope o teria feito. Aquele homem detinha todos os recursos da época, tanto assim que antes da prensa de Gutemberg, quando os escritos eram reproduzidos um a um por escribas (um trabalho complexo, demorado e caro), o etíope já tinha uma cópia do livro do profeta Isaías, e , ademais, tinha condições de peregrinar a Israel para a adoração no Templo, uma viagem por centenas de quilômetros em tração animal, passando pelo calor dos desertos.
Todos estes recursos não eram suficientes para trazer convicção ao coração daquele eunuco etíope, pois somente a revelação das Escrituras, possibilitada por um homem dotado do dom de sabedoria celestial e cheio do Espírito Santo poderia tornar o anseio daquele coração em profunda convicção, tanto que ele recobrou de Felipe que ele o batizasse imediatamente.
Outras duas passagens nos mostram que o dinheiro, o poder, a fama e o reconhecimento não podem revelar a um homem o que Deus tem para ele, pois isto só é revelado por quem detém a sabedoria celestial e é cheio do Espírito Santo.
Em Gn 41 vemos que o Faraó do Egito recebeu de Deus uma palavra de conhecimento, por meio de sonhos, sobre um período de sete anos de seca que adviria nos próximos anos e que poderia ter acabado mais cedo com o Império Egípcio, caso não houvesse um homem de Deus, José, em quem repousava o Espírito Santo, que era cheio de sabedoria espiritual (Gn 41:38-39) e que revelou ao Faraó o significado dos sonhos que este tivera.
No capítulo 2 do livro do profeta Daniel vemos que Deus também concedeu igual palavra de conhecimento por meio de sonhos ao Imperador Nabucodonosor, mostrando-lhe todos os reinados humanos que haveria dali por diante, sob um ótica da degradação da autoridade, e o imperador também não teria compreendido o sentido da visão se não houvesse junto dele um homem de Deus, Daniel, em quem também repousava o Espírito Santo (Dn 4:8) e que também era cheio de sabedoria espiritual (Dn 2:23).
Há, nestas duas passagens, frases que são reveladoras dos critérios de Deus no tocante à revelação das Escrituras Sagradas. Em Gn 40:8 é dito que “Porventura não pertencem a Deus as interpretações?” e em Dn 2:10-11 os magos caldeus, ao serem pressionados pelo Imperador quanto à interpretação dos sonhos disseram: “Não há mortal sobre a terra que possa revelar o que o rei exige”e “O que o rei exige é difícil e ninguém há que possa revelar diante do rei, senão os deuses, e estes não moram com os homens”.  
Tais passagens demonstram que compete a Deus e somente a Ele a interpretação das Escrituras Sagradas por Ele inspiradas. Todavia, como Deus deu a Terra aos homens (Sl 115:16) e como Ele nada faz na Terra sem comunicar aos seus profetas (Am 3:7), Ele conferiu a alguns homens o dom de sabedoria (I Co 12:8) para que, uma vez cheios do seu Espírito, interpretassem as Escrituras. Devemos lembrar que os Filhos de Deus são chamados de “deuses” (Sl 82:6), portanto, se somente os “deuses”podem revelar o que está oculto no que Deus diz, então sãos os seus filhos que hão de revelar Sua vontade, expressa em Sua Palavra.
Esta passagem nos mostra que a interpretação da Bíblia requer co-dependência do Espírito Santo, ou seja, é preciso que aquele que deseja revelação seja dependente do Espírito Santo, bem como aquele que auxilia este último na busca da revelação.
Para quem insiste em estudar a Bíblia apenas como um livro, por mera curiosidade ou duvidando em parte do caráter sobrenatural de seu Texto, a estes Deus reservou que permaneçam sempre confusos a respeito da Palavra (I Co 1:18-31), pois como o mundo não conheceu a Deus através do conhecimento, resolveu Deus se fazer conhecido por uma mensagem que para a maioria é loucura, qual seja, a “loucura da pregação”(I Co 1:21).
Se não fosse trágico seria engraçado ver algumas pessoas bem preparadas intelectualmente “tateando” quando o assunto é Bíblia. Normalmente iniciam dizendo que a Bíblia é um conjunto de livros dos quais já se perderam os originais e que elas foram alteradas ao longo dos séculos por quem detinha interesse em dadas interpretações e que por isso não podemos interpretá-la literalmente, etc, etc e tal.
Ignoram que se Deus não deixou rastro sobre a fidedignidade de sua palavra é justamente para que o crédito à Palavra não se apoiasse no conhecimento histórico, mas para que a certeza sobre o que nela está escrito se apoiasse no que não se vê, porque “a fé é a certeza das coisas que se esperam e a convicção de fatos que não se vêem” (Hb 11:1) e porque assim o homem faria o caminho inverso feito no Édem, ou seja, sacrificaria o “conhecimento”em prol da obediência cega.
Que o Espírito Santo continue seu ministério de nos ensinar todas as coisas (Jo 14:26), incluídas aí as revelações de sua Palavra e, através disso, de nos convencer de nossas condutas equivocadas, do que é certo para nossas vidas e, por conseguinte, do Juízo que um dia advirá ao mundo (Jo 16:8) e do qual temos a esperança de sermos poupados pela remissão da morte sacrificial de Jesus Cristo.   

domingo, fevereiro 06, 2011

Paráfrase 03: Nascimento de João Batista

Paráfrase 03: O Nascimento de João Batista (LC 1:5-25)

A Harmonia dos Evangelhos de A. R. Fausset, teólogo do século IXX, divide os evangelhos em 185 acontecimentos listados cronologicamente. O nascimento de João Batista é o acontecimento de n. 03, contado unicamente no Evangelho de Lucas, no capítulo 1, entre os versículos 5 a 25. Dispus-me a parafrasear este trecho de Lucas recontando os fatos em prosa, na terceira pessoa do singular, e adicionando dados de várias pesquisas sobre o que é relatado nas Escrituras. Não se trata de adicionar nada à Palavra de Deus – nunca ousaríamos fazê-lo –, mas de parafrasear o texto por escrito, exercício este que é feito oralmente há séculos nos ministérios de ensino e pregação da Palavra. Espero poder contribuir com a sua compreensão da Palavra de Deus.

Há mais de vinte anos o sacerdócio era exercido naquele que acabou sendo o último Templo ao Senhor construído em Jerusalém. Os mais de dezoito mil sacerdotes se revezavam nos dezesseis turnos de Eleazar e nos oito turnos de Itamar, completando-se vinte e quatro quinzenas anuais de serviço levítico no Templo construído por Herodes.

Diariamente mais de mil sacerdotes executavam as tarefas de adoração no Templo, cuidando para que tudo o que fosse sagrado pela Lei Mosaica, nos pátios e salas, se conservasse puro absolutamente. Eles eram responsáveis pelos pães oferecidos a Deus, pela farinha de trigo usada nas ofertas, pelos pães achatados feitos sem fermento, pelas ofertas assadas em frigideiras e pela farinha de trigo misturada com azeite. Eram também encarregados de pesar e medir as ofertas para o Templo, de louvar e glorificar o Senhor todas as manhãs e todas as tardes, sem contar as ofertas a Deus queimadas no sábado e nos dias festivos.
Zacarias, um sacerdote casado com uma piedosa mulher chamada Isabel, que era descendente de Arão, estava dedicando a Deus sua quinzena de sacerdócio ao SENHOR, no turno de Abias, provavelmente mês de tamuz, ou seja, meses solares de meados de junho ou julho, quando lhe coube, num dado dia de seu turno, a sorte de entrar no santuário para preparar as lâmpadas e queimar o incenso de especiarias perante o SENHOR.
Durante a ministração de Zacarias a multidão de sacerdotes permanecia orando em seu pátio respectivo, neste que era um momento solene e que ocorria apenas duas vezes ao dia, pela manhã e à tarde, como havia sido ordenado à Arão. Os demais também permaneciam orando, os homens no Pátio dos Israelitas e as mulheres e crianças no Pátio das Mulheres.
Zacarias adentrou o Santo Lugar portando tudo o que era necessário para o serviço: a chama do altar, o azeite para as lamparinas, o insenso, a resina que se extrai da mirra, o pó de ônica e o gálbano. Em sua mente reverente ele lembrava dos ensinos que recebera na longínqua infância sobre o primeiro serviço ao SENHOR feito por Moisés e também sobre a vez que o Rei Uzias foi confrontado por oitenta sacerdotes e ficou imediatamente leproso na testa por ter ousado oferecer incenso ao SENHOR sem ser da linhagem de Arão.
O nervosismo de Zacarias era visível, mas não a ponto de atrapalhar seu serviço. Ele fazia cada movimento com leveza e gravidade ao mesmo tempo. Chegara à velhice sem que o SENHOR lhe houvesse ouvido as preces para dar à sua esposa, Isabel, um filho seu. Ao menos agora ele poderia encerrar sua vida com a oportunidade única, que ocorria não mais do que uma vez na vida de um sacerdote, de adentrar ao Santo Lugar para o serviço do Candelabro e do Altar do Incenso.
Assim que Zacarias pôs os pés no Santo Lugar ele pode sentir o aroma que constantemente exalava dos pães da proposição, da combustão das lamparinas do Candelabro e principalmente das especiarias que queimavam com o incenso no Altar. Dirigiu-se então à sua esquerda, para o serviço do Candelabro, admirado do altar feito de madeira de acácia, todo revestido com ouro puro que ficava à frente da cortina do Lugar Santíssimo.
Diante do Candelabro Zacarias cuidava do pavio de cada um das lamparinas com um zelo sacerdotal, procurando fazer cada tarefa como se fosse a última, sem pressa, aproveitando cada segundo.
Encerrado o serviço do Candelabro Zacarias virou-se à sua direita, em direção ao Altar do Incenso, e foi aí que algo absolutamente inesperado para ele ocorreu, pois ele vislumbrou um anjo do SENHOR postado à direita do Altar. A figura angelical usava uma veste alva e finíssima e era de formidável aparência humana, de quem exalava serena autoridade.
Por uma fração de segundo passou pela mente de Zacarias que ele tivesse feito algo errado e que algum outro sacerdote tivesse vindo repreendê-lo, mas imediatamente Zacarias viu não se tratar de outro sacerdote. Convencido em seu íntimo que se tratava de um anjo do SENHOR, Zacarias ficou perplexo, não dizia coisa alguma e um temor reverencial tomou conta dele, o que foi interrompido pelo anjo, que disse:
– Não tenha medo, Zacarias, pois Deus ouviu a sua oração! A sua esposa vai ter um filho, e você porá nele o nome de João. O nascimento dele vai trazer alegria e felicidade para você e para muita gente, pois para o Senhor Deus ele será um grande homem. Ele não deverá beber vinho nem cerveja. Ele será cheio do Espírito Santo desde o nascimento e levará muitos israelitas ao Senhor, o Deus de Israel. Ele será mandado por Deus como mensageiro e será forte e poderoso como o profeta Elias. Ele fará com que pais e filhos façam as pazes e que os desobedientes voltem a andar no caminho direito. E conseguirá preparar o povo de Israel para a vinda do Senhor.
Passou pela mente de Zacarias naquele momento que a benção infelizmente havia chegado tarde e por isso ele levantou uma objeção ao que o anjo havia dito, respondendo:
– Como é que eu vou saber que isso é verdade? Estou muito velho, e a minha mulher também.
Assim que Zacarias proferiu tais palavras se descortinou diante dele a sua própria incredulidade.
Ele percebeu imediatamente, pela serenidade com que suas palavras foram recebidas pelo anjo, que suas orações haviam sido atendidas de uma maneira que ele e sua esposa nunca imaginariam. Por um momento ele temeu que tais palavras pudessem lhe comprometer a benção, impressão esta que se dissipou com a réplica do anjo, que disse:
– Eu sou Gabriel, servo de Deus, e ele me mandou falar com você para lhe dar essa boa notícia. Você não está acreditando no que eu disse, mas isso acontecerá no tempo certo. E, porque você não acreditou, você ficará mudo e não poderá falar até o dia em que o seu filho nascer.
Zacarias sentia-se muitíssimo grato pela reprimenda, especialmente porque seu filho estava a caminho e suas palavras de incredulidade não haviam comprometido a promessa de Deus trazida pelo anjo Gabriel. Zacarias viu-se inserido, de uma hora pra outra, num grande plano do SENHOR para Israel, pois porque outro motivo DEUS enviaria Gabriel, o anjo que havia ministrado ao profeta Daniel, para lhe comunicar o nascimento de seu filho?
Apesar de mudo, ele se sentia confortado e compreendia perfeitamente que esta medida era imprescindível para evitar que ele, dali por diante, proferisse alguma palavra de dúvida que colocasse em risco a benção que lhe fora anunciada. A dúvida de Zacarias estava fincada em décadas de espera e na convicção de que sua esposa não geraria descendência, já que detinha idade avançada.
O anjo havia desaparecido assim que encerrara suas palavras com o velho sacerdote, que agora estava mudo. O serviço no Altar do Incenso ainda precisava ser feito e Zacarias, chorando e grato a DEUS, arrumava entre as pontas do altar o incenso e as especiarias para pôr o fogo sobre eles.
O aroma do incenso passou a encher o Santo Lugar e Zacarias foi tomado por um êxtase de verdadeira adoração e compreensão do significado da ministração sacerdotal ao SENHOR, motivo pelo qual o velho sacerdote acabou demorando para sair do Santo Lugar, fazendo crer a alguns que havia morrido durante o serviço.
Zacarias saiu do Santo Lugar caminhando vagarosamente, um passo depois outro, olhando para seus irmãos levitas à porta do Santo Lugar e desejando ardentemente lhes falar da maravilhosa experiência vivida durante sua ministração. Ele respondia aos irmãos por acenos e não demorou muito para que eles compreendessem que Zacarias havia tido uma visão no Santo Lugar.
A quinzena do turno de Abias se encerrou dias após e Zacarias voltou à região montanhosa de Judá onde residia com sua esposa Isabel. Lá ele permaneceu mudo e meditando no que ocorrera neste último período anual.
Zacarias sabia que sua esposa Isabel partilhava com ele a incredulidade que demonstrara diante do anjo Gabriel, portanto, sabendo em seu íntimo que sua esposa apareceria grávida, não tentou comunicar-lhe o que o anjo lhe havia dito. Temia que o espírito de incredulidade usasse a boca de sua esposa, já que não podia se valer de suas próprias palavras por ter ficado temporariamente mudo.
Isabel há muito julgava que não poderia ter filho, primeiramente pela aparente infertilidade que tanto poderia ser dela, com de seu marido, mas, ademais, pelo fato de que já contava com idade avançada. Por isso mesmo Isabel demorou a aceitar que as mudanças em seu corpo senil significavam uma gravidez, ainda que soubesse que seu marido havia retornado de Jerusalém tendo vivido uma experiência que, mesmo àquela altura, mudaria suas vidas.
Confirmada a gravidez, não foi surpresa para Isabel que seu marido já soubesse e recebesse a notícia com lágrimas de gratidão à DEUS e terno carinho à sua companheira. Disse Isabel a seu esposo:
– O SENHOR se lembrou de mim, olhou para a minha situação e retirou de sobre mim a vergonha da esterilidade.
Temendo a incredulidade que até então não havia sido liberada por palavra, quer sua, quer de seu esposo Zacarias, Isabel ocultou de seus parentes e vizinhos a sua gravidez por mais de cinco meses, revelando-a somente quando seu ventre não deixava dúvidas a quem quer que fosse de que ela aguardava o nascimento de um filho.
Assim, esta passagem do anúncio do nascimento de João Batista nos revela a importância do silêncio enquanto se aguarda a benção e diante da impossibilidade de confessar a vitória com palavras. Quando a incredulidade passa a assediar o crente não é por outro motivo senão para que ele faça como fez Zacarias diante do anjo Gabriel, ou seja, que levante uma objeção; que saque, do plano das impossibilidades do mundo natural, um argumento que se oponha ao que DEUS, em sua onipotência e absoluta indiferença para com o que é “impossível”, queira fazer por seu infinito poder.

segunda-feira, novembro 15, 2010

IRA HUMANA E DIVINA

A ira é um sentimento que DEUS nutre contra os pecadores por causa do pecado:

Ef 5: 6 Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.

Rm 1: 18 A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça;

Há 39 menções no Velho Testamento para “ira do SENHOR”

A ira de DEUS irá se acender no Dia do Juízo:

Rm 2: 5 Mas, segundo a tua dureza e coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus,

Ap 19: 15 Sai da sua boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso.

Ap 6: 15 Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes 16 e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, 17porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?

É JESUS que nos livra da ira de DEUS:

I Ts 1:10 e para aguardardes dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura.

O homem, feito a imagem e semelhança de DEUS, também sente a ira, que quando é dirigida contra o pecado, é usada por DEUS para a busca da santidade:

Sl 76:10 Pois até a ira humana há de louvar-te; e do resíduo das iras te cinges.

Ainda que o homem esteja suscetível a sentir ira e ainda que isso possa nalgum momento ser utilizada por DEUS, trata-se de um sentimento perigoso na vida de um ser decaído e inclinado ao pecado, de modo que DEUS expressamente instituiu um mandamento pelo qual o homem não deveria GUARDAR a ira:

Lv 19:18 Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.

Ec 7: 9 Não te apresses em irar-te, porque a ira se abriga no íntimo dos insensatos.

A ira que não é rapidamente descartada pelo homem, mas que, antes, é cultivada, se constitui numa distração dos verdadeiros propósitos, suscitando o pecado:

Sl 4:4 Irai-vos e não pequeis; consultai 4 no travesseiro o coração e sossegai.

Pv 30: 33 Porque o bater do leite produz manteiga, e o torcer do nariz produz sangue, e o açular a ira produz contendas.

Ef 4: 26 Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, 27 nem deis lugar ao diabo.

O pecado da ira se constitui num peso para o crente:

Pv 27:3 Pesada é a pedra, e a areia é uma carga; mas a ira do insensato é mais pesada do que uma e outra.

DEUS nos manda substituir o extravasar da ira pela oração, levando as mãos (com as quais exercitaríamos algum ato de ira...) a Ele, em sinal de dependência, pois o agir de DEUS se dá pela demonstração desta dependência e não pelo extravasar da ira:

I Tm 2:8 Quero, portanto, que os varões orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem animosidade.

Tg 1: 19 Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. 20 Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus.

O PESO QUE COMPROMETE A CARREIRA

O autor de Hebreus, após listar inúmeros exemplos de fé no capítulo 11, inicia o capítulo 12 com a seguinte convocação:

Hb 12:1 Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta,

Ele compara a vida vivida com fé em Cristo a uma corrida que o atleta faz e diz que este “atleta de Cristo” irá correr rodeado de uma nuvem de testemunhas, que são os que guardaram a fé antes de nós.

A Palavra aconselha que este corredor se abstenha de duas coisas que o impedem de correr a carreira que lhe foi proposta: o peso e o pecado que tenazmente o assedia.

Livrar-se do pecado é lutar contra a cobiça que habita o interior do velho homem e que serve de tentação ao mesmo, buscando conceber o pecado (Tg1:14-15). É evidente que o pecado impede a carreira de fé e não é este o foco deste estudo.

O principal aqui é o peso que embaraça o atleta e que não foi mencionado na Palavra como pecado. O pecado não confessado impede absolutamente a carreira do atleta, todavia, o peso não o impede de correr, mas o embaraça, ou, noutra tradução, o atrapalha.

Sendo constantemente atrapalhado por tais “pesos”, o atleta acaba por fatigar-se, desmaiando em sua alma, como é mencionado no versículo 3 do mesmo capítulo 12 de Hebreus:

Hb 12:3 Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.

A versão na linguagem de hoje substitui fatigar e desmaiar por desanimar e desistir da carreira de fé.

E quais são os “pesos” que, não sendo pecados, ainda assim atrapalham a carreira do atleta de Cristo?

São as coisas lícitas que não convém, de que Paulo fala aos crentes de Corinto no capítulo 6, versículo 12 e no capítulo 10, versículo 23, na primeira carta:

I Co 6:12 Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.

I Co 10:23 Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam.

Os dois textos acima dizem que “todas as coisas são lícitas” aos coríntios, ou seja, aos judeus convertidos a Cristo não se aplicavam mais as ilicitudes no campo dos costumes que se impunham aos que viviam pela Lei, todavia, não é porque tais coisas lhes eram agora lícitas que deveriam ser praticadas, antes era preciso observar se tais atitudes não acabariam por escravizar o crente e se elas conduziam à edificação ou ao contrário, à desmaterialização de um espírito reto.

Nós, os crentes que fomos tomados dentre os gentios, nunca fomos sujeitos à Lei de Moisés no campo dos costumes, mas também nós temos de nos abster das coisas lícitas que não edificam em nós um espírito reto e tem potencial para nos escravizar, impedindo nossa carreira de fé.

É difícil fazer uma lista de “pesos”, pois estes tem caráter subjetivo. Para uns o trabalho em excesso pode representar um peso à carreira de fé; para outro é residir num determinado local; para outro o peso é um relacionamento pessoal que não contribui com esta jornada; para outro pode ser um hobby ou mesmo um costume cultural.

A falta de governo do Espírito quanto ao que comemos, bebemos, nos entretemos também pode significar um peso, pois ainda que o crente se abstenha dos excessos pecaminosos, a constância nestes hábitos impede a carreira de fé, na medida em que o tempo e o vigor do crente são tomados de sua carreira de fé e utilizados naquilo que não vai edificar nele um espírito reto, antes servindo apenas para satisfazer o que deseja a alma.

É o Espírito Santo que dirá, a cada um, em seu íntimo, na medida da comunhão que cada qual mantém, quais sãos os pesos que impedem a carreira que nos foi proposta. Devemos, portanto, consultá-Lo, para que Ele, que nos ensina todas as coisas, nos convença do que é pecado, do que é justiça (certo) e de tudo o que é peso que não irá contribuir para cruzarmos a linha de chegada nos braços do Pai.

EXPANDINDO LIMITES

Alguns cristãos se perguntam porque não conseguem viver uma vida abundante e porque ainda estão tão inclinados a errar o alvo.

Penso que o Espírito Santo me disse algo nesta manhã sobre este assunto.

Quando Jesus foi perguntado por um doutor na lei sobre qual era o grande mandamento (Mt 22:36), Ele expôs o que seriam os dois mais importantes mandamentos. O primeiro é amar a DEUS de todo o coração, alma e pensamento e o segundo amar ao próximo como a si mesmo.

Por outro lado, vemos na carta de Tiago (1:14) que o homem é tentado por sua própria concupiscência interior, que o atrai e seduz e vemos no Evangelho de Lucas (6:45) que “o homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal” e em Marcos 7:21 que “do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios”.

Aqui se estabelece um contra-senso. O homem deve amar a DEUS de todo o seu coração, mas de dentro deste mesmo coração saem toda sorte de malignidades. Se o coração de um homem emana maus pensamentos, adultérios, prostituições e homicídios, é óbvio que tal homem não ama a DEUS de todo o coração. Parte do coração ama a DEUS e parte do coração ama as obras das trevas.

Este homem tem o coração dividido, como o coração do povo de Israel que foi descrito em Oséias 10: 1 a 3:

1 ISRAEL é uma vide estéril que dá fruto para si mesmo; conforme a abundância do seu fruto, multiplicou também os altares; conforme a bondade da sua terra, assim, fizeram boas as estátuas.

2 O seu coração está dividido, por isso serão culpados; o SENHOR demolirá os seus altares, e destruirá as suas estátuas.

3 Certamente agora dirão: Não temos rei, porque não tememos ao SENHOR; e o rei, que faria por nós?

O coração dividido é nota de culpa para o homem e é causa de esterilidade na vida do cristão. A esterilidade atinge todos os aspectos da vida do homem que a ela está sujeito.

Portanto, voltando ao início deste texto, concluímos que a causa de tantos não desfrutarem da abundância do SENHOR é a esterilidade e a causa desta última é o coração dividido do homem, que ama ao SENHOR, mas não de acordo com o mais importante e todo inclusivo mandamento da Palavra de Deus, que é amá-lo de todo o coração.

Para romper com este ciclo vicioso e passar a agradar a DEUS e desfrutar de suas promessas é preciso limpar o coração (Tg 4:8) de todo interesse pelas obras infrutíferas das trevas, devotando todo o coração ao SENHOR.

A pergunta é: como fazer isso?

Há quem já tenha tentado de tudo ao seu alcance para limpar o coração e ainda assim continua vendo em sua vida as mesmas obras, como Paulo, que via em seus membros um comportamento ao inverso do que ele cria e desejava em seu homem interior (Rm 7:23).

O SENHOR falou-me quanto ao ser limpo, que não é o homem que se limpa para entrar na presença de DEUS, mas é o SENHOR que limpa o homem de sua imundícia, como em Lucas 5:12 e13:

12 E aconteceu que, quando estava numa daquelas cidades, eis que um homem cheio de lepra, vendo a Jesus, prostrou-se sobre o rosto, e rogou-lhe, dizendo: Senhor, se quiseres, bem podes limpar-me.

13 E ele, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, sê limpo. E logo a lepra desapareceu dele.

Porém, se é DEUS quem nos limpa e se Ele quer nos ver limpos e com alvas vestes em sua presença, porque é que Ele não nos limpa a todos imediatamente e no momento que nos convertemos? Porque DEUS parece nos limpar de alguns pecados e de outros não e porque somos libertos da prática de determinados pecados imediatamente enquanto que outras práticas parecem resistir por longo tempo em nossas vidas?

A resposta, sem dúvida, está na reciprocidade. A reciprocidade de Deus é a garantia de que teremos sempre respeitada a nossa condição de seres feitos a imagem e semelhança de dEle. É que DEUS nos fez como Ele, com livre arbítrio, podendo decidir o que vamos receber e que não vamos receber de nosso entorno. Se DEUS intervisse na vida do homem para fazer nele aquilo pelo qual o homem não pagou preço algum e nem sequer decidiu verdadeiramente que deseja, então DEUS terá invalidado na vida deste homem o seu livre arbítrio e teria feito deste homem alguém distinto de Si mesmo, rompendo com a semelhança entre o Criador e a criatura humana.

DEUS é, para conosco, recíproco. Isto significa que embora Ele possa fazer qualquer coisa, fará todas as coisas em nossa vida na proporção direta de nossa busca e de nosso desejo ardente.

É aí que entram os limites e o nosso dever de removê-los.

A Bíblia diz que nosso coração é uma terra (Mt 13:19) e se emana desta terra tanto o amor a DEUS como o amor pelas coisas terrenas é porque esta terra está dividida e há um limite entre a parte que se devota a DEUS e a parte que presta culto às coisas do mundo.

Este limite precisa ser removido e o território que ainda não ama a DEUS precisa ser conquistado, para que tal homem ama a DEUS de todo o coração.

Quais são, pois, objetivamente, estes limites?

Penso que os limites que precisam ser removidos são os limites que nos impomos na oração, no jejum, na adoração, nos votos, nas ofertas, no estudo e meditação da Palavra, no serviço (amor prático) em prol de nossos irmãos, na intercessão pelos perdidos, no esforço para demonstrarmos de forma prática a fé que professamos, etc.

Pergunte-se agora qual foi o maior tempo que Você passou orando ou jejuando. Independente da resposta, é fato, e Você concordará, que se tivesse orado mais e jejuado mais teria obtido respostas mais eficazes do Céu. Se todos concordamos que devemos orar e jejuar mais, porque não o fazemos?

A resposta é porque nós nos impomos limites. A carne, ou seja, o corpo e a alma insubmissos, impõe ao nosso ser um limite às atividades espirituais como que dizendo: “nós só agüentamos até aqui...”.

É preciso desafiar estes limites!

Precisamos fazer o que nunca foi feito, orar como nunca oramos, jejuar como nunca jejuamos, meditar como nunca meditamos, servir como nunca servimos, para que venhamos obter do SENHOR, pela sua reciprocidade, uma mudança interior que até aqui nunca vivenciamos.

É preciso se perguntar quais os nossos limites espirituais e é preciso programar (e cumprir) um cronograma de desafios a estes limites.

O leproso de Lucas 5: 12 e 13 rompeu com um limite pessoal ao se prostrar diante de JESUS, ao crer que Ele poderia libertar-lhe da lepra e a rogar a JESUS.

Quais sãos os seus limites? Que restrições Você permitiu que a sua carne impusesse à sua busca espiritual?

Se Você já sabe quais são estes limites, desafie-os. Expanda seus limites!

Manolo Del Olmo

SANTIDADE: A MARCA DESTA GERAÇÃO

1. O QUE É SANTIDADE?

Português

santo

Hebraico

qodesh

Grego

hosios

Que vive segundo os preceitos religiosos, a lei divina. Que obteve o Céu como recompensa de suas virtudes; bem-aventurado. Diz-se daquele que a Igreja canonizou. Puro, imaculado, inocente. Respeitável, venerável, venerando. Que tem bom coração; bondoso em extremo. Que é próprio de santo. Que não pode ser violado ou profanado. Respeitante às coisas divinas, à religião, ao culto. Útil, proveitoso; profícuo; eficaz

separado, posto à parte

purificado de pecado, livre de iniqüidade

  • Pacto semântico: o sentido será o do hebraico (qodesh) com vistas a obter o resultado do termo no grego (hosios) = SEPARAÇÃO com vistas a ser LIVRE DA INIQUIDADE.

2. PORQUE SER SEPARADO?

  • Porque o mundo jaz no maligno (I Jo 5:1), todos os seres humanos estão igualmente perdidos (Mt 18:11 e Lc 19:10) e não existe um único humano justo aos olhos de Deus (Rm 3:10 e 12):
    • O padrão de correção divino é superior ao nosso (Is 55:7 a 9)
    • Nós, originalmente, possuíamos este padrão divino, pois fomos criados a semelhança de DEUS (Gn 5:1)
    • Mas decaímos deste padrão pela desobediência (Gn 3:6), que amaldiçoou toda a terra (Gn 3:17), passando nós a viver por instintos (Ef 2:3) e não por direção divina
  • Porque DEUS vai acabar com esta terra amaldiçoada (Is 51:16 e 2 Pe 3:13) e pretende nos resgatar para viver eternamente noutra terra (Lc 9:56, Ap 6:9, 20:4, 21:3 e 1 Jo 2:17)
  • Porque se o homem viver no curso deste mundo, ele iguala a divindade (Sl 82:6) a satanás. Como DEUS pode condenar satanás à pena de separação e tormento eterno se a criatura feita à imagem e semelhança dEle age conforme o próprio satanás?

3. COMO SER SEPARADO?

  • É preciso andar no Caminho da Santidade (Is 35:8)
  • “peripateo pneuma” (Gl 5:16 e 25)

4. COMO “ANDAR NO ESPÍRITO”?

  • Tendo comunhão com Ele (II Co 13:14)

5. COMO TER COMUNHÃO COM O ESPÍRITO SANTO?

  • Buscando a DEUS em oração com o ESPÍRITO SANTO antes de iniciar o dia (Jó 8:5,6 e Sl 63:1, 88:13, 90:14, Pv 8:17 e Rm 8:26)
  • Com uma atitude de sincera de desconfiança e vigilância em relação ao próprio coração, mantendo-se em quebrantamento (falar de si em terceira pessoa) (Sl 51:17, 78: 34 37, Pv 1:28,29 e Os 5:15)
    • Procurando ciclicamente o processo de arrependimento (busca, quebrantamento, convencimento, confissão, restituição e restauração)
  • Meditando diariamente na Palavra de Deus (Js 1:8, Sl 1:2, 19:14, 27:14, 104:34, 119:97, I Tm 4:15)
  • Evitando distrações que conduzam a situações de risco, sempre vigiando (I Co 15:33 e 34 e I Ts 5:6) – trabalho ou lazer excessivo, sensualidade e licenciosidade, distância do ESPÍRITO, aborrecimentos
  • Fugindo das tentações para ser aprovado nos provações e, assim, moldar o nosso caráter ao de CRISTO (I Co 10:13, Tg 1:2 Ef 4:13)
  • Mantendo comunhão uns com os outros independentemente dos interesses pessoais (I Jo 1:7). Proximidade como membro do corpo = comunhão; proximidade como indivíduo = amizade.
  • Andando em discipulado: discipulando e sendo discipulado com transparência, sinceridade e sem estremecimento.
  • Sendo servo (I Pe 4:10)

PNEUMETOLOGIA

I - A Personalidade

I Co 2: 10 Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus.

11 Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus.

Ef 4: 30 E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.

I Co 12:11 Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente.

Jo 14: 26 mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.

Rm 8: 14 Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.

At 13: 4 Enviados, pois, pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre.

At 8: 29 Então, disse o Espírito a Filipe: Aproxima-te desse carro e acompanha-o.

Gn 6: 3 Então, disse o SENHOR: O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos.

Rm 8: 26 Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis.

Jo 15: 26 Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim; 27 e vós também testemunhareis, porque estais comigo desde o princípio.

I Pe 1: 21 porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.

At 10: 19 Enquanto meditava Pedro acerca da visão, disse-lhe o Espírito: Estão aí dois homens que te procuram; 20 levanta-te, pois, desce e vai com eles, nada duvidando; porque eu os enviei. 21 E, descendo Pedro para junto dos homens, disse: Aqui me tendes; sou eu a quem buscais? A que viestes?

At 5: 3 Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo?

At 7: 51 Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis.

Sl 51: 11 Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito.

Mt 12:31 Por isso, vos declaro: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada.

Hb 10: 29 De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?

II – A Divindade

I Co 6: 11 Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus.

Jo 14: 16 E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, 17 o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.

Lc 1: 35 Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus.

Jo 16: 8 Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo:

Jo 3: 5 Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. 6 O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito.

Jo 15: 26 Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim;

V – A Obra...

Gn 41: 38 Disse Faraó aos seus oficiais: Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus?

Jz 3:10 Veio sobre ele (Otniel) o Espírito do SENHOR, e ele julgou a Israel; saiu à peleja, e o SENHOR lhe entregou nas mãos a Cusã-Risataim, rei da Mesopotâmia, contra o qual ele prevaleceu.

Ex 31: 1 Disse mais o SENHOR a Moisés: 2 Eis que chamei pelo nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, 3 e o enchi do Espírito de Deus, de habilidade, de inteligência e de conhecimento, em todo artifício, 4 para elaborar desenhos e trabalhar em ouro, em prata, em bronze, 5 para lapidação de pedras de engaste, para entalho de madeira, para toda sorte de lavores.

II Pe 1: 21 porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.

VII – A Obra...

Tt 3: 4 Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, 5 não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, 6 que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, 7 a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna.

II Co:5 17 E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; {criatura; ou criação} as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.

I Co 619 Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?

I Jo 2: 20 E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento. (...) 27 Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou.

I Co 12: 13 Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.

II Co 1: 21 Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus, 22 que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração.

Ef 1: 13 em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; 14 o qual é o penhor da nossa herança, ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.

Ef 4: 30 E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.

I Co 12: 4 Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. 5 E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. 6 E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos. 7 A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso. 8 Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; 9 a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; 10 a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las. 11 Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente. 12 Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo.

Rm 12: 4 Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, 5 assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros, 6 tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé; 7 se ministério, dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina esmere-se no fazê-lo; 8 ou o que exorta faça-o com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside, com diligência; quem exerce misericórdia, com alegria.

I Co 12: 28 A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. 29 Porventura, são todos apóstolos? Ou, todos profetas? São todos mestres? Ou, operadores de milagres? 30 Têm todos dons de curar? Falam todos em outras línguas? {em outras línguas; no original, em línguas} Interpretam-nas todos? 31 Entretanto, procurai, com zelo, os melhores dons. E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente.

X – Plenitude...

Ef 5: 18 E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, 19 falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, 20 dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, 21 sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.

Gl 5: 22 Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, 23 mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.

Rm 12: 1 Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

2 E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Rm 8: 13 Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis. 14 Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.

Gl 5: 16 Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne.

I Pe 4: 10 Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.

O Reino de Deus e a Sua Justiça

Jesus veio pra pregar o reino de Deus e não pra conceder salvação. A salvação é um meio de trazer o pecador arrependido para dentro do reino e para a comunhão com o Rei e não um fim em si mesmo:

Lucas 4:43 Ele, porém, lhes disse: É necessário que eu anuncie o evangelho do reino de Deus também às outras cidades, pois para isso é que fui enviado.

Lucas 9:11 Mas as multidões, ao saberem, seguiram-no. Acolhendo-as, falava-lhes a respeito do reino de Deus e socorria os que tinham necessidade de cura.

Lucas 9:2 Também os enviou a pregar o reino de Deus e a curar os enfermos.

Lucas 8:1 Aconteceu, depois disto, que andava Jesus de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus, e os doze iam com ele,

Mesmo depois de morto e ressuscitado Jesus se ocupou de pregar o reino de Deus:

Atos 1:3 A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.

Também os apóstolos, assim como Jesus, se ocuparam de pregar o reino de Deus:

Atos 28:23 Havendo-lhe eles marcado um dia, vieram em grande número ao encontro de Paulo na sua própria residência. Então, desde a manhã até à tarde, lhes fez uma exposição em testemunho do reino de Deus, procurando persuadi-los a respeito de Jesus, tanto pela lei de Moisés como pelos profetas.

At 28: 30 Por dois anos, permaneceu Paulo na sua própria casa, que alugara, onde recebia todos que o procuravam, 31 pregando o reino de Deus, e, com toda a intrepidez, sem impedimento algum, ensinava as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo.

E o quer é o reino de Deus? Para sabê-lo é bom, primeiramente, saber o que o reino de Deus não é:

Rm 14: 17 Porque o reino de Deus não é comida nem bebida...

1 Coríntios 4:20 Porque o reino de Deus consiste não em palavra, mas em poder.

O reino de Deus não é um lugar ou algo de manifestação física, visível:

Lc 17: 20 Interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, Jesus lhes respondeu: Não vem o reino de Deus com visível aparência. 21 Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está!

O reino de Deus é um “estado de espírito” (Lc 17:20) onde o homem se vê agraciado por Deus com justiça, paz e alegria (Rm 14:17); tudo isto de forma poderosa, gloriosa e sobrenatural (1 Co 4:20) e a partir de sucessivas provas (2 Ts 1:5, At 14:22, Tg 1:2 a 4 e 12 e 1 Pe 1:6), onde somos desafiados a manter a confiança e a fé em Deus apesar das circunstâncias:

Lc 17: 20 (...) Porque o reino de Deus está dentro de vós.

Rm 14: 17 (Porque o reino de Deus ... é) justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.

1 Coríntios 4:20 (Porque o reino de Deus consiste ...) em poder.

2 Ts 1: 3 Irmãos, cumpre-nos dar sempre graças a Deus no tocante a vós outros, como é justo, pois a vossa fé cresce sobremaneira, e o vosso mútuo amor de uns para com os outros vai aumentando, 4 a tal ponto que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, à vista da vossa constância e fé, em todas as vossas perseguições e nas tribulações que suportais, 5 sinal evidente do reto juízo de Deus, para que sejais considerados dignos do reino de Deus, pelo qual, com efeito, estais sofrendo; 6 se, de fato, é justo para com Deus que ele dê em paga tribulação aos que vos atribulam 7 e a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, 8 em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. 9 Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, 10 quando vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram, naquele dia (porquanto foi crido entre vós o nosso testemunho).

Atos 14:22 fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus.

Tg 1:2 a 4 e 12 Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, 3 sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. 4 Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes. (...) 12 Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.

1 Pe 1: 6 Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, 7 para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; 8 a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, 9 btendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma.

Todavia, viver o reino de Deus no homem interior não é sinônimo de sofrimento, porque as circunstâncias que levariam sofrimento ao crente carnal não atingem o crente espiritual, pois a este é reservado uma paz e uma alegria interior, decorrente do viver em justiça:

Rm 14:17 Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.

E o que é a justiça de Deus?

Rm 1:16 Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; 17 visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.

Rm 3: 5 Mas, se a nossa injustiça traz a lume a justiça de Deus, que diremos? Porventura, será Deus injusto por aplicar a sua ira? (Falo como homem.) 6 Certo que não. Do contrário, como julgará Deus o mundo? 7 E, se por causa da minha mentira, fica em relevo a verdade de Deus para a sua glória, por que sou eu ainda condenado

Rm 3: 19 Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus, 20 visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado. 21 Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; 22 justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que crêem; porque não há distinção, 23 pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, 24 sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, 25 a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; 26 tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.

Romanos 10:3 Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus. 2 Coríntios 5:21 Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.

Tiago 1:20 Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus.