domingo, fevereiro 06, 2011

Paráfrase 03: Nascimento de João Batista

Paráfrase 03: O Nascimento de João Batista (LC 1:5-25)

A Harmonia dos Evangelhos de A. R. Fausset, teólogo do século IXX, divide os evangelhos em 185 acontecimentos listados cronologicamente. O nascimento de João Batista é o acontecimento de n. 03, contado unicamente no Evangelho de Lucas, no capítulo 1, entre os versículos 5 a 25. Dispus-me a parafrasear este trecho de Lucas recontando os fatos em prosa, na terceira pessoa do singular, e adicionando dados de várias pesquisas sobre o que é relatado nas Escrituras. Não se trata de adicionar nada à Palavra de Deus – nunca ousaríamos fazê-lo –, mas de parafrasear o texto por escrito, exercício este que é feito oralmente há séculos nos ministérios de ensino e pregação da Palavra. Espero poder contribuir com a sua compreensão da Palavra de Deus.

Há mais de vinte anos o sacerdócio era exercido naquele que acabou sendo o último Templo ao Senhor construído em Jerusalém. Os mais de dezoito mil sacerdotes se revezavam nos dezesseis turnos de Eleazar e nos oito turnos de Itamar, completando-se vinte e quatro quinzenas anuais de serviço levítico no Templo construído por Herodes.

Diariamente mais de mil sacerdotes executavam as tarefas de adoração no Templo, cuidando para que tudo o que fosse sagrado pela Lei Mosaica, nos pátios e salas, se conservasse puro absolutamente. Eles eram responsáveis pelos pães oferecidos a Deus, pela farinha de trigo usada nas ofertas, pelos pães achatados feitos sem fermento, pelas ofertas assadas em frigideiras e pela farinha de trigo misturada com azeite. Eram também encarregados de pesar e medir as ofertas para o Templo, de louvar e glorificar o Senhor todas as manhãs e todas as tardes, sem contar as ofertas a Deus queimadas no sábado e nos dias festivos.
Zacarias, um sacerdote casado com uma piedosa mulher chamada Isabel, que era descendente de Arão, estava dedicando a Deus sua quinzena de sacerdócio ao SENHOR, no turno de Abias, provavelmente mês de tamuz, ou seja, meses solares de meados de junho ou julho, quando lhe coube, num dado dia de seu turno, a sorte de entrar no santuário para preparar as lâmpadas e queimar o incenso de especiarias perante o SENHOR.
Durante a ministração de Zacarias a multidão de sacerdotes permanecia orando em seu pátio respectivo, neste que era um momento solene e que ocorria apenas duas vezes ao dia, pela manhã e à tarde, como havia sido ordenado à Arão. Os demais também permaneciam orando, os homens no Pátio dos Israelitas e as mulheres e crianças no Pátio das Mulheres.
Zacarias adentrou o Santo Lugar portando tudo o que era necessário para o serviço: a chama do altar, o azeite para as lamparinas, o insenso, a resina que se extrai da mirra, o pó de ônica e o gálbano. Em sua mente reverente ele lembrava dos ensinos que recebera na longínqua infância sobre o primeiro serviço ao SENHOR feito por Moisés e também sobre a vez que o Rei Uzias foi confrontado por oitenta sacerdotes e ficou imediatamente leproso na testa por ter ousado oferecer incenso ao SENHOR sem ser da linhagem de Arão.
O nervosismo de Zacarias era visível, mas não a ponto de atrapalhar seu serviço. Ele fazia cada movimento com leveza e gravidade ao mesmo tempo. Chegara à velhice sem que o SENHOR lhe houvesse ouvido as preces para dar à sua esposa, Isabel, um filho seu. Ao menos agora ele poderia encerrar sua vida com a oportunidade única, que ocorria não mais do que uma vez na vida de um sacerdote, de adentrar ao Santo Lugar para o serviço do Candelabro e do Altar do Incenso.
Assim que Zacarias pôs os pés no Santo Lugar ele pode sentir o aroma que constantemente exalava dos pães da proposição, da combustão das lamparinas do Candelabro e principalmente das especiarias que queimavam com o incenso no Altar. Dirigiu-se então à sua esquerda, para o serviço do Candelabro, admirado do altar feito de madeira de acácia, todo revestido com ouro puro que ficava à frente da cortina do Lugar Santíssimo.
Diante do Candelabro Zacarias cuidava do pavio de cada um das lamparinas com um zelo sacerdotal, procurando fazer cada tarefa como se fosse a última, sem pressa, aproveitando cada segundo.
Encerrado o serviço do Candelabro Zacarias virou-se à sua direita, em direção ao Altar do Incenso, e foi aí que algo absolutamente inesperado para ele ocorreu, pois ele vislumbrou um anjo do SENHOR postado à direita do Altar. A figura angelical usava uma veste alva e finíssima e era de formidável aparência humana, de quem exalava serena autoridade.
Por uma fração de segundo passou pela mente de Zacarias que ele tivesse feito algo errado e que algum outro sacerdote tivesse vindo repreendê-lo, mas imediatamente Zacarias viu não se tratar de outro sacerdote. Convencido em seu íntimo que se tratava de um anjo do SENHOR, Zacarias ficou perplexo, não dizia coisa alguma e um temor reverencial tomou conta dele, o que foi interrompido pelo anjo, que disse:
– Não tenha medo, Zacarias, pois Deus ouviu a sua oração! A sua esposa vai ter um filho, e você porá nele o nome de João. O nascimento dele vai trazer alegria e felicidade para você e para muita gente, pois para o Senhor Deus ele será um grande homem. Ele não deverá beber vinho nem cerveja. Ele será cheio do Espírito Santo desde o nascimento e levará muitos israelitas ao Senhor, o Deus de Israel. Ele será mandado por Deus como mensageiro e será forte e poderoso como o profeta Elias. Ele fará com que pais e filhos façam as pazes e que os desobedientes voltem a andar no caminho direito. E conseguirá preparar o povo de Israel para a vinda do Senhor.
Passou pela mente de Zacarias naquele momento que a benção infelizmente havia chegado tarde e por isso ele levantou uma objeção ao que o anjo havia dito, respondendo:
– Como é que eu vou saber que isso é verdade? Estou muito velho, e a minha mulher também.
Assim que Zacarias proferiu tais palavras se descortinou diante dele a sua própria incredulidade.
Ele percebeu imediatamente, pela serenidade com que suas palavras foram recebidas pelo anjo, que suas orações haviam sido atendidas de uma maneira que ele e sua esposa nunca imaginariam. Por um momento ele temeu que tais palavras pudessem lhe comprometer a benção, impressão esta que se dissipou com a réplica do anjo, que disse:
– Eu sou Gabriel, servo de Deus, e ele me mandou falar com você para lhe dar essa boa notícia. Você não está acreditando no que eu disse, mas isso acontecerá no tempo certo. E, porque você não acreditou, você ficará mudo e não poderá falar até o dia em que o seu filho nascer.
Zacarias sentia-se muitíssimo grato pela reprimenda, especialmente porque seu filho estava a caminho e suas palavras de incredulidade não haviam comprometido a promessa de Deus trazida pelo anjo Gabriel. Zacarias viu-se inserido, de uma hora pra outra, num grande plano do SENHOR para Israel, pois porque outro motivo DEUS enviaria Gabriel, o anjo que havia ministrado ao profeta Daniel, para lhe comunicar o nascimento de seu filho?
Apesar de mudo, ele se sentia confortado e compreendia perfeitamente que esta medida era imprescindível para evitar que ele, dali por diante, proferisse alguma palavra de dúvida que colocasse em risco a benção que lhe fora anunciada. A dúvida de Zacarias estava fincada em décadas de espera e na convicção de que sua esposa não geraria descendência, já que detinha idade avançada.
O anjo havia desaparecido assim que encerrara suas palavras com o velho sacerdote, que agora estava mudo. O serviço no Altar do Incenso ainda precisava ser feito e Zacarias, chorando e grato a DEUS, arrumava entre as pontas do altar o incenso e as especiarias para pôr o fogo sobre eles.
O aroma do incenso passou a encher o Santo Lugar e Zacarias foi tomado por um êxtase de verdadeira adoração e compreensão do significado da ministração sacerdotal ao SENHOR, motivo pelo qual o velho sacerdote acabou demorando para sair do Santo Lugar, fazendo crer a alguns que havia morrido durante o serviço.
Zacarias saiu do Santo Lugar caminhando vagarosamente, um passo depois outro, olhando para seus irmãos levitas à porta do Santo Lugar e desejando ardentemente lhes falar da maravilhosa experiência vivida durante sua ministração. Ele respondia aos irmãos por acenos e não demorou muito para que eles compreendessem que Zacarias havia tido uma visão no Santo Lugar.
A quinzena do turno de Abias se encerrou dias após e Zacarias voltou à região montanhosa de Judá onde residia com sua esposa Isabel. Lá ele permaneceu mudo e meditando no que ocorrera neste último período anual.
Zacarias sabia que sua esposa Isabel partilhava com ele a incredulidade que demonstrara diante do anjo Gabriel, portanto, sabendo em seu íntimo que sua esposa apareceria grávida, não tentou comunicar-lhe o que o anjo lhe havia dito. Temia que o espírito de incredulidade usasse a boca de sua esposa, já que não podia se valer de suas próprias palavras por ter ficado temporariamente mudo.
Isabel há muito julgava que não poderia ter filho, primeiramente pela aparente infertilidade que tanto poderia ser dela, com de seu marido, mas, ademais, pelo fato de que já contava com idade avançada. Por isso mesmo Isabel demorou a aceitar que as mudanças em seu corpo senil significavam uma gravidez, ainda que soubesse que seu marido havia retornado de Jerusalém tendo vivido uma experiência que, mesmo àquela altura, mudaria suas vidas.
Confirmada a gravidez, não foi surpresa para Isabel que seu marido já soubesse e recebesse a notícia com lágrimas de gratidão à DEUS e terno carinho à sua companheira. Disse Isabel a seu esposo:
– O SENHOR se lembrou de mim, olhou para a minha situação e retirou de sobre mim a vergonha da esterilidade.
Temendo a incredulidade que até então não havia sido liberada por palavra, quer sua, quer de seu esposo Zacarias, Isabel ocultou de seus parentes e vizinhos a sua gravidez por mais de cinco meses, revelando-a somente quando seu ventre não deixava dúvidas a quem quer que fosse de que ela aguardava o nascimento de um filho.
Assim, esta passagem do anúncio do nascimento de João Batista nos revela a importância do silêncio enquanto se aguarda a benção e diante da impossibilidade de confessar a vitória com palavras. Quando a incredulidade passa a assediar o crente não é por outro motivo senão para que ele faça como fez Zacarias diante do anjo Gabriel, ou seja, que levante uma objeção; que saque, do plano das impossibilidades do mundo natural, um argumento que se oponha ao que DEUS, em sua onipotência e absoluta indiferença para com o que é “impossível”, queira fazer por seu infinito poder.

segunda-feira, novembro 15, 2010

IRA HUMANA E DIVINA

A ira é um sentimento que DEUS nutre contra os pecadores por causa do pecado:

Ef 5: 6 Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.

Rm 1: 18 A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça;

Há 39 menções no Velho Testamento para “ira do SENHOR”

A ira de DEUS irá se acender no Dia do Juízo:

Rm 2: 5 Mas, segundo a tua dureza e coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus,

Ap 19: 15 Sai da sua boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso.

Ap 6: 15 Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes 16 e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, 17porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?

É JESUS que nos livra da ira de DEUS:

I Ts 1:10 e para aguardardes dos céus o seu Filho, a quem ele ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura.

O homem, feito a imagem e semelhança de DEUS, também sente a ira, que quando é dirigida contra o pecado, é usada por DEUS para a busca da santidade:

Sl 76:10 Pois até a ira humana há de louvar-te; e do resíduo das iras te cinges.

Ainda que o homem esteja suscetível a sentir ira e ainda que isso possa nalgum momento ser utilizada por DEUS, trata-se de um sentimento perigoso na vida de um ser decaído e inclinado ao pecado, de modo que DEUS expressamente instituiu um mandamento pelo qual o homem não deveria GUARDAR a ira:

Lv 19:18 Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor.

Ec 7: 9 Não te apresses em irar-te, porque a ira se abriga no íntimo dos insensatos.

A ira que não é rapidamente descartada pelo homem, mas que, antes, é cultivada, se constitui numa distração dos verdadeiros propósitos, suscitando o pecado:

Sl 4:4 Irai-vos e não pequeis; consultai 4 no travesseiro o coração e sossegai.

Pv 30: 33 Porque o bater do leite produz manteiga, e o torcer do nariz produz sangue, e o açular a ira produz contendas.

Ef 4: 26 Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, 27 nem deis lugar ao diabo.

O pecado da ira se constitui num peso para o crente:

Pv 27:3 Pesada é a pedra, e a areia é uma carga; mas a ira do insensato é mais pesada do que uma e outra.

DEUS nos manda substituir o extravasar da ira pela oração, levando as mãos (com as quais exercitaríamos algum ato de ira...) a Ele, em sinal de dependência, pois o agir de DEUS se dá pela demonstração desta dependência e não pelo extravasar da ira:

I Tm 2:8 Quero, portanto, que os varões orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira e sem animosidade.

Tg 1: 19 Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. 20 Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus.

O PESO QUE COMPROMETE A CARREIRA

O autor de Hebreus, após listar inúmeros exemplos de fé no capítulo 11, inicia o capítulo 12 com a seguinte convocação:

Hb 12:1 Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta,

Ele compara a vida vivida com fé em Cristo a uma corrida que o atleta faz e diz que este “atleta de Cristo” irá correr rodeado de uma nuvem de testemunhas, que são os que guardaram a fé antes de nós.

A Palavra aconselha que este corredor se abstenha de duas coisas que o impedem de correr a carreira que lhe foi proposta: o peso e o pecado que tenazmente o assedia.

Livrar-se do pecado é lutar contra a cobiça que habita o interior do velho homem e que serve de tentação ao mesmo, buscando conceber o pecado (Tg1:14-15). É evidente que o pecado impede a carreira de fé e não é este o foco deste estudo.

O principal aqui é o peso que embaraça o atleta e que não foi mencionado na Palavra como pecado. O pecado não confessado impede absolutamente a carreira do atleta, todavia, o peso não o impede de correr, mas o embaraça, ou, noutra tradução, o atrapalha.

Sendo constantemente atrapalhado por tais “pesos”, o atleta acaba por fatigar-se, desmaiando em sua alma, como é mencionado no versículo 3 do mesmo capítulo 12 de Hebreus:

Hb 12:3 Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma.

A versão na linguagem de hoje substitui fatigar e desmaiar por desanimar e desistir da carreira de fé.

E quais são os “pesos” que, não sendo pecados, ainda assim atrapalham a carreira do atleta de Cristo?

São as coisas lícitas que não convém, de que Paulo fala aos crentes de Corinto no capítulo 6, versículo 12 e no capítulo 10, versículo 23, na primeira carta:

I Co 6:12 Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.

I Co 10:23 Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam.

Os dois textos acima dizem que “todas as coisas são lícitas” aos coríntios, ou seja, aos judeus convertidos a Cristo não se aplicavam mais as ilicitudes no campo dos costumes que se impunham aos que viviam pela Lei, todavia, não é porque tais coisas lhes eram agora lícitas que deveriam ser praticadas, antes era preciso observar se tais atitudes não acabariam por escravizar o crente e se elas conduziam à edificação ou ao contrário, à desmaterialização de um espírito reto.

Nós, os crentes que fomos tomados dentre os gentios, nunca fomos sujeitos à Lei de Moisés no campo dos costumes, mas também nós temos de nos abster das coisas lícitas que não edificam em nós um espírito reto e tem potencial para nos escravizar, impedindo nossa carreira de fé.

É difícil fazer uma lista de “pesos”, pois estes tem caráter subjetivo. Para uns o trabalho em excesso pode representar um peso à carreira de fé; para outro é residir num determinado local; para outro o peso é um relacionamento pessoal que não contribui com esta jornada; para outro pode ser um hobby ou mesmo um costume cultural.

A falta de governo do Espírito quanto ao que comemos, bebemos, nos entretemos também pode significar um peso, pois ainda que o crente se abstenha dos excessos pecaminosos, a constância nestes hábitos impede a carreira de fé, na medida em que o tempo e o vigor do crente são tomados de sua carreira de fé e utilizados naquilo que não vai edificar nele um espírito reto, antes servindo apenas para satisfazer o que deseja a alma.

É o Espírito Santo que dirá, a cada um, em seu íntimo, na medida da comunhão que cada qual mantém, quais sãos os pesos que impedem a carreira que nos foi proposta. Devemos, portanto, consultá-Lo, para que Ele, que nos ensina todas as coisas, nos convença do que é pecado, do que é justiça (certo) e de tudo o que é peso que não irá contribuir para cruzarmos a linha de chegada nos braços do Pai.

EXPANDINDO LIMITES

Alguns cristãos se perguntam porque não conseguem viver uma vida abundante e porque ainda estão tão inclinados a errar o alvo.

Penso que o Espírito Santo me disse algo nesta manhã sobre este assunto.

Quando Jesus foi perguntado por um doutor na lei sobre qual era o grande mandamento (Mt 22:36), Ele expôs o que seriam os dois mais importantes mandamentos. O primeiro é amar a DEUS de todo o coração, alma e pensamento e o segundo amar ao próximo como a si mesmo.

Por outro lado, vemos na carta de Tiago (1:14) que o homem é tentado por sua própria concupiscência interior, que o atrai e seduz e vemos no Evangelho de Lucas (6:45) que “o homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal” e em Marcos 7:21 que “do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios”.

Aqui se estabelece um contra-senso. O homem deve amar a DEUS de todo o seu coração, mas de dentro deste mesmo coração saem toda sorte de malignidades. Se o coração de um homem emana maus pensamentos, adultérios, prostituições e homicídios, é óbvio que tal homem não ama a DEUS de todo o coração. Parte do coração ama a DEUS e parte do coração ama as obras das trevas.

Este homem tem o coração dividido, como o coração do povo de Israel que foi descrito em Oséias 10: 1 a 3:

1 ISRAEL é uma vide estéril que dá fruto para si mesmo; conforme a abundância do seu fruto, multiplicou também os altares; conforme a bondade da sua terra, assim, fizeram boas as estátuas.

2 O seu coração está dividido, por isso serão culpados; o SENHOR demolirá os seus altares, e destruirá as suas estátuas.

3 Certamente agora dirão: Não temos rei, porque não tememos ao SENHOR; e o rei, que faria por nós?

O coração dividido é nota de culpa para o homem e é causa de esterilidade na vida do cristão. A esterilidade atinge todos os aspectos da vida do homem que a ela está sujeito.

Portanto, voltando ao início deste texto, concluímos que a causa de tantos não desfrutarem da abundância do SENHOR é a esterilidade e a causa desta última é o coração dividido do homem, que ama ao SENHOR, mas não de acordo com o mais importante e todo inclusivo mandamento da Palavra de Deus, que é amá-lo de todo o coração.

Para romper com este ciclo vicioso e passar a agradar a DEUS e desfrutar de suas promessas é preciso limpar o coração (Tg 4:8) de todo interesse pelas obras infrutíferas das trevas, devotando todo o coração ao SENHOR.

A pergunta é: como fazer isso?

Há quem já tenha tentado de tudo ao seu alcance para limpar o coração e ainda assim continua vendo em sua vida as mesmas obras, como Paulo, que via em seus membros um comportamento ao inverso do que ele cria e desejava em seu homem interior (Rm 7:23).

O SENHOR falou-me quanto ao ser limpo, que não é o homem que se limpa para entrar na presença de DEUS, mas é o SENHOR que limpa o homem de sua imundícia, como em Lucas 5:12 e13:

12 E aconteceu que, quando estava numa daquelas cidades, eis que um homem cheio de lepra, vendo a Jesus, prostrou-se sobre o rosto, e rogou-lhe, dizendo: Senhor, se quiseres, bem podes limpar-me.

13 E ele, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, sê limpo. E logo a lepra desapareceu dele.

Porém, se é DEUS quem nos limpa e se Ele quer nos ver limpos e com alvas vestes em sua presença, porque é que Ele não nos limpa a todos imediatamente e no momento que nos convertemos? Porque DEUS parece nos limpar de alguns pecados e de outros não e porque somos libertos da prática de determinados pecados imediatamente enquanto que outras práticas parecem resistir por longo tempo em nossas vidas?

A resposta, sem dúvida, está na reciprocidade. A reciprocidade de Deus é a garantia de que teremos sempre respeitada a nossa condição de seres feitos a imagem e semelhança de dEle. É que DEUS nos fez como Ele, com livre arbítrio, podendo decidir o que vamos receber e que não vamos receber de nosso entorno. Se DEUS intervisse na vida do homem para fazer nele aquilo pelo qual o homem não pagou preço algum e nem sequer decidiu verdadeiramente que deseja, então DEUS terá invalidado na vida deste homem o seu livre arbítrio e teria feito deste homem alguém distinto de Si mesmo, rompendo com a semelhança entre o Criador e a criatura humana.

DEUS é, para conosco, recíproco. Isto significa que embora Ele possa fazer qualquer coisa, fará todas as coisas em nossa vida na proporção direta de nossa busca e de nosso desejo ardente.

É aí que entram os limites e o nosso dever de removê-los.

A Bíblia diz que nosso coração é uma terra (Mt 13:19) e se emana desta terra tanto o amor a DEUS como o amor pelas coisas terrenas é porque esta terra está dividida e há um limite entre a parte que se devota a DEUS e a parte que presta culto às coisas do mundo.

Este limite precisa ser removido e o território que ainda não ama a DEUS precisa ser conquistado, para que tal homem ama a DEUS de todo o coração.

Quais são, pois, objetivamente, estes limites?

Penso que os limites que precisam ser removidos são os limites que nos impomos na oração, no jejum, na adoração, nos votos, nas ofertas, no estudo e meditação da Palavra, no serviço (amor prático) em prol de nossos irmãos, na intercessão pelos perdidos, no esforço para demonstrarmos de forma prática a fé que professamos, etc.

Pergunte-se agora qual foi o maior tempo que Você passou orando ou jejuando. Independente da resposta, é fato, e Você concordará, que se tivesse orado mais e jejuado mais teria obtido respostas mais eficazes do Céu. Se todos concordamos que devemos orar e jejuar mais, porque não o fazemos?

A resposta é porque nós nos impomos limites. A carne, ou seja, o corpo e a alma insubmissos, impõe ao nosso ser um limite às atividades espirituais como que dizendo: “nós só agüentamos até aqui...”.

É preciso desafiar estes limites!

Precisamos fazer o que nunca foi feito, orar como nunca oramos, jejuar como nunca jejuamos, meditar como nunca meditamos, servir como nunca servimos, para que venhamos obter do SENHOR, pela sua reciprocidade, uma mudança interior que até aqui nunca vivenciamos.

É preciso se perguntar quais os nossos limites espirituais e é preciso programar (e cumprir) um cronograma de desafios a estes limites.

O leproso de Lucas 5: 12 e 13 rompeu com um limite pessoal ao se prostrar diante de JESUS, ao crer que Ele poderia libertar-lhe da lepra e a rogar a JESUS.

Quais sãos os seus limites? Que restrições Você permitiu que a sua carne impusesse à sua busca espiritual?

Se Você já sabe quais são estes limites, desafie-os. Expanda seus limites!

Manolo Del Olmo

SANTIDADE: A MARCA DESTA GERAÇÃO

1. O QUE É SANTIDADE?

Português

santo

Hebraico

qodesh

Grego

hosios

Que vive segundo os preceitos religiosos, a lei divina. Que obteve o Céu como recompensa de suas virtudes; bem-aventurado. Diz-se daquele que a Igreja canonizou. Puro, imaculado, inocente. Respeitável, venerável, venerando. Que tem bom coração; bondoso em extremo. Que é próprio de santo. Que não pode ser violado ou profanado. Respeitante às coisas divinas, à religião, ao culto. Útil, proveitoso; profícuo; eficaz

separado, posto à parte

purificado de pecado, livre de iniqüidade

  • Pacto semântico: o sentido será o do hebraico (qodesh) com vistas a obter o resultado do termo no grego (hosios) = SEPARAÇÃO com vistas a ser LIVRE DA INIQUIDADE.

2. PORQUE SER SEPARADO?

  • Porque o mundo jaz no maligno (I Jo 5:1), todos os seres humanos estão igualmente perdidos (Mt 18:11 e Lc 19:10) e não existe um único humano justo aos olhos de Deus (Rm 3:10 e 12):
    • O padrão de correção divino é superior ao nosso (Is 55:7 a 9)
    • Nós, originalmente, possuíamos este padrão divino, pois fomos criados a semelhança de DEUS (Gn 5:1)
    • Mas decaímos deste padrão pela desobediência (Gn 3:6), que amaldiçoou toda a terra (Gn 3:17), passando nós a viver por instintos (Ef 2:3) e não por direção divina
  • Porque DEUS vai acabar com esta terra amaldiçoada (Is 51:16 e 2 Pe 3:13) e pretende nos resgatar para viver eternamente noutra terra (Lc 9:56, Ap 6:9, 20:4, 21:3 e 1 Jo 2:17)
  • Porque se o homem viver no curso deste mundo, ele iguala a divindade (Sl 82:6) a satanás. Como DEUS pode condenar satanás à pena de separação e tormento eterno se a criatura feita à imagem e semelhança dEle age conforme o próprio satanás?

3. COMO SER SEPARADO?

  • É preciso andar no Caminho da Santidade (Is 35:8)
  • “peripateo pneuma” (Gl 5:16 e 25)

4. COMO “ANDAR NO ESPÍRITO”?

  • Tendo comunhão com Ele (II Co 13:14)

5. COMO TER COMUNHÃO COM O ESPÍRITO SANTO?

  • Buscando a DEUS em oração com o ESPÍRITO SANTO antes de iniciar o dia (Jó 8:5,6 e Sl 63:1, 88:13, 90:14, Pv 8:17 e Rm 8:26)
  • Com uma atitude de sincera de desconfiança e vigilância em relação ao próprio coração, mantendo-se em quebrantamento (falar de si em terceira pessoa) (Sl 51:17, 78: 34 37, Pv 1:28,29 e Os 5:15)
    • Procurando ciclicamente o processo de arrependimento (busca, quebrantamento, convencimento, confissão, restituição e restauração)
  • Meditando diariamente na Palavra de Deus (Js 1:8, Sl 1:2, 19:14, 27:14, 104:34, 119:97, I Tm 4:15)
  • Evitando distrações que conduzam a situações de risco, sempre vigiando (I Co 15:33 e 34 e I Ts 5:6) – trabalho ou lazer excessivo, sensualidade e licenciosidade, distância do ESPÍRITO, aborrecimentos
  • Fugindo das tentações para ser aprovado nos provações e, assim, moldar o nosso caráter ao de CRISTO (I Co 10:13, Tg 1:2 Ef 4:13)
  • Mantendo comunhão uns com os outros independentemente dos interesses pessoais (I Jo 1:7). Proximidade como membro do corpo = comunhão; proximidade como indivíduo = amizade.
  • Andando em discipulado: discipulando e sendo discipulado com transparência, sinceridade e sem estremecimento.
  • Sendo servo (I Pe 4:10)

PNEUMETOLOGIA

I - A Personalidade

I Co 2: 10 Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus.

11 Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus.

Ef 4: 30 E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.

I Co 12:11 Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente.

Jo 14: 26 mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.

Rm 8: 14 Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.

At 13: 4 Enviados, pois, pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre.

At 8: 29 Então, disse o Espírito a Filipe: Aproxima-te desse carro e acompanha-o.

Gn 6: 3 Então, disse o SENHOR: O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos.

Rm 8: 26 Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis.

Jo 15: 26 Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim; 27 e vós também testemunhareis, porque estais comigo desde o princípio.

I Pe 1: 21 porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.

At 10: 19 Enquanto meditava Pedro acerca da visão, disse-lhe o Espírito: Estão aí dois homens que te procuram; 20 levanta-te, pois, desce e vai com eles, nada duvidando; porque eu os enviei. 21 E, descendo Pedro para junto dos homens, disse: Aqui me tendes; sou eu a quem buscais? A que viestes?

At 5: 3 Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo?

At 7: 51 Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis.

Sl 51: 11 Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito.

Mt 12:31 Por isso, vos declaro: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada.

Hb 10: 29 De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?

II – A Divindade

I Co 6: 11 Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus.

Jo 14: 16 E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, 17 o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.

Lc 1: 35 Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus.

Jo 16: 8 Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo:

Jo 3: 5 Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. 6 O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito.

Jo 15: 26 Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim;

V – A Obra...

Gn 41: 38 Disse Faraó aos seus oficiais: Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus?

Jz 3:10 Veio sobre ele (Otniel) o Espírito do SENHOR, e ele julgou a Israel; saiu à peleja, e o SENHOR lhe entregou nas mãos a Cusã-Risataim, rei da Mesopotâmia, contra o qual ele prevaleceu.

Ex 31: 1 Disse mais o SENHOR a Moisés: 2 Eis que chamei pelo nome a Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, 3 e o enchi do Espírito de Deus, de habilidade, de inteligência e de conhecimento, em todo artifício, 4 para elaborar desenhos e trabalhar em ouro, em prata, em bronze, 5 para lapidação de pedras de engaste, para entalho de madeira, para toda sorte de lavores.

II Pe 1: 21 porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.

VII – A Obra...

Tt 3: 4 Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, 5 não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, 6 que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, 7 a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna.

II Co:5 17 E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; {criatura; ou criação} as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.

I Co 619 Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?

I Jo 2: 20 E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento. (...) 27 Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou.

I Co 12: 13 Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.

II Co 1: 21 Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus, 22 que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração.

Ef 1: 13 em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; 14 o qual é o penhor da nossa herança, ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.

Ef 4: 30 E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.

I Co 12: 4 Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. 5 E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. 6 E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos. 7 A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso. 8 Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; 9 a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; 10 a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las. 11 Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente. 12 Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo.

Rm 12: 4 Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, 5 assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros, 6 tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé; 7 se ministério, dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina esmere-se no fazê-lo; 8 ou o que exorta faça-o com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside, com diligência; quem exerce misericórdia, com alegria.

I Co 12: 28 A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. 29 Porventura, são todos apóstolos? Ou, todos profetas? São todos mestres? Ou, operadores de milagres? 30 Têm todos dons de curar? Falam todos em outras línguas? {em outras línguas; no original, em línguas} Interpretam-nas todos? 31 Entretanto, procurai, com zelo, os melhores dons. E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente.

X – Plenitude...

Ef 5: 18 E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, 19 falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, 20 dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, 21 sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.

Gl 5: 22 Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, 23 mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.

Rm 12: 1 Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.

2 E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Rm 8: 13 Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis. 14 Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.

Gl 5: 16 Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne.

I Pe 4: 10 Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.

O Reino de Deus e a Sua Justiça

Jesus veio pra pregar o reino de Deus e não pra conceder salvação. A salvação é um meio de trazer o pecador arrependido para dentro do reino e para a comunhão com o Rei e não um fim em si mesmo:

Lucas 4:43 Ele, porém, lhes disse: É necessário que eu anuncie o evangelho do reino de Deus também às outras cidades, pois para isso é que fui enviado.

Lucas 9:11 Mas as multidões, ao saberem, seguiram-no. Acolhendo-as, falava-lhes a respeito do reino de Deus e socorria os que tinham necessidade de cura.

Lucas 9:2 Também os enviou a pregar o reino de Deus e a curar os enfermos.

Lucas 8:1 Aconteceu, depois disto, que andava Jesus de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus, e os doze iam com ele,

Mesmo depois de morto e ressuscitado Jesus se ocupou de pregar o reino de Deus:

Atos 1:3 A estes também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.

Também os apóstolos, assim como Jesus, se ocuparam de pregar o reino de Deus:

Atos 28:23 Havendo-lhe eles marcado um dia, vieram em grande número ao encontro de Paulo na sua própria residência. Então, desde a manhã até à tarde, lhes fez uma exposição em testemunho do reino de Deus, procurando persuadi-los a respeito de Jesus, tanto pela lei de Moisés como pelos profetas.

At 28: 30 Por dois anos, permaneceu Paulo na sua própria casa, que alugara, onde recebia todos que o procuravam, 31 pregando o reino de Deus, e, com toda a intrepidez, sem impedimento algum, ensinava as coisas referentes ao Senhor Jesus Cristo.

E o quer é o reino de Deus? Para sabê-lo é bom, primeiramente, saber o que o reino de Deus não é:

Rm 14: 17 Porque o reino de Deus não é comida nem bebida...

1 Coríntios 4:20 Porque o reino de Deus consiste não em palavra, mas em poder.

O reino de Deus não é um lugar ou algo de manifestação física, visível:

Lc 17: 20 Interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, Jesus lhes respondeu: Não vem o reino de Deus com visível aparência. 21 Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está!

O reino de Deus é um “estado de espírito” (Lc 17:20) onde o homem se vê agraciado por Deus com justiça, paz e alegria (Rm 14:17); tudo isto de forma poderosa, gloriosa e sobrenatural (1 Co 4:20) e a partir de sucessivas provas (2 Ts 1:5, At 14:22, Tg 1:2 a 4 e 12 e 1 Pe 1:6), onde somos desafiados a manter a confiança e a fé em Deus apesar das circunstâncias:

Lc 17: 20 (...) Porque o reino de Deus está dentro de vós.

Rm 14: 17 (Porque o reino de Deus ... é) justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.

1 Coríntios 4:20 (Porque o reino de Deus consiste ...) em poder.

2 Ts 1: 3 Irmãos, cumpre-nos dar sempre graças a Deus no tocante a vós outros, como é justo, pois a vossa fé cresce sobremaneira, e o vosso mútuo amor de uns para com os outros vai aumentando, 4 a tal ponto que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, à vista da vossa constância e fé, em todas as vossas perseguições e nas tribulações que suportais, 5 sinal evidente do reto juízo de Deus, para que sejais considerados dignos do reino de Deus, pelo qual, com efeito, estais sofrendo; 6 se, de fato, é justo para com Deus que ele dê em paga tribulação aos que vos atribulam 7 e a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, 8 em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. 9 Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, 10 quando vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram, naquele dia (porquanto foi crido entre vós o nosso testemunho).

Atos 14:22 fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus.

Tg 1:2 a 4 e 12 Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, 3 sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. 4 Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes. (...) 12 Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.

1 Pe 1: 6 Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, 7 para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; 8 a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, 9 btendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma.

Todavia, viver o reino de Deus no homem interior não é sinônimo de sofrimento, porque as circunstâncias que levariam sofrimento ao crente carnal não atingem o crente espiritual, pois a este é reservado uma paz e uma alegria interior, decorrente do viver em justiça:

Rm 14:17 Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.

E o que é a justiça de Deus?

Rm 1:16 Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; 17 visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.

Rm 3: 5 Mas, se a nossa injustiça traz a lume a justiça de Deus, que diremos? Porventura, será Deus injusto por aplicar a sua ira? (Falo como homem.) 6 Certo que não. Do contrário, como julgará Deus o mundo? 7 E, se por causa da minha mentira, fica em relevo a verdade de Deus para a sua glória, por que sou eu ainda condenado

Rm 3: 19 Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus, 20 visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado. 21 Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; 22 justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que crêem; porque não há distinção, 23 pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, 24 sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, 25 a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; 26 tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus.

Romanos 10:3 Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus. 2 Coríntios 5:21 Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.

Tiago 1:20 Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus.

AUTORIDADE

1. Mundo Espiritual e Mundo Temporal

A Palavra do SENHOR diz, em Gênesis 1:1 que o PAI criou os Céus e a Terra. Em Salmos 33:9 está escrito que o PAI falou e ordenou e tudo passou a existir, como também na carta aos Colossenses 1:15-17 está escrito que JESUS é a imagem do DEUS invisível, que Nele foram criadas todas as coisas nos “Céus e na Terra” e que Nele tais coisas subsistem.

Creio nas Sagradas Escrituras e no seu caráter sobrenatural e acredito piamente que toda a existência, ou seja, toda a matéria e as forças que nela atuam no universo foram extraídas do próprio JESUS, por meio Dele se organizaram e unicamente para os Seus propósitos, e que toda a criação mantém-se estável por ordem e cuidado de JESUS CRISTO, conforme Romanos 11:36 e Colossenses 1:15-17.

Há fundamento nas Sagradas Escrituras para acreditar que “Céus e Terra” significam, respectivamente, “Mundo Espiritual e Mundo Natural”. A matéria e as forças que sobre ela atuam no mundo natural criado por DEUS podem ser percebidas pelo gênero humano nas três dimensões e graças ao tempo, mas o que consta do mundo espiritual não pode ser percebido com os cinco sentidos de que é dotado o homem. Para discernir as coisas espirituais é preciso um espírito vivificado e treinado pelo ESPÍRITO SANTO, pois as coisas espirituais se discernem espiritualmente (I Coríntios 2:14).

Feita esta introdução, passo à questão da autoridade.

2. Tipos de Autoridade

Há dois tipos de autoridade, aquele que é exercida sobre o mundo espiritual e outra que é exercida sobre o mundo natural.

A autoridade espiritual confere poder sobre seres espirituais, de forma que os demônios se submetem e os anjos respeitam tal autoridade (Mt 10:1, Mc 1:27, 3:14, 6:7, Lc 10:19 e 22:30). Já a autoridade temporal confere poder sobre os homens, ela é usada para vingar o mal feito pelos humanos e os que a exercem são ministros de Deus, como diz em Romanos, 13:3 e 4: “Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. (...) autoridade é ministro de Deus para teu bem. (...) é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal”.

A autoridade espiritual difere da autoridade temporal, pois enquanto esta é baseada no “ser” (na posição hierárquica), aquela é baseada no “fazer” (no servir ao próximo). JESUS disse em Mc 10:42 que o que quiser conquistar a autoridade espiritual deverá servir e o que quiser conquistar maior nível de autoridade espiritual deverá servir a todos.

A autoridade de JESUS é autoridade espiritual, isto é, sobre o mundo natural e sobre o mundo que dirige este último, o mundo espiritual. Em Efésios, 1:20, é dito que DEUS ressuscitou JESUS dentre os mortos e o fez sentar à Sua direita nos lugares celestiais, vale dizer, no lugar de primazia no mundo espiritual. Na antiguidade, o lugar á direita do rei era o lugar de maior autoridade depois do trono. Ainda em Efésios, 1:21, é dito que JESUS está acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro, ou seja, que toda a autoridade sobre a humanidade lhe foi dada após Ele ter obedecido a DEUS e servido esta humanidade com Sua própria vida na cruz.

Adiante, nos versículos 22 e 23 é dito como JESUS se utilizou desta autoridade, ou seja, Ele sujeitou todas as coisas (as coisas criadas, a criação) aos Seus pés e estabelecendo o Seu Corpo, a Igreja, o somatório dos que O obedecem nesta terra, como autoridade sobre a criação, restabelecendo o que fora dado a Adão.

A autoridade de JESUS em sua passagem terrena incluía ainda o poder para dar sua vida (física) e toma-la de volta (S. João 10:18) e conceder vida eterna a todos os homens que crescem Nele (S. João 17:2).

3. A Delegação de Autoridade

A autoridade originária sobre os mundos espiritual e natural, logicamente, é Daquele que os criou (DEUS) e tal autoridade Ele a delega a quem quiser, não devendo obediência a quem quer que seja, mas apenas coerência para com sua própria vontade já manifestada nas Sagradas Escrituras. DEUS delegou esta autoridade ao primeiro homem dotado de espírito (Adão) quando sujeitou-lhe a Terra (Gênesis 1:28), mas Adão deixou passar tal autoridade ao anjo decaído Satanás quando foi desobediente à DEUS, comendo do fruto que havia sido proibido, pois a desobediência à autoridade originária sempre acarreta a perda da autoridade delegada.

Por isso Satanás disse a Jesus em Lucas 4:6 que a autoridade e a glória dos reinos (mundo) lhe havia sido dada. No entanto, a autoridade de Satanás é a autoridade delegada, enquanto que a autoridade do SENHOR JESUS é a autoridade originária sobre todo o Céu e a Terra (Mateus 28:18).

A delegação de autoridade fica clara quando JESUS diz a Pilatos, no evangelho de João, 19:11, que “nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada”. Também em Romanos, 13:11, é dito que “não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas”. A autoridade temporal, portanto, é divina na essência, embora seja exercida, na maioria das vezes, por pecadores não arrependidos, o que faz com que ela seja utilizada para o mal e não para o bem.

O modo como a autoridade é exercida, no entanto, não lhe retira o caráter divino e os excessos e desmandos dos homens investidos de autoridade devem ser enfrentados primeiramente com oração (I Tm 2:1-2) e também com medidas desprovidas de rebeldia, ou seja, medidas que se valham da própria autoridade temporal para corrigir os homens que utilizam mal a autoridade delegada. Deve-se recorrer sempre à autoridade superior contra o inferior que exorbita do uso da autoridade.

Nunca se deve, por causa dos excessos dos homens ímpios, amaldiçoá-los (Ex 22:28), pois assim se atinge tais homens e também a autoridade que está sobre eles, que é, como dito, divina.

Quando confiamos em Deus para restabelecer a justiça no uso da autoridade, Ele “dissolve a autoridade dos governantes e os doma”, com é dito no livro de Jó, 12:18.

4. A Condição para Receber e Exercer Autoridade

Receber autoridade depende, sempre, de fidelidade, como consta na parábola em Lucas, 19:17: “Muito bem, servo bom; porque foste fiel no pouco, terás autoridade sobre dez cidades”. Também em Apocalipse, 2:26, é dito que “ao vencedor, que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações”. Outra condição para receber e exercer autoridade é ser obediente, ou seja, só recebe autoridade quem é sujeito a autoridade, como se vê em Mateus, 8:8 e 9, “Senhor, não sou digno de que entres em minha casa; mas apenas manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz”.

A obediência à autoridade é obediência à Deus e o inverso é verdadeiro, ou seja, “aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus” (Rm 13:2), portanto, “é necessário estar sujeito à autoridade, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência” para com Deus (Rm 13:5).

5. O Pagamento de Tributos

No dever de sujeição à autoridade está o dever de pagar tributos. Em Romanos, 13:6 e 7, é dito textualmente que se deve pagar tributo por causa da sujeição à autoridade, logo, sonegar tributos é ser insubmisso.

Diante desta assertiva surge a pergunta: é imprescindível pagar o tributo no volume instituído pela autoridade? Logicamente que o valor fixado pela autoridade é o valor que se deve pagar e o pagamento abaixo deste é cumprimento parcial e desobediência parcial. No entanto, considerando que vivemos num sistema hierárquico de exercício de autoridade, se uma autoridade inferior (a da lei) fixa um tributo em desacordo com a autoridade superior (a da constituição) é lícito ao homem questionar o excesso de tributo perante a autoridade que tem competência para tanto (a autoridade judicial).

E se ainda assim for excessivo o peso do tributo? Bem, neste caso sobra a oração pelas autoridades (I Tm 2:1-2) e o pedido a DEUS para que esta autoridade injusta (a lei e o Estado injustos) sejam removidos por Ele, como diz em Jó, 12:18. A desobediência voluntária ao dever de pagar tributo impede a benção material.

Tesouros: No Céu e na Terra

A TERRA ESTÁ CORROMPIDA E CARECE SER SARADA:

Gn 6:11-12 A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência. E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra.

2 Cr 7:14 E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.

A SISTEMA PRODUTIVO NASCIDO DA TERRA CORROMPIDA SE CHAMA BABILÔNIA:

Ap 18 - E depois destas coisas vi descer do céu outro anjo, que tinha grande poder, e a terra foi iluminada com a sua glória. E clamou fortemente com grande voz, dizendo: Caiu, caiu a grande babilônia, e se tornou morada de demônios, e covil de todo espírito imundo, e esconderijo de toda ave imunda e odiável. Porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua prostituição, e os reis da terra se prostituíram com ela; e os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias. E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas. Porque já os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou das iniqüidades dela. Tornai-lhe a dar como ela vos tem dado, e retribuí-lhe em dobro conforme as suas obras; no cálice em que vos deu de beber, dai-lhe a ela em dobro. Quanto ela se glorificou, e em delícias esteve, foi-lhe outro tanto de tormento e pranto; porque diz em seu coração: Estou assentada como rainha, e não sou viúva, e não verei o pranto. Portanto, num dia virão as suas pragas, a morte, e o pranto, e a fome; e será queimada no fogo; porque é forte o Senhor Deus que a julga. E os reis da terra, que se prostituíram com ela, e viveram em delícias, a chorarão, e sobre ela prantearão, quando virem a fumaça do seu incêndio; Estando de longe pelo temor do seu tormento, dizendo: Ai! ai daquela grande babilônia, aquela forte cidade! pois numa hora veio o seu juízo. E sobre ela choram e lamentam os mercadores da terra; porque ninguém mais compra as suas mercadorias: Mercadorias de ouro, e de prata, e de pedras preciosas, e de pérolas, e de linho fino, e de púrpura, e de seda, e de escarlata; e toda a madeira odorífera, e todo o vaso de marfim, e todo o vaso de madeira preciosíssima, de bronze e de ferro, e de mármore; E canela, e perfume, e mirra, e incenso, e vinho, e azeite, e flor de farinha, e trigo, e gado, e ovelhas; e cavalos, e carros, e corpos e almas de homens. E o fruto do desejo da tua alma foi-se de ti; e todas as coisas gostosas e excelentes se foram de ti, e não mais as acharás. Os mercadores destas coisas, que com elas se enriqueceram, estarão de longe, pelo temor do seu tormento, chorando e lamentando, E dizendo: Ai, ai daquela grande cidade! que estava vestida de linho fino, de púrpura, de escarlata; e adornada com ouro e pedras preciosas e pérolas! porque numa hora foram assoladas tantas riquezas. E todo o piloto, e todo o que navega em naus, e todo o marinheiro, e todos os que negociam no mar se puseram de longe; E, vendo a fumaça do seu incêndio, clamaram, dizendo: Que cidade é semelhante a esta grande cidade? E lançaram pó sobre as suas cabeças, e clamaram, chorando, e lamentando, e dizendo: Ai, ai daquela grande cidade! na qual todos os que tinham naus no mar se enriqueceram em razão da sua opulência; porque numa hora foi assolada. Alegra-te sobre ela, ó céu, e vós, santos apóstolos e profetas; porque já Deus julgou a vossa causa quanto a ela. E um forte anjo levantou uma pedra como uma grande mó, e lançou-a no mar, dizendo: Com igual ímpeto será lançada babilônia, aquela grande cidade, e não será jamais achada. E em ti não se ouvirá mais a voz de harpistas, e de músicos, e de flautistas, e de trombeteiros, e nenhum artífice de arte alguma se achará mais em ti; e ruído de mó em ti não se ouvirá mais; E luz de candeia não mais luzirá em ti, e voz de esposo e de esposa não mais em ti se ouvirá; porque os teus mercadores eram os grandes da terra; porque todas as nações foram enganadas pelas tuas feitiçarias. E nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos, e de todos os que foram mortos na terra.

Lc 16:9-12 E eu vos digo: Granjeai amigos com as riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos. Quem é fiel no mínimo, também é fiel no muito; quem é injusto no mínimo, também é injusto no muito. Pois, se nas riquezas injustas não fostes fiéis, quem vos confiará as verdadeiras? E, se no alheio não fostes fiéis, quem vos dará o que é vosso?

 

O SISTEMA BABILÔNICO É GOVERNADO POR MAMON:

Mt 6:24-34 Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom. Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé? Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? (Porque todas estas coisas os gentios procuram). De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.

 

AS RIQUEZAS QUE DEUS NOS DÁ SUPERAM EM MUITO AS QUE MAMON TEM A OFERECER, MAS SOMENTE SÃO DADAS A QUEM NÃO AS CONSIDERA IMPRESCINDÍVEIS:

2 Cr 1:7-12 Naquela mesma noite Deus apareceu a Salomão, e disse-lhe: Pede o que queres que eu te dê. E Salomão disse a Deus: Tu usaste de grande benignidade com meu pai Davi, e a mim me fizeste rei em seu lugar. Agora, pois, ó SENHOR Deus, confirme-se a tua palavra, dada a meu pai Davi; porque tu me fizeste reinar sobre um povo numeroso como o pó da terra. Dá-me, pois, agora, sabedoria e conhecimento, para que possa sair e entrar perante este povo; pois quem poderia julgar a este tão grande povo? Então Deus disse a Salomão: Porquanto houve isto no teu coração, e não pediste riquezas, bens, ou honra, nem a morte dos que te odeiam, nem tampouco pediste muitos dias de vida, mas pediste para ti sabedoria e conhecimento, para poderes julgar a meu povo, sobre o qual te constituí rei, Sabedoria e conhecimento te são dados; e te darei riquezas, bens e honra, quais não teve nenhum rei antes de ti, e nem depois de ti haverá.

Lc 4:5-8 E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. Portanto, se tu me adorares, tudo será teu. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te para trás de mim, Satanás; porque está escrito: Adorarás o SENHOR teu Deus, e só a ele servirás.

 

AS RIQUEZAS PROPORCIONAM DISTRAÇÕES QUE PODEM CONDUZIR UMA PESSOA À SOBERBA:

Ez 28:5 Pela extensão da tua sabedoria no teu comércio aumentaste as tuas riquezas; e eleva-se o teu coração por causa das tuas riquezas;

I Tm 6:7-11 Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão.

Mt 4: 18-19 E outros são os que recebem a semente entre espinhos, os quais ouvem a palavra; Mas os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera.

 

NÃO DEVEMOS DEPOSITAR (A CONFIANÇA NAS) RIQUEZAS EM NOSSOS CORAÇÕES:

Sl 62:10 Não confieis na opressão, nem vos ensoberbeçais na rapina; se as vossas riquezas aumentam, não ponhais nelas o coração.

O “CORAÇÃO” É O “COFRE” DO QUE TEM MAIS VALOR PRA VOCÊ:

Mt 6:19-21 Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.

Pv7:1-3 Filho meu, guarda as minhas palavras, e esconde dentro de ti os meus mandamentos. Guarda os meus mandamentos e vive; e a minha lei, como a menina dos teus olhos. Ata-os aos teus dedos, escreve-os na tábua do teu coração.

Dt 6:4-6 Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração;

Pv4:20-22 Filho meu, atenta para as minhas palavras; às minhas razões inclina o teu ouvido. Não as deixes apartar-se dos teus olhos; guarda-as no íntimo do teu coração. Porque são vida para os que as acham, e saúde para todo o seu corpo.

 

O MAIS IMPORTANTE A RESPEITO DE UM TESOURO É O PROPÓSITO DELE (PARA QUE ELE SERVE?):

Sl 119:1-12 Alef. Bem-aventurados os retos em seus caminhos, que andam na lei do SENHOR. Bem-aventurados os que guardam os seus testemunhos, e que o buscam com todo o coração. E não praticam iniqüidade, mas andam nos seus caminhos. Tu ordenaste os teus mandamentos, para que diligentemente os observássemos. Quem dera que os meus caminhos fossem dirigidos a observar os teus mandamentos. Então não ficaria confundido, atentando eu para todos os teus mandamentos. Louvar-te-ei com retidão de coração quando tiver aprendido os teus justos juízos.

Sl 119:11Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti.

Sl 119:34 Dá-me entendimento, e guardarei a tua lei, e observá-la-ei de todo o meu coração.

 

AS PALAVRAS DEMONSTRAM O QUE HÁ NO “TESOURO” DE CADA PESSOA:

Lc 6:45 O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal, porque da abundância do seu coração fala a boca.

 

CADA PESSOA TEM A RESPONSABILIDADE DE PREPARAR O QUE SERÁ COLOCADO EM SEU CORAÇÃO:

2 Cr 12:14 E fez o que era mau; porquanto não preparou (Roboão – Rei de Judá) o seu coração para buscar ao SENHOR.

At 4:32 a 5:5 E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns. E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha. Então José, cognominado pelos apóstolos, Barnabé (que, traduzido, é Filho da consolação), levita, natural de Chipre, Possuindo uma herdade, vendeu-a, e trouxe o preço, e o depositou aos pés dos apóstolos. Mas um certo homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade, E reteve parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e, levando uma parte, a depositou aos pés dos apóstolos. Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus. E Ananias, ouvindo estas palavras, caiu e expirou. E um grande temor veio sobre todos os que isto ouviram

terça-feira, junho 10, 2008

VERDADEIRA SUBMISSÃO


Tempo depois de o povo ser liberto do Egito DEUS entendeu que era hora de o povo ser levado à terra que havia sido preparada para eles. O arraial estava acampado em Cades Barnéia (Nm 13) e Deus deu uma ordem a Moisés para que uma comitiva de doze homens fosse espiar a terra de Canaã.

Deus poderia ter preservado a terra de Canaã livre de ocupação pelos quatrocentos anos em que o seu povo se multiplicou no Egito, mas isto pouparia o povo da guerra para conquistar a terra e, por conseguinte, da glória da vitória, que é o grande propósito de Deus para os homens, ou seja, o restabelecimento da glória do PAI, contestada pelo diabo, a partir da vitória dos filhos de DEUS sobre ele.

DEUS pretendia que o povo verificasse a terra, fizesse planos para ocupa-la e, por fim, executasse estes planos tomando posse da terra e glorificando a DEUS pela construção de um povo que fosse a expressão de sua glória.

O povo e alguns da liderança, no entanto, só conseguiam enxergar os riscos de ocupar uma terra na qual viviam gigantes (Nm 13:27-33). Eles sabiam que serviam a um DEUS poderoso e tinham visto as maravilhas que DEUS estava disposto a fazer para abençoa-los e para cumprir Seus propósitos, no entanto, não conseguiam acreditar que teriam vitória na conquista da terra.

A dificuldade de crer que DEUS nos abençoará e nos dará vitória decorre da incredulidade e esta advém, por sua vez, de um coração endurecido (Hb 3:7-19).

Endurecer o coração do homem e tomá-lo de incredulidade é uma tarefa do inimigo de DEUS que vê nisto a chance de continuar ocupando a terra prometida e impedir que DEUS seja glorificado. Satanás não consegue se conformar pelo fato de que DEUS deu seu único filho para salvar os homens, mas não socorreu a ele e aos demais anjos decaídos (Hb 2:16).

Caso o homem não esteja vigiando seu próprio coração e buscando crescente e incessante comunhão com DEUS o diabo pode conseguir sugestionar o perverso coração humano e endurecê-lo para que ele seja tomado de incredulidade.

A prova de que isto já estava acontecendo com o povo de Israel quando estes chegaram a Cades Barnéia é que tanto os do povo como alguns da liderança já haviam murmurado (Nm 11 e 12). Quando tiveram diante de si o desafio de guerrear para ocupar a terra de Canaã murmuraram contra Moisés e contra Arão (Nm 14:2).

É preciso entender, neste momento, a linguagem verbal e a não-verbal envolvida no episódio. Verbalmente os murmuradores poderiam estar levantando algum pleito aparentemente justo e questionando dificuldades pelas quais estavam passando e limitações de sua liderança, mas na linguagem não verbal eles estavam dizendo, por dentro, em seus corações, o seguinte: “não queremos nos arriscar”, “vai ser difícil lutar”, “tenho medo de perder”, “não quero enfrentar gigantes”!

O povo já tinha tido experiências com murmuração no passado. Em Números 11:1 diz que o povo queixou-se aos ouvidos do SENHOR e que a ira dEle se acendeu e os consumiu no arraial. Depois desta dura lição o povo padeceu novamente a espera em Hazerote, até que Miriã fosse disciplinada com lepra por sete dias (Nm 12:15).

Quando o povo foi confrontado com a necessidade de mudar de escravos para guerreiros, para que houvesse a conquista da terra (Nm 13), os de coração endurecido acabaram murmurando novamente, mas desta vez tomaram o cuidado de não falar diretamente aos ouvidos do SENHOR. Eles murmuraram contra Moisés e Arão, porém, DEUS entendeu aquela murmuração como sendo contra Ele mesmo, como se vê em Números 14:27.

Isto acontece porque DEUS não só está atento às palavras que saem de nossa boca, mas também a linguagem não-verbal que sai de nosso coração e que somente DEUS ouve (Jr 17:9-10).

Assim, não adianta “tomar o cuidado” de não murmurar contra DEUS e sim contra seus líderes, pois se isto é diferente do ponto de vista humano, é pior do ponto de vista divino, tanto que quando o povo murmurou contra DEUS este os repreendeu imediatamente, mas preservou a maioria do povo; mas quando a murmuração se deu contra Moisés e contra Arão, DEUS quis consumir o povo todo e isto só não aconteceu porque Moisés interviu (Nm 14:12-15).

Quando o ESPÍRITO SANTO me falou todas estas coisas que ora escrevo, me convenci, mais uma vez, que tanto eu como alguns que conheço precisavam se arrepender da murmuração interior e enfrentar as mudanças, todavia, disse em meu interior o seguinte: – Tudo bem, mas como é difícil ser sujeito a líderes que aos meus olhos são, nalgumas coisas, despreparados, arrogantes, violentos no falar e, às vezes, ignorantes.

O ESPÍRITO SANTO, em sua docilidade, seu amor incondicional, seu consolo e seu ensino me disse que Moisés era exatamente tudo isto, como a Bíblia expressamente menciona em Êxodo 4:11. Lá Moisés admite perante Deus o que possivelmente não admitia diante de ninguém, ou seja, que era pesado de língua. Em palavras mais simples, Moisés era grosso mesmo. E ele não só era grosso como também violento, tanto que matou um homem e escondeu o corpo (Ex 2:12).

Para que Moisés viesse a se tornar o homem mais manso de seu tempo (Nm 12:3) DEUS teve de ensina-lo o que haveria de falar (Ex 4:12). Este ensino demorou, certamente, e durante o aprendizado Moisés deve ter deixado muita gente chateada com suas limitações, o que, todavia, nunca interrompeu o ministério que DEUS tinha pra ele. Ignorante ou não, Moisés era o líder e DEUS exigia submissão à autoridade deste líder, tanto de seu povo, como de Faraó.

No tempo em que tais coisas aconteceram havia um só templo itinerante, uma só terra de Canaã a ser conquistada, um só povo indiviso e um só líder, Moisés, com seus juízes (Ex 18:21-27); mas hoje, no tempo da aliança no sangue de CRISTO, cada um de nós é um templo, cada um tem uma Canaã a conquistar, somos um povo de todas as tribos, línguas e nações e temos milhões de Moisés e de juízes sobre nós, que são os nossos líderes na Igreja.

Estas pessoas não são perfeitas, como Moisés também não era, mas as direções que elas traçam devem ser seguidas, pois são dadas por DEUS como estratégia para conquistarmos a terra prometida.

E quando tais direções não forem dadas por DEUS, mas forem fruto da inexperiência e das imperfeições da alma do líder, o que fazer?

Quando alguma direção for flagrantemente contrária a Palavra de DEUS é porque Ele não deu tal direção ao líder. Neste caso, sendo contrária a Palavra, o liderado precisará apontar a Palavra como direção e isto por si só deverá demover o líder de seu erro e faze-lo retornar ao caminho da liderança segundo o SENHOR.

Se isto não ocorrer, é melhor o liderado pedir a benção para continuar a caminhada sob o cajado de outro Moisés, uma vez que, como já foi dito, são inúmeros os líderes no tempo na Igreja.

O problema está em reconhecer quando uma direção é flagrantemente contrária a Palavra de DEUS. Só a profunda comunhão obtida pela oração com jejum – para anular a força da alma – é que poderá revelar ao coração do homem a vontade de DEUS pra ele num dado caso concreto. Não devemos esquecer que se o líder pode estar suscetível ao comando de sua alma, muito mais o liderado está sujeito à mesma suscetibilidade. É muito mais comum um liderado estar sendo enganado por seu próprio coração do que um líder, muito embora isto possa acontecer tanto com um, como com o outro.

Quando, porém, a direção parece não ser a ideal, mas não é flagrantemente contrária a palavra, ou seja, ela não é a mais correta segundo o entendimento do liderado, mas também não é contrária a Palavra de DEUS, penso que a direção deve ser seguida tantas vezes quantas sejam necessárias para constranger o líder pelo amor. Uma das formas de amar é caminhar com alguém mesmo que esta pessoa esteja na direção errada. Jesus nos ensinou isto caminhando na direção errada com dois dos discípulos, por quase onze quilômetros, até que a visão de ambos se desembaraçasse (Lc 24:32). Pode ser preciso caminhar com o líder no caminho que este considera correto – ainda que não seja o ideal –, e isto até que ele compreenda o equívoco e volte para Jerusalém, totalmente convicto.

Por fim, submissão é não murmurar, é admitir que o líder não é infalível, mas admitir que todos somos falíveis, que alguém há de liderar a maioria e que a escolha cabe a DEUS e não aos homens. Submissão é cobrir a nudez do líder se ela ocorrer, como fizeram Sem e Jafé na ocasião em que Noé, o escolhido de DEUS, pecou. Submissão é orar pelo líder, é pedir que DEUS trabalhe moldando suas imperfeições e é apontar-lhe a Palavra sempre que, tendo a certeza de estar andando no espírito, for esta a direção mais acertada.

Por fim, submissão é uma prática e não um discurso, portanto, que DEUS, em sua infinita misericórdia, tenho paciência conosco e nos leve a nos apegar com firmeza a estas verdades já conhecidas (Hb 2:1) e a converter em ações tudo quanto agora o ESPÍRITO SANTO nos ensina em palavra.

Amém.

Obs.: Não deixe de meditar nos versículos citados.


terça-feira, fevereiro 19, 2008

Expandindo Limites

Alguns cristãos se perguntam porque não conseguem viver uma vida abundante e porque ainda estão tão inclinados a errar o alvo.

Penso que o Espírito Santo me disse algo nesta manhã sobre este assunto.

Quando Jesus foi perguntado por um doutor na lei sobre qual era o grande mandamento (Mt 22:36), Ele expôs o que seriam os dois mais importantes mandamentos. O primeiro é amar a DEUS de todo o coração, alma e pensamento e o segundo amar ao próximo como a si mesmo.

Por outro lado, vemos na carta de Tiago (1:14) que o homem é tentado por sua própria concupiscência interior, que o atrai e seduz e vemos no Evangelho de Lucas (6:45) que “o homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal” e em Marcos 7:21 que “do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios”.

Aqui se estabelece um contra-senso. O homem deve amar a DEUS de todo o seu coração, mas de dentro deste mesmo coração saem toda sorte de malignidades. Se o coração de um homem emana maus pensamentos, adultérios, prostituições e homicídios, é óbvio que tal homem não ama a DEUS de todo o coração. Parte do coração ama a DEUS e parte do coração ama as obras das trevas.

Este homem tem o coração dividido, como o coração do povo de Israel que foi descrito em Oséias 10: 1 a 3:

1 ISRAEL é uma vide estéril que dá fruto para si mesmo; conforme a abundância do seu fruto, multiplicou também os altares; conforme a bondade da sua terra, assim, fizeram boas as estátuas.
2 O seu coração está dividido, por isso serão culpados; o SENHOR demolirá os seus altares, e destruirá as suas estátuas.
3 Certamente agora dirão: Não temos rei, porque não tememos ao SENHOR; e o rei, que faria por nós?

O coração dividido é nota de culpa para o homem e é causa de esterilidade na vida do cristão. A esterilidade atinge todos os aspectos da vida do homem que a ela está sujeito.

Portanto, voltando ao início deste texto, concluímos que a causa de tantos não desfrutarem da abundância do SENHOR é a esterilidade e a causa desta última é o coração dividido do homem, que ama ao SENHOR, mas não de acordo com o mais importante e todo inclusivo mandamento da Palavra de Deus, que é amá-lo de todo o coração.

Para romper com este ciclo vicioso e passar a agradar a DEUS e desfrutar de suas promessas é preciso limpar o coração (Tg 4:8) de todo interesse pelas obras infrutíferas das trevas, devotando todo o coração ao SENHOR.

A pergunta é: como fazer isso?

Há quem já tenha tentado de tudo ao seu alcance para limpar o coração e ainda assim continua vendo em sua vida as mesmas obras, como Paulo, que via em seus membros um comportamento ao inverso do que ele cria e desejava em seu homem interior (Rm 7:23).

O SENHOR falou-me quanto ao ser limpo, que não é o homem que se limpa para entrar na presença de DEUS, mas é o SENHOR que limpa o homem de sua imundícia, como em Lucas 5:12 e13:

12 E aconteceu que, quando estava numa daquelas cidades, eis que um homem cheio de lepra, vendo a Jesus, prostrou-se sobre o rosto, e rogou-lhe, dizendo: Senhor, se quiseres, bem podes limpar-me.
13 E ele, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, sê limpo. E logo a lepra desapareceu dele.

Porém, se é DEUS quem nos limpa e se Ele quer nos ver limpos e com alvas vestes em sua presença, porque é que Ele não nos limpa a todos imediatamente e no momento que nos convertemos? Porque DEUS parece nos limpar de alguns pecados e de outros não e porque somos libertos da prática de determinados pecados imediatamente enquanto que outras práticas parecem resistir por longo tempo em nossas vidas?

A resposta, sem dúvida, está na reciprocidade. A reciprocidade de Deus é a garantia de que teremos sempre respeitada a nossa condição de seres feitos a imagem e semelhança de dEle. É que DEUS nos fez como Ele, com livre arbítrio, podendo decidir o que vamos receber e que não vamos receber de nosso entorno. Se DEUS intervisse na vida do homem para fazer nele aquilo pelo qual o homem não pagou preço algum e nem sequer decidiu verdadeiramente que deseja, então DEUS terá invalidado na vida deste homem o seu livre arbítrio e teria feito deste homem alguém distinto de Si mesmo, rompendo com a semelhança entre o Criador e a criatura humana.

DEUS é, para conosco, recíproco. Isto significa que embora Ele possa fazer qualquer coisa, fará todas as coisas em nossa vida na proporção direta de nossa busca e de nosso desejo ardente.

É aí que entram os limites e o nosso dever de removê-los.

A Bíblia diz que nosso coração é uma terra (Mt 13:19) e se emana desta terra tanto o amor a DEUS como o amor pelas coisas terrenas é porque esta terra está dividida e há um limite entre a parte que se devota a DEUS e a parte que presta culto às coisas do mundo.

Este limite precisa ser removido e o território que ainda não ama a DEUS precisa ser conquistado, para que tal homem ama a DEUS de todo o coração.

Quais são, pois, objetivamente, estes limites?

Penso que os limites que precisam ser removidos são os limites que nos impomos na oração, no jejum, na adoração, nos votos, nas ofertas, no estudo e meditação da Palavra, no serviço (amor prático) em prol de nossos irmãos, na intercessão pelos perdidos, no esforço para demonstrarmos de forma prática a fé que professamos, etc.

Pergunte-se agora qual foi o maior tempo que Você passou orando ou jejuando. Independente da resposta, é fato, e Você concordará, que se tivesse orado mais e jejuado mais teria obtido respostas mais eficazes do Céu. Se todos concordamos que devemos orar e jejuar mais, porque não o fazemos?

A resposta é porque nós nos impomos limites. A carne, ou seja, o corpo e a alma insubmissos, impõe ao nosso ser um limite às atividades espirituais como que dizendo: “nós só agüentamos até aqui...”.

É preciso desafiar estes limites!

Precisamos fazer o que nunca foi feito, orar como nunca oramos, jejuar como nunca jejuamos, meditar como nunca meditamos, servir como nunca servimos, para que venhamos obter do SENHOR, pela sua reciprocidade, uma mudança interior que até aqui nunca vivenciamos.

É preciso se perguntar quais os nossos limites espirituais e é preciso programar (e cumprir) um cronograma de desafios a estes limites.

O leproso de Lucas 5: 12 e 13 rompeu com um limite pessoal ao se prostrar diante de JESUS, ao crer que Ele poderia libertar-lhe da lepra e a rogar a JESUS.

Quais sãos os seus limites? Que restrições Você permitiu que a sua carne impusesse à sua busca espiritual?

Se Você já sabe quais são estes limites, desafie-os. Expanda seus limites!

quarta-feira, agosto 16, 2006

MARATONA DE ORAÇÃO

A sociedade em que vivemos moldou o hábito, já bem arraigado, de agir em tudo com brevidade. Símbolo máximo desta tendência é o fast food, ou comida rápida, onde o homem submete uma necessidade vital, o alimentar-se, à um tempo insuficiente, a fim de tornar “produtivo” o tempo que deveria utilizar para a alimentação.

É assim em relação ao pão natural e não é diferente em relação ao pão espiritual. Jesus é o Pão da Vida o qual é nosso alimento espiritual e de quem depende toda a nossa eternidade. O tempo que passamos em oração, com Deus, alimentando-nos do Pão da Vida, é um indicativo de como anda nossa vida espiritual.

É comum escutar durante uma pregação na igreja ou mesmo durante um culto de oração um pastor dizendo “vamos pregar uma palavra rapidamente” ou então orações brevíssimas, que justamente por serem breves demais acabam por não desatar o fardo da oração que nos é delegado pelo Espírito Santo.

Imagine alguém que marcou uma audiência com um Governador e que uma vez diante da autoridade passe a expor sua necessidade no modo “relâmpago”, ao final levantando e deixando a autoridade para trás, como se fosse uma estátua muda. Aliás, penso mesmo que tais orações relâmpago tem origem na idolatria, donde se ora para ídolos mudos.

Quem procede assim certamente não há de receber nada do Governador. É preciso entrar na presença do governante, reconhecer sua autoridade, ser específico no pedido, justificar sua procedência e sensibilizar a autoridade quanto a necessidade de que seja atendido o pedido. Não se pode fazer isto no modo “relâmpago”.

Ademais, é preciso estar preparado para a interação com a autoridade, para ser argüido, para ter os intentos mudados, para se deixar levar pelos argumentos da autoridade. Quando oramos é preciso estar sensível ao Espírito Santo para que este exponha a motivação de nosso coração ao orarmos, para que o Espírito Santo interceda por nós ao Pai, de variadas formas, mas até mesmo com gemidos inexprimíveis, o que certamente não se fará numa oração rápida.

A Bíblia nos mostra alguns exemplos de orações que foram atendidas justamente porque quem orava se demorou na presença de Deus. Assim a história de Ana, mulher de Alcana, que por ter se demorado na presença do SENHOR chamou a atenção do Sacerdote que a abençoou, vindo Ana, posteriormente, ser atendida por Deus que lhe deu um filho, aliás, lhe deu sete filhos (I Sm 1:9-20).

Temos o exemplo daqueles que, por estarem orando, ou seja, durante a oração, Deus os atendeu ou fez algo milagroso naquele momento. Assim Jô teve a sorte mudada no momento em que orava pelos seus amigos (Jô 42:10) e Daniel recebeu a visita do Anjo do Senhor enquanto orava (Dn 9:20-23). Se estes homens tivessem levado suas aspirações a Deus no modo “relâmpago” não teriam vivido as experiências que viveram e talvez nem tivessem sido atendidos.

Em Lc 9:29 vemos que a aparência do rosto de Jesus se transfigurou e suas vestes resplandeceram de brancura justamente no momento em que Ele estava orando. Também o sobrenatural acontecimento de suar sangue ocorreu a Jesus quando Ele orava (Lc 22:44). Paulo, quando recebeu de Deus o comissionamento para pregar aos gentios, experimentou um êxtase e teve uma visão bem quando orava (At 22:17). O próprio batismo no Espírito Santo e o primeiro avivamento ocorreram aos que se achavam orando (At 2).

Em Mt 26:40 o próprio Jesus cobrou de seus discípulos um tempo de oração igual ou maior a uma hora. Jesus não cobrou que orassem de mãos dadas, que orassem no templo, que orassem por algo específico, que orassem em concordância ou que orassem com eloqüência, mas que orassem no mínimo uma hora! Isto nos indica algo muito importante: que qualidade de oração pode sim estar relacionada a tempo de oração.

Lembro-me particularmente do testemunho de uma missionária chilena que há alguns anos orou trinta dias, várias horas por dia, por um menino todo deformado de nascença e que Deus atendeu sua oração moldando o corpo do menino instantaneamente nos braços desta mulher. Ela conta que em alguns momentos a fadiga impedia que ela orasse algo “útil” ao Senhor e que então ela, num ato extremo, chegava a ler para o Senhor o que ela encontrava no jornal, mas não deixa a presença de Deus em oração sem ter dado cabo das horas a que havia se comprometido.

Por isso tudo considero que a quantidade de oração precisa ser resgatada como condição para uma qualidade de oração. Para usar um exemplo usado pelo autor de Hebreus, devemos ser como o maratonista que corre sua carreira. Devemos fazer nossas maratonas da oração, onde ao iniciarmos a orar já sabemos que permaneceremos um tempo na presença de Deus e que dali por diante muito poderá acontecer conosco, que Deus irá falar-nos de muitas maneiras e que não abandonaremos a corrida antes do fim.
Como o maratonista, poderemos sentir a fadiga e o tempo sem dúvida passará, para nós, mais devagar do que para os que não estiverem na maratona, no entanto, só os que correm a carreira é que cruzam a linha de chegada dos vencedores e sobem ao pódio para receber, do Rei, a coroa da vitória.

terça-feira, maio 02, 2006

PROGRAMAÇÃO


A automação nos possibilitou passar às máquinas uma série de tarefas que dantes eram humanas e a informática nos possibilitou programar com exatidão a realização destas tarefas por parte das máquinas. Assim, há tarefas que eram executadas diretamente por seres humanos, há apenas uma ou duas gerações, e que hoje são executadas com precisão por máquinas de última geração.


Isto nos traz certa apreensão e nos incita a pensar que também podemos nos programar para realizar, com exatidão, as tarefas que máquina alguma fará por nós. Tendemos imaginar que aquelas boas práticas e todas aquelas tarefas indispensáveis à nossa boa convivência podem ser programadas em nós, de maneira que não precisemos decidir, a cada nova oportunidade, de executamos ou não a tarefa. Tendemos imaginar que podemos programar roboticamente todas as boas práticas de vida e ver em nós, diariamente, a realização automática desta programação.

Não é assim que funcionamos. Na verdade, não “funcionamos” na acepção da palavra, pois aquilo que funciona é porque recebeu uma função e não delibera por si mesmo, como uma máquina, que decorrente de seu projeto, está fadada a realizar uma dada função.

Somos seres dotados de decisão. A cada momento precisamos decidir entre mais de uma opção. Dentre estas opções, muitas vezes, está à opção que infringe o querer de Deus para nós, suas criaturas. Quando oramos “não nos deixa cair em tentação” não estamos pedindo que Deus substitua nosso poder decisório por sua vontade, como se fossemos divinamente teleguiados, mas estamos pedindo a Deus que gere circunstâncias capazes de nos afastar dos cenários típicos do pecado que nos assedia.

Às vezes somos tentados a pensar: “Como seria bom se eu pudesse me programar para dormir todos os dias num mesmo horário, para comer somente o indispensável, para me alimentar somente do que é saudável, para ter meu devocional com Deus, para investir em relacionamentos que agradam a Deus, para colaborar com minha comunidade, etc”. No entanto, se pudéssemos nos programar, como fazemos com nosso despertador, não seríamos humanos, não seríamos feitos à imagem e semelhança do Criador. O fato de não precisarmos responder a tais estímulos, nem mesmo aos estímulos decorrentes dos instintos animais, é um dos elementos que nos caracteriza como seres que transcendem a natureza animal.

Em, síntese, não somos programáveis. Há que fale em programação neurolinguística ou outras programações destinadas ao cérebro humano. A realidade é que podemos aprender e este aprendizado pode pavimentar o caminho da mudança, no entanto, não podemos nos programar para ficarmos inexoravelmente vinculados a uma dada prática periódica. Por mais que aprendamos, por exemplo, que exercícios físicos são indispensáveis à uma vida saudável, ainda assim não podemos gerar em nós uma programação que, diariamente, sempre no mesmo horário, nos coaja a vestir uma malha de ginástica e nos impulsione aos exercícios físicos. Por mais que os ensinamentos quanto aos benefícios dos exercícios físicos possam impregnar nossa visão sobre o tema, ainda assim manteremos, sempre, a disposição sobre o nosso ser, escolhendo se vamos ou não vamos nos exercitar.

O mesmo não acontece com o pecado em nós. Este é rigorosamente programado para violar – todos os dias de nossa vida terrena – a norma que se imponha a nós como agradável a Deus. Seja lá o que for que venhamos a adotar como norma, seja a aquela que claramente emane do texto das Escrituras Sagradas, seja aquela que provenha de votos feitos à Deus, sempre a cobiça de nosso interior corrompido irá buscar uma maneira de transgredir, apoiada em nossos sentimentos, vontade egoística e racionalização.

É uma briga desigual. Enquanto não podemos nos programar para fazer o bem, pois não podemos nos obrigar permanentemente a obedecer a um comando dado anteriormente, o pecado em nós é justamente uma programação de violar toda a qualquer noção de “certo” que venhamos ter. Isto nos leva a uma única solução: a morte. A única maneira de viver sem transgredir o certo, aposto em nosso espírito pelo Espírito Santo, é providenciar a morte desta natureza humana decaída que consiste o nosso ser. No entanto, se esta morte representasse o fim da existência terrena não poderíamos chamar isto de solução, pois a solução pressupõe um meio de superar uma dificuldade para continuidade da vida. Se uma medida visa à morte é porque não houve solução para o problema. Assim, é preciso morrer e continuar vivo.

Morrer e continuar vivo é algo que só o Cristianismo explica. O morrer aqui é tomado no sentido de mortificar, ou seja, aplicar o estado de morto ao que em verdade vive. Para mortificar o corpo é preciso, em primeiro lugar, crer que a morte de Cristo na cruz levou consigo a minha vida terrena e animal e que a vida que ora pulsa em mim e que sustém o meu corpo é uma vida sobrenatural, que advém do Espírito Santo, que ressuscitou a Jesus Cristo dentre os mortos. Ou seja, com Ele morremos em sua morte e com Ele ressuscitamos em sua ressurreição. A mente pode não acompanhar esta dicção, questionando-se como pode alguém estar vivo com a vida de Cristo e não a sua após aceitar o sacrifício da cruz, se visivelmente nada ocorre de diferente com aquele aceita tal sacrifício para si. Se a mente tivesse domínio sobre todos os elementos que compõe o milagre da salvação humana, tal salvação não seria uma obra de fé. O que faz com que sejamos salvos por fé é justamente o fato de que aceitarmos como verdadeiro algo que não é comprovável.

Portanto, não podemos nos programar para executar diariamente um conjunto de tarefas que entendemos ser o ideal para uma vida regrada por princípios e valores extraídos da Palavra de Deus e não podemos evitar o fato de que nosso interior está programado para gerar em nós, diariamente, uma cobiça por tudo o que é errado. Assim, só nos resta mortificar esta natureza decaída, com fé no caráter remitente da obra da cruz e cooperando com esta fé a nossa diligência em fazer, diariamente, tudo aquilo que enfraquece nossa natureza humana-decaída, dando oportunidade ao Espírito Santo de militar contra nossa carne e nos fortalecer em espírito, pois a Palavra de Deus nos garante que se vivermos em espírito, de maneira nenhuma iremos satisfazer as concupiscências da carne.

Esta diligência não pode ser programada, ela é fruto de decisão tomada caso a caso, momento a momento, e só é exitosa ao estarmos em comunhão com o Espírito Santo de Deus. Se nos afastamos desta comunhão, pelos afazeres deste século (ainda que não sejam pecaminosos em si mesmos estes afazeres) tendemos a obedecer à outra programação, a do pecado em nós. Importa, portanto, que vivamos crendo na obra salvadora do calvário, diligentemente buscando a presença de Deus pela oração, pelo estudo e meditação na Palavra, pela reunião com Seu Corpo – a igreja (nos cultos, celebrações e na comunhão íntima com os irmãos) – por jejuns e pelo trabalho servil em relação àqueles que têm necessidades prementes a serem supridas e que encontram, em nós, o agir de Deus em seu favor
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sábado, abril 29, 2006

Tentação não se Enfrenta

A Bíblia é repleta de exemplos de coragem dos homens de Deus e a covardia é algo repelido pelo cristão, já que Deus não nos dá espírito de covardia, mas de poder, amor e moderação (2 Tm 1:7). A valentia de enfrentar as situações é imprescindível quando tratamos com circunstâncias externas que nos desafiam e testam nossa fé, mas não quando tratamos com a tentação.

A tentação, como é dito em Tg 1:14, é fruto de nossa própria cobiça que nos atrai e seduz. Não se trata de um inimigo externo e sim de uma ameaça que brota dentro de nós, alimentada por uma distração qualquer em relação aos nossos valores.

Todos são tentados. Há aqueles que oram para não ser tentados, porém, isto é uma oração inútil, pois ser tentado é parte do nosso crescimento espiritual. Só quando somos tentados – e resistimos à tentação – nos parecemos mais com Cristo e subimos espiritualmente, rumo à estatura do Varão Perfeito, que é Jesus.

O remédio preventivo para a tentação está em Lc 22:46 onde Jesus diz: Por que estais dormindo? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação. Orar nos impede de cair nas tentações e não de sermos tentados. Aliás, na oração que Jesus ensinou aos seus discípulos ele disse que deveríamos pedir ao Pai para não cairmos em tentações e não para não sermos tentados.

A oração vai impingir espiritualidade ao nosso ser e reter o nível de carnalidade que favorece a sedução do pecado. Mesmo assim, precisamos de uma atitude prática em relação à tentação, que é fugir dela. Na carta aos Coríntios, tanto no capítulo 6:18 como no capítulo 10:14 a recomendação em relação aos pecados da impureza e da idolatria (intimamente ligado à impureza) é a mesma: fugir. Também em Eclesiastes 7:26 diz: Achei coisa mais amarga do que a morte: a mulher cujo coração são redes e laços e cujas mãos são grilhões; quem for bom diante de Deus fugirá dela, mas o pecador virá a ser seu prisioneiro.

Outra passagem bíblica que confirma o fato de que diante da tentação devemos fugir é 1 Co 10:13 que diz: Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar. O livramento de que fala Paulo não é outro senão o escape, o caminho da fuga. A palavra grega que é traduzida como “livramento” é ekbasis, que significa também caminho para fora, saída. O Léxico Grego de Strong menciona quanto a esta palavra o seguinte: “aplicado figurativamente para o caminho de escape da tentação”.

Como se vê, Deus nos incentiva a orar para não cair em tentação e promete que não seremos tentados acima do que podemos suportar, e que a cada tentação teremos sempre um caminho de fuga para não cair.

O problema é que muitas vezes não desejamos fugir e quanto mais esperamos para tomar a decisão de fuga, mais difícil fica pra fugir. A fuga precisa ser decidida e executada no momento em que vemos o cenário do pecado nos cercando. É ali que precisamos fazer como José, que fugiu de diante da mulher de seu senhor – que queria agarrá-lo – mesmo que para isto tenhamos que perder alguma coisa, como José, que perdeu suas roupas, que ficaram em mãos da mulher de seu senhor. Imagine se José resolvesse administrar a situação da tentação; se resolvesse sentar e conversar pra fazer sua ama entender que ele não podia deitar-se com ela. Certamente José não teria resistido à sua própria cobiça, pois sendo jovem e solteiro e a mulher de seu senhor bela e atraída por ele, certamente que José também tinha que lutar contra o desejo de possuí-la.

José não “administrou” a situação, ele agiu imediatamente fugindo da situação de tentação. Para poder fugir José perdeu suas roupas. Foi o preço para se manter fiel ao Senhor, fidelidade esta que foi recompensada depois, quando virou o homem mais importante do Egito depois do Faraó; muito mais importante inclusive, que o seu antigo senhor. Às vezes a tentação se configura a partir de um local, uma amizade, um tipo de conversa, um lazer, em negócio, etc. O apego a estas coisas não pode ser obstáculo para fugirmos da tentação, pois se pusermos os olhos nestas coisas não conseguiremos fugir e cairemos em tentação. Para não cair em tentação é preciso fugir, ou seja, abandonar um posição, e isto é contrário à nossa cultura.

Outras atitudes que não podem ser tomadas são: a indiferença e a luta contra a tentação. A indiferença à situação de tentação que nos cerca só contribui com nossa cobiça, que no momento certo vai brotar com força avassaladora para nos derrubar, então, é preciso, ao primeiro sinal de que o cerco da tentação está se fechando, deixar tudo e fugir da situação que se montou a nossa volta. Quanto à lutar contra a tentação, por exemplo orando para que se dissipe a cobiça interior, é uma solução que só se aplica se não pudermos fugir literalmente, pois a Palavra de Deus não diz “orai contra a tentação” e sim fugi dela. Devemos estar orando constantemente para que nosso interior seja mudado e a força do pecado em nós contida pelo Espírito, pois aquele que está em Espírito jamais satisfará as concupiscências da carne. No entanto, negligenciar a oração e buscar orar somente quando já está cercado pela nuvem da tentação, é errado. Depois não adianta dizer que orou e a tentação não foi embora, pois quem deve ir embora somos nós diante da situação de tentação.

Diante do cenário de pecado, quando as forças do Inferno se avolumam e se fecham sobre o crente, é preciso fugir. Ao fugir do pecado, fugimos para Deus e nos tornamos dependente dEle. Assim, temos autoridade moral para resistir ao diabo, como está em Tg 4:7 que diz: Sujeitai-vos, pois, a Deus, mas resisti ao diabo e ele fugirá de vós. Só é possível resistir ao diabo a partir de uma posição de santidade e está só é possível manter em Cristo, dependendo dEle e não na força de nosso próprio braço.